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Categoria: Corrupção
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 Não fosse a imprensa, corrupção teria afundado Dilma Rousseff
Pedro do Coutto - Tribuna da Imprensa - 31/10/2011
Acredito que o título acima seja a melhor síntese do panorama político visto neste primeiro tempo do governo Dilma Rousseff. Bateu o recorde. Em menos de doze meses, seis ministros demitidos, cinco por corrupção desencadeada sem limites. Demais. Dose para dinossauro, Não foi por acaso que setores, senão corruptos, comprometidos com a corrupção, até pelo silêncio na fronteira da conivência, tentavam partir para um esquema de censura disfarçado de controle da mídia. Impossível. Não fosse a mídia, a presidente da República certamente teria afundado.
Ficou claro como água da fonte que a oposição ao governo localiza-se na corrupção e nas investidas dos muitos corruptos. Se ela não se livrasse de tais ladrões do dinheiro e do patrimônio público, seria inevitavelmente tragada pelos eternos falsos amigos, falsos aliados, bajuladores que, cada qual à sua maneira, procura sempre infiltrar, como no filme de Scocerse, e partir, primeiro para o tráfico de influência, na etapa seguinte para o roubo direto. Não têm limite tais personagens que pertencem aos bastidores da política e se movimentam nas sombras do poder.
O pior é que geralmente são aceitos e cultivam a intimidade que conseguem alcançar. Iludem muito até que, em dado momento, descobrem a verdadeira face e exageram. Quanto mais tempo custar que sejam identificados, maior o prejuízo. Sobretudo o prejuízo moral. Porque conviver com ladrões e percentauros não é nada fácil. Ao contrário. São seres intoxicantes. O impulso de fraudar e roubar está em seus olhos, em sua face, na expressão diante dos diálogos, na sua alma. São perigosíssimos, homens e mulheres que penetram pelas brechas da oferta e da sedução.
Dilma Rousseff reage mal ao roubo. Fez bem em demitir os acusados. É por causa desses hediondos desonestos que falta tudo nos hospitais públicos. É por causa desses imundos que falta educação, as escolas estão caindo pelas tabelas, os professores ganham muito pouco. É por causa desse bando avassalador que falta saneamento básico, o analfabetismo continua alto, o transporte não avançam na proporção do crescimento da população, e os policiais e bombeiros têm vencimentos ínfimos.
Os ladrões inclusive não se esgotam na esfera federal. Não. Nada disso. Proliferam também nos planos estaduais e municipais.Atrás de cada porta do poder existe sempre um assaltante disfarçado de dinheiro público. Às vezes são reles personagens. Às vezes são ladrões de casaca. Estão em toda parte. Ocultam-se atrás dos copos dos almoços e jantares, atrás das flores que enfeitam o ambiente. Muitos emergem à tona, outros se mantêm submersos.
E assim as coisas caminham nas esquinas que dividem o processo e o sistema. É preciso percepção triplicada.Exatamente neste ponto é que entra a imprensa. Caso Palocci. Caso Alfredo Nascimento. Caso Wagner Rossi. Caso Pedro Novais. Finalmente o escândalo Orlando Silva. Todos acusados frontalmente, todos exonerados, mas nem todos ão denunciados à Justiça pelo Procurador Geral da República. Indícios e sintomas não faltam.
 Uma vergonha para o Brasil. Falei em imprensa e acentuo: a escrita que atinge em cheio a opinião pública, com reflexo na sociedade em geral. São quatro as fontes que expressam a revolta: Folha de São Paulo, O Globo, O Estado de São Paulo e a Revista Veja. Dilma Rousseff deve agradecer à imprensa e aos jornalistas. Sem eles, teria afundado num pântano. A corrupção é a sua grande inimiga. A verdade e sua interpretação estão a seu lado. A grande diferença aí está.
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 Deixem Aldo em paz
Ricardo Noblat - O Globo - 31/10/2011
Difícil dizer qual foi o momento de mais brilhante cinismo que marcou a entrevista coletiva concedida na última sexta-feira por Renato Rabelo, presidente do Partido Comunista do Brasil (PCdoB). Terá sido aquele onde ele garantiu que Aldo Rebelo, seu correligionário e novo ministro do Esporte, escolherá livremente com quem irá trabalhar?
Ou terá sido o momento seguinte, quando Renato citou Nádia Campeão, ex-secretária de Esporte de São Paulo e ex-presidente do PCdoB no estado? Renato admitiu que Nádia está cotada para a secretaria executiva do Ministério do Esporte, embora não seja uma indicação do partido . Como é mesmo, Renato? Repita! Em 2002, ao se eleger presidente da República e decidir que o Esporte caberia ao PCdoB, Lula pediu ao partido que sugerisse o nome do ministro.
Por partido entendase Renato. Ninguém ali o contesta. Renato tentou emplacar Nádia Campeão. Lula preferiu Agnelo Queiroz, deputado federal pelo PCdoB de Brasília.
Então Renato empurrou goela abaixo de Agnelo os nomes de Orlando Silva para secretário nacional de Esporte, e de Ricardo Leyser Gonçalves para secretário nacional de Esporte de Alto Rendimento. Foi o primeiro emprego da vida de Orlando, que pelo PCdoB presidira a União Nacional dos Estudantes entre 1995 e 1997.
Orlando e Ricardo serviram ao partido no ministério como uma espécie de tutores de Agnelo. Vigiavam seus passos. E confrontavam atos que poderiam desagradar ao partido. Em certa ocasião, Agnelo aceitou convite para assistir no exterior a uma competição de natação. O autor do convite era um dirigente esportivo do Rio.
Os tutores de Agnelo se opuseram.
Alegaram que a aceitação do convite fortaleceria seu autor, empenhado em que o Rio sediasse os Jogos Pan-Americanos de 2007. E, para o PCdoB, o melhor seria que o Pan fosse disputado em São Paulo. Ali o partido concentra seus maiores interesses. O ministro viajou mesmo assim.
Os dois viviam no gabinete de Agnelo. Não se anunciavam antes de entrar, simplesmente giravam a maçaneta da porta e entravam.
Uma vez, irritado, Agnelo foi visto saindo do seu gabinete com as mãos na cabeça para desabar diante de secretárias perplexas: Tirem esses dois da minha sala. Não aguento mais . Vexame! O posto de Orlando só lhe dava direito a dispor de carro oficial para se deslocar dentro da Esplanada dos Ministérios.
Pois ele visitava a namorada que morava na Asa Norte dizendo que usara o carro em viagem ao Setor Hospitalar Norte. Para ir ao aeroporto, anotava que usara o carro em viagem ao Setor de Carga. Há um dossiê a esse respeito.
Apontado como o homemforte dos Jogos Pan-Americanos, Ricardo acabou condenado pelo Tribunal de Contas da União a devolver aos cofres públicos mais de R$ 18 milhões. Foi acusado de superfaturamento e de pagamentos indevidos. Nem por isso deixou o ministério.
Mais do que Dilma, Lula tolerava desvios de conduta.
Quem deixou o ministério foi Agnelo, candidato ao governo do Distrito Federal e depois ao Senado. O PCdoB abandonou-o. Agnelo quis voltar a ser ministro no segundo governo de Lula o partido preferiu Orlando.
Mas escalou o advogado Ronald Freitas, um dos sete membros do seu secretariado, para monitorar o novo ministro.
Agora, quem haverá de controlar de perto ou à distância o desempenho de Aldo Rebelo? Dele se diz e com razão que é um político experiente e respeitado por seus pares.
Foi presidente da Câmara dos Deputados e ministro de Relações Institucionais de Lula. Até a oposição (leia-se: Aécio Neves e José Serra, ambos do PSDB) gosta dele.
Seria razoável que o PCdoB o deixasse em paz. Aldo é tido como um quadro disciplinado.
No ano passado, pediu socorro à direção quando temeu não se reeleger devido à quantidade de dinheiro gasto para eleger o deputado Gustavo Petta, cunhado de Orlando. O partido espera que ele retribua a ajuda que recebeu. Força Lula