Livro esgotado
Por General Aloisio Rodrigues dos Santos
Faço das palavras e dos sentimentos expressos pelo Cel Ustra as minhas palavras e os meus sentimentos.
Concordo plenamente com o texto - leia aqui -, de sua autoria, pois ele não foi elaborado ou divulgado pela emoção, nem pelo ressentimento, muito menos pelo ódio de seus inimigos.
Estes, ao desconhecer  o passado ou apenas conhecer o que lhes interessa; ao acusar desde já os seus "inimigos",  sem considerar os arcabouços jurídicos, políticos, legais e morais que regem a vida em sociedade; ao julgar por antecipação, pois as cartas já estão antecipadamente marcadas; ao confirmar um "veredito" sem estabelecer juízos de valor; por certo se julgam acima do bem e do mal e definirão o que é certo, correto e verdadeiro.  
Por não terem os fundamentos mais elementares que consagram uma convivência harmoniosa, exigidos para um julgamento imparcial e honesto, certamente utilizarão artifícios que consagrem um "julgamento aparentemente honesto e imparcial", mas que o tornará uma farsa no campo do direito e uma fraude no campo das relações humanas.
Quantos ainda se lembram das acusações destemperadas da deputada Elizabeth Mendes de Oliveira, "Rosa", em agosto de 1985? Quantos se lembram do livro "Rompendo o Silêncio", publicada a primeira edição em 5/Mar/1987,  que a desmoralizou e a tornou uma iniquidade no cenário político nacional? 
O episódio "Bete Mendes" de 1985, por certo, contribuiu para  que os terroristas do passado aprendessem com os  erros de "Rosa". Este aprendizado corrigiu as imperfeições e os erros cometidos em 1985. Assim, os acusadores de hoje somente apresentarão erros, falhas e contradições, nos seus  depoimentos à Comissão, naquilo que é apenas secundário, naquilo que não é importante nem decisivo para que se estabeleça um juízo de valor, pela sua própria desimportância, mas que darão credibilidade aos fatos e episódios mais importantes que desejam realçar para "incriminar o réu". Todos falarão a mesma linguagem, pois já estão desde há muito se preparando para "incriminar o seu mais valioso troféu", de forma a gerar uma "verdade facciosa e fantasiosa", fundamentada em fatos aparentemente corretos e verdadeiros.
Por oportuno, citarei dois eventos e algumas reuniões que têm uma íntima ligação com as acusações formuladas em agosto de 1985.
 Primeiro o lançamento do livro "Rompendo o Silêncio", na tarde de cinco de março de 1987, e uma entrevista de 20 minutos no jornal das 20:30hs da Rede Manchete, na noite desse mesmo dia.
As repercussões foram grandes, as primeiras edições se esgotaram rapidamente, os acusadores desapareceram e a artista Bete Mendes caiu no ostracismo político e ideológico. 
Em consequência desses dois eventos, guardados sigilosamente até o dia cinco de março,  jornalistas da então revista VEJA insistiram para que fossem recebidos pelo Cel Ustra em sua residência. Inicialmente retraído, o coronel concordou em receber Élio GasparI, Paulo Moreira  e Eduardo Oinegue, este último o então gerente da sucursal da revista em Brasília. Eu participei de três ou quatro dessas reuniões, descontraídas e informais, quando a lealdade e a seriedade permearam o conjunto das confabulações, desconhecendo no entanto  se outras reniões ocorreram ao longo de 1987 e em anos subsequentes.
Devo destacar, no entanto, um resumo das afirmações que o jornalista Élio Gaspari fez ao Cel Ustra, em uma das reuniões, na presença de todos que lá estávamos, sem acusações a quem quer que seja, mas que são pertinentes e esclarecedoras face aos  graves momentos que vivemos na atualidade:
  "Cel, o senhor foi maior responsável pela derrota do terrorismo no Estado de São Paulo, onde se concentraram cerca de 70% das ações de guerrilha urbana no país. O senhor conseguiu, em pouco mais de três anos, desbaratar e tornar inoperante a maioria das organizações que optaram pela luta armada e pela violência revolucioñária. Este feito não lhe será creditado permanentemente, os derrotados um dia lhes darão o troco e o senhor algum dia será responsabilizado."
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