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Categoria: Corrupção
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   Por  Carlos Tavares - Correio Braziliense - 19/10/2011
 Corrupção — assim como maldade, cinismo... — sempre existirá. Está no sangue e na história da humanidade. O que pode um dia acontecer é ela ser reduzida, com leis que castiguem os autores. Punição talvez seja o que falta no Brasil e em outros países mal posicionados na escala de medição desse mal, que vai de zero a 10. Temos nota 3,7 desde 2009.

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Nesse período, pesquisa da Fiesp aponta que espertinhos brasileiros embolsaram de R$ 50,8 bilhões a R$ 84,5 bilhões, bolo que crescerá mais um pouco com os escândalos no Ministério do Esporte e as investigações da Polícia Federal na CBF.
O problema da corrupção tem muito a ver com a empáfia do poder, o brilho opaco das vantagens aparentes, os bajuladores de plantão que se orgulham de trabalhar com este ou aquele ministro, governador, prefeito ou presidente que seguem a linha do pior dos lemas: rouba, mas faz! Um amigo paraibano fez um comentário certa vez sobre um secretário corrupto que bate na lembrança sempre que ele vê, escuta ou lê notícias como as do ministro Orlando Silva, mais um do governo Dilma enrolado em extensa e interminável teia de desvios e roubalheiras.
Segundo esse amigo, o problema do corrupto, do homem fraco e ganancioso é "o carro preto". O sujeito não pode ver um carro preto, com motorista abrindo a porta, que logo se acha no direito de fazer e desfazer. Até passar cheque administrativo no valor de R$ 400 mil para a compra de um terreno (aos 45 do Segundo Tempo) se torna pequena compensação por serviços prestados à sociedade. O problema é que o indivíduo investido no poder pensa que está fazendo favor à população. O povo é que deve a ele, ora, ora. Suas horas de trabalho, no fim das contas, serão então muito bem recompensadas. Da mesma maneira agem representantes dos poderes Legislativo e Judiciário. Acreditam que uma fraudezinha aqui, outra ali, não representa nada diante do esforço que fazem pelo bem do povo. Ora, o povo! Como diria certo personagem da tevê: "Eu quero é me dar bem!".
Lá se vai então o sexto ministro do governo Dilma. Talvez, enquanto meus seis leitores leem estas maltraçadas linhas, o ministro Orlando Silva já tenha se despedido, indignado, das falanges do poder.
Adeus, Esplanada. Vou cuidar agora do meu sítio lá em Campinas. Afinal, tudo o que acontece de torto e de ruim neste país não passa de presunção.
Presumidamente, os ministros de Dilma são corruptos, até que provem o contrário e o carro preto desapareça de suas casas e das portarias ministeriais.