Manchetes de jornais da época
INTENTONA COMUNISTA II
Dados relacionados com o VII Congresso Mundial do Komintern
Por Aluisio Madruga de Moura e Souza
Como adiantei no final do artigo anterior, vamos conversar um pouco mais sobre  a Intentona Comunista de 1935.
“ Dominada nesta Capital uma grave Rebelião Militar. Ás primeiras horas da madrugada  de ontem revoltaram-se o 3º Regimento de Infantaria e parte da Escola de Aviação. As tropas fiéis dominaram a situação após várias horas de luta, na qual perderam a vida officiais, sargentos e praças, ficando feridos numerosos outros. Gravemente attingidos por projecteis  o Commandante e o Sub-comandante  do Regimento, quando tentavam conter a tropa amotinada”.
(Correio da Manhã de 28 de novembro de 1935).

Texto completo
Já no Correio da Manhã do dia 30 de novembro de 1935 vamos encontrar:
“ Os acontecimentos. Tenaz na sua acção subversiva, o Partido Communista trabalha pelo esphacelamento do Brasil. O discurso do representante do Partido Communista Brasileiro no último Congresso Mundial da Internacional Communista”. É desta reportagem que  passo a transcrever os seguintes comentários do jornal:
“ –  cinqüenta e dois países enviaram seus representantes, incumbidos de apresentarem perante o Congresso um Relatório da situação do communismo em seus respectivos países e dos progressos alcançados durante os últimos tempos;
-O discurso do delegado do Brasil, Marques, constituiu-se em um resumo
histórico  da evolução do communismo no nosso país, demonstrando claramente o incremento extraordinário que aqui vem tomando , o credo de Moscou, implantando o dissídio, a desordem e as greves procurando desmoralizar a ordem estabelecida. (Esclareço aos meus leitores que Marques tratava-se de Antônio Maciel Bonfim, o Miranda, que tinha sido reeleito Secretário- Geral do Partido). 
-Transcrevemo-lo a seguir na integra, conforme elle vem publicado no número especial de “La Correspondance Internacionale”, editado em Paris a 12 de outubro último, o Relatório do delegado brasileiro lido no Congresso;
- esta transcripção que fazemos do número especial de La Correspondance Internacionale orientará sem dúvida os nossos leitores sobre muitos factos que nos últimos tempos lhes terão parecido um tanto obscuro. Cremos que depois de lerem o discurso do representante brasileiro no último Congresso do Komintern, realizado em Moscou, comprehenderão que combater o communismo é defender o Brasil”.
Já no Correio da Manhã do dia 6 de dezembro de 1935, vamos encontrar a seguinte manchete: “ A rebelião militar do dia 27. Uma série de documentos obtidos no exterior sobre a infiltração communista no Brasil. O relatório  de Dimitroff apresentado no 7º Congresso em Moscou – Luiz Carlos Prestes já é membro do Governo Russo.” Nesta reportagem que foi ampla, o periódico publica o relatório de Dimitroff, dirigente búlgaro da Internacional Comunista, encarregado de fundamentar as políticas de frentes da organização, extraído da Ata da Sessão de 3 de agosto do mesmo ano, referente ao VII Congresso Mundial já citado. No Relatório em questão encontramos:
“Antes da abertura da sessão matinal do dia 2 de agosto de 1935, já a sala das columnas estava repleta para ouvir o camarada Dimitroff. Ao entrar na sala Dimitroff foi saudado pela delegação Allemã com um – Rot Front – e de todos os cantos da Assembléia as delegações o acclamam em todas as línguas do mundo. Pelas delegações sul-americanas foi o  mesmo homenageado pelo verbo quente e vibrante de Luiz Carlos Prestes.
Depois de historiar os progressos da actividade communista nos vários países, Dimitroff assim se refere ao Brasil: no Brasil, segundo estamos amplamente informados pelos nossos melhores agentes( o que demonstra que o Komintern enviou agentes de plena confiança para orientar a Aliança Nacional Libertadora(ANL) na tentativa de tomada do poder) e pelo nosso ilustre Prestes. A luta tem sido intensa, devendo vencer o espírito conservador e católico do povo brasileiro que em outras épocas chegou a ser quase fetichista. As propagandas anti-religiosas  que ali vêm sendo feitas desde algunns annos já vão dando resultados, principalmente, entre marinheiros e soldados. As Revoluções pela emancipação política iniciada em 1924 por Prestes em São Paulo, culminando com as victórias de 1930, têm servido de muito para consolidar o trabalho communista com os brasileiros. Deve ser notado que os mais ardentes da revolução sempre se apoiaram em elementos rubros, alguns dos quais nossos mais dedicados amigos. Pena foi que Prestes não tivesse o feliz ensejo de definitivamente tomar o poder e proclamar a República Soviética do Brasil. Não o devemos censurar por isto. Elle já nos disse e já nos convenceu que naquella  época  seria coisa passageira ainda não suficientemente amadurecida no Brasil. Será preferível que o communismo seja implantado no território brasileiro de forma permanente e com sólidas raízes da natureza das que já estão brotando graças ao trabalho intteligente e fecundo alí feito pelo nosso partido auxiliado pelos elementos da III Internacional  que em Montevidéo estão vigilantes nas instruções que daqui lhes envia Prestes. Podemos pois verificar com satisfação que os últimos relatórios apresentados no presente Congresso indicam o grande progresso que ali  tem tido a nossa causa, principalmente entre os intelectuais, professores , estudantes de academias, liceus e gymnasios officiais , pois não tem sido possível introduzir a nossa propaganda nos estabelecimentos  religiosos  e do ensino particular.
Também nas classes armadas a infiltração tem sido considerável , mormente entre os sargentos e a formação de syndicatos tem em muito facilitado pois mais facilmente podemos agir sobre blocos e não sobre  pessoas isoladas. Em São Paulo, Rio de Janeiro, em Nicthroy, em Pernambuco, na Bahia e nos estados do Sul – constatamos com prazer que o trabalho tem sido hercúleo e avança a passos de gigante e agora com acção intteligente de um verdadeiro partido como a Alliança Nacional Libertadora ou será o que a substituir nas próximas lutas eleitorais. Devemos ser otimistas em relação ao que esperamos da futura e talvez bem próxima colaboração brasileira, na nossa obra civilizadora e de libertação do proletariado mundial.
Ao terminar a scessão desta tarde devo enviar uma grande saudação aos communistas brasileiros aqui tão dignamente representados e aos nossos camaradas chineses. Nós saudamos esse heróico exército vermelho e nós prometemos que não os abandonaremos na grande luta em que estão empenhados.
Nesse ponto Dimitroff interrompe a sua exposição  e ao descer da tribuna o Congresso lhe fez uma delirante manifestação de entusiasmo . Prestes e Wan Gou Lin se adiantam e calorosamente apertam as mãos de Dimitroff que os abraça affectuosamente”.
Como trata-se de texto bastante claro, destaco apenas para os leitores que o Congresso em questão ocorreu nos dias 2 e 3 de agosto de 1935.
No artigo Intentona Comunista III, relacionaremos os militares mortos nos três focos do levante (Natal, Recife e Rio de Janeiro); os principais mercenários-assassinos( expulsos) nos três focos do levante; militares punidos de outra forma; civis brasileiros mais importantes no levante e, ainda, civis estrangeiros mais importantes no levante. São nomes que deverão ser execrados para sempre.
Aluisio Madruga é autor dos livros:
Guerrilha do Araguaia – Revanchismo – A Grande Verdade e
Documentário Desfazendo Mitos da Luta Armada
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