E ainda tem gente que luta por esse
regime! Vejam do que nos livramos:
http://youtu.be/J9FoCIMpYYw

Breve história do comunismo
O extermínio de inocentes, o culto à personalidade, a perseguição aos inimigos do regime e um sistema econômico cruel e absurdo – eis o legado comunista
José Fucs - Revista época - 21/11/2011
O regime comunista na Rússia, o núcleo da extinta União Soviética, durou 74 anos e marcou a fundo a história do século XX. Ele começou com a Revolução de Outubro de 1917, sob o comando de Vladimir Illitch Ulianov, ou Lênin, o maior líder dos bolcheviques, como eram chamados os comunistas russos na época. Terminou de forma patética com a renúncia de Mikhail Gorbatchev, o último líder da União Soviética, por meio de um discurso na televisão, em 25 de dezembro de 1991.
Os bolcheviques se consideravam os “legítimos representantes” da classe operária russa e proclamavam atuar como seu braço revolucionário. Inspiravam-se nas ideias do filósofo alemão Karl Marx (1818-1883), que pregava a união dos operários do mundo para criar uma nova sociedade, sem Estado e sem classes, com base na propriedade coletiva dos meios de produção. Incorporaram também as ideias de Lênin, que defendia a criação de um “partido de vanguarda” (o comunista), para, depois de tomar o poder, liderar a revolução proletária e governar o país em nome dos trabalhadores, num “estágio de transição” entre capitalismo e comunismo.
Os revolucionários tomaram o poder por meio de uma revolta armada que derrubou o governo provisório instalado após a queda, em março de 1917, do czar Nicolau II, o último imperador da Rússia. Para se consolidar no comando, enfrentaram uma sangrenta guerra civil que durou até dezembro de 1922 e deu origem à União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). O país, formado inicialmente por Rússia, Ucrânia, Bielorrússia, Geórgia, Armênia e Azerbaijão, chegou a reunir 15 repúblicas, antes de se desintegrar. Para não deixar rastros do passado, os bolcheviques executaram o czar Nicolau II, sua mulher, seu filho, suas quatro filhas, o médico da família imperial, um servo pessoal, a camareira da imperatriz e o cozinheiro da família, na cidade de Iekaterinburgo, no sudoeste da Rússia, em 18 de julho de 1918.
Logo depois, eles decretaram “a propriedade privada da terra abolida para sempre” e determinaram que toda a terra dos aristocratas deveria ser transferida aos comitês de camponeses sem nenhuma compensação. Determinaram também que os operários assumissem o controle das fábricas. Um ambiente de insegurança e terror se instaurou na sociedade. Por acreditar que a religião era, nas palavras de Marx, o “ópio do povo”, pregavam o ateísmo. Diversos templos foram destruídos. As propriedades religiosas, confiscadas.
As primeiras medidas dos revolucionários derrubaram a produção no país. Para estimular a economia, o novo regime decidiu pôr em ação em 1921 a Nova Política Econômica, ou NEP. Idealizada pelo próprio Lênin, ela restabelecia algumas práticas capitalistas. Permitiu a existência de pequenos negócios privados e suspendeu confiscos de produtos agrícolas e matérias-primas, embora o Estado mantivesse o controle de bancos, grandes indústrias e do comércio exterior. Segundo Lênin, a NEP representava apenas um recuo tático – um “passo atrás”, para dar “dois à frente” depois.
Com a morte de Lênin, em 1924, por razões até hoje não esclarecidas, Josef Stálin, então secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética e do Comitê Central, assumiu a liderança dos bolcheviques e abandonou a NEP em 1928. Stálin venceu a disputa pelo comando dos bolcheviques com Leon Trótski, fundador e o primeiro líder militar dos revolucionários, assassinado em seu exílio no México, em 1940.
Stálin permaneceu no poder até sua morte, em 1953. Foi o mais longo de todos os governos soviéticos. Ele renacionalizou quase toda a economia e implementou uma política de rápida industrialização do país. Stálin foi um tirano cruel e sanguinário. Exterminou milhões de camponeses russos para forçar a coletivização da agricultura. Centralizou o comando da economia e adotou os primeiros planos quinquenais, que se tornariam uma marca da URSS.
Ele montou um aparato de segurança sem precedentes para vigiar os cidadãos e identificar possíveis atos “contrarrevolucionários”, liderado pela NKVD (futura KGB), a polícia secreta soviética. Perseguiu de forma implacável seus opositores. Em 1937 e 1938, realizou um “grande expurgo” para eliminar ex-opositores do regime, potenciais rivais no partido e outros inimigos. Numa série de julgamentos de fachada, conhecidos como Julgamentos de Moscou, ele acusou também os velhos bolcheviques que ainda estavam vivos, inclusive Trótski. Justificava-os por meio de confissões forçadas, tortura e ameaça às famílias.
Calcula-se que, ao todo, cerca de 700 mil pessoas, a maior parte cidadãos comuns, foram executadas nesse período. Milhões foram confinados em gulags, os campos de trabalhos forçados na Sibéria. Ao mesmo tempo, Stálin s promoveu o culto a sua personalidade. Diversas vilas e cidades receberam seu nome. Aceitava títulos grandiloquentes, como Pai das Nações, Gênio Brilhante da Humanidade, Grande Arquiteto do Comunismo e Jardineiro da Felicidade Humana. Ele ajudou a reescrever a história para lhe atribuir um papel mais relevante na Revolução de 1917.
Durante a Segunda Guerra Mundial, Stálin se uniu aos aliados depois que o ditador nazista Adolf Hitler traiu o pacto de não agressão firmado com ele em 1939. A guerra foi decisiva para a derrota de Hitler e abriu o caminho para que a URSS passasse a controlar a metade oriental da Alemanha e o Leste Europeu, emergindo como grande potência mundial. No auge, o império soviético comandava 40 países no mundo.
Com a morte de Stálin, o clamor por reformas na URSS aumentou e seus crimes vieram à tona. Sob a liderança de Nikita Kruschev, que assumiu o comando do Partido em 1958, as execuções em massa foram reveladas e milhares de dissidentes libertados. Mas Kruschev endureceu o jogo no front externo, com a instalação de mísseis em Cuba voltados para os Estados Unidos e o recrudescimento da Guerra Fria com os americanos. Kruschev acabou caindo em desgraça e deixou o posto em 1964. Quando morreu, em 1971, não mereceu sequer um lugar junto ao mausoléu de Lênin, na Praça Vermelha, em Moscou, onde está enterrada a maior parte dos líderes soviéticos, inclusive Stálin.
Com a queda de Kruschev, a linha dura voltou ao Kremlin com Leonid Brejnev. Ele fez pesados investimentos em armamentos e apoiou regimes de esquerda em todo o planeta. Foi só com a ascensão de Gorbatchev em 1985 que finalmente as negociações para a redução de armamentos de longo alcance entre EUA e União Soviética ganharam força. Durante sua gestão, os países satélites da Rússia no Leste Europeu começaram a se desgarrar. Em 1990, com a queda do Muro de Berlim, o principal símbolo da Guerra Fria, o império soviético se desintegrou. No campo interno, Gorbatchev implementou também a perestroika (abertura política) e a glasnost (abertura econômica), traçando o caminho para o fim do comunismo e da URSS.
 

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