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Categoria: Luta armada
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 Pres do Paraguai Fernando Lugo pressionado
 pelo Congresso para controlar o EPP .
Folha de S. Paulo - 08/10/2011
De Buenos Aires
Contrariando o governo de Fernando Lugo, o Congresso do Paraguai declarou anteontem estado de exceção em dois departamentos no norte do país.
A decisão suspende algumas garantias constitucionais, como o direito de reunião, e permite que as Forças Armadas atuem em parceria com a polícia para controlar a violência na área, onde atua o grupo revolucionário EPP (Exército do Povo Paraguaio).
Caso não atue contra o EPP, o governo poderá ser julgado politicamente pelo Congresso, avisou a oposição.
A medida vai vigorar nos departamento de San Pedro e Concepción, este na fronteira com o Brasil.
Na semana passada, o grupo revolucionário matou dois policiais na região, onde a pobreza convive com fazendas de gado e plantações de maconha.
 
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Pátria Livre
O Globo - 08/10/2011 
 
      Ancelmo Gois , estudou na União
      Soviética , como filiado ao PCB

Ancelmo Gois
O grupo guerrilheiro Exército do Povo Paraguaio se diz “braço armado” do Partido Pátria Livre, mesmo nome da legenda recém-criada no Brasil.
Mas o Pátria Livre brasileiro é mansinho, não morde. Nasceu no MR-8, mas acabou no PMDB do finado Orestes Quércia.
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Observação do site 
    www.averdadesufocada.com
Ancelmo Gois deve desconhecer o histórico do MR-8 para achar que o Partido Pária Livre brasileiro "é mansinho". muitos de seus membros, segundo informou a imprensa, foram membros do Movimento Revolucionário - 8 de outubro - MR-8.
Para que o leitor faça uma idéia do que foi o MR-8, transcrevo abaixo um pequeno histórico da  organização
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Moreln - DI/GB - MR-8
A organização terrorista responsável pelo assassinato do major Martinez foi o MR-8, que surgiu das divergências do PCB. Esse grupo, formado na organização de base da Universidade Federal Fluminense, ficou conhecido inicialmente como Dissidência Niterói (DI/Niterói). A nova facção, radical e militarista, tinha o foquismo cubano como modelo.
Em novembro de 1966, a DI/Niterói rompeu com o PCB e criou o Movimento Revolucionário de Libertação Nacional (MORELN), cujos principais líderes eram estudantes da Universidade Federal Fluminense.
Em homenagem a Che Guevara, morto na Bolívia em 8 de outubro de 1967, o MORELN aprovou a mudança de seu nome para Movimento Revolucionário 8 de Outubro. Começava assim o primeiro MR-8.
No início de 1969, o MR-8 possuía um “comando de expropriação” que, após vários roubos de carros, realizou os seguintes assaltos:
- Depósito do Projeto Rondon, na Universidade do Estado da Guanabara, de onde levaram grande quantidade de material para ser usado no campo;
- Banco Lar Brasileiro, Agência Ipanema, Rio de Janeiro; e
- Banco Aliança, Agência Abolição, Rio de Janeiro.
Os planos para assaltos eram muitos, mas tornaram-se desnecessários, pois Jorge Medeiros Valle, o “Bom Burguês”, destinou ao MR-8 quatrocentos mil cruzeiros novos, desviados do Banco do Brasil, proporcionando à organização excelente situação financeira.
Com esse dinheiro pretendiam comprar uma fazenda nas proximidades das cidades de Mafra, Lages, Curitibanos e Rio do Sul, para iniciar o treinamento da guerrilha rural. No entanto, uma série de prisões desbaratou o primeiro MR-8. Os militantes remanescentes refugiaram-se em outras organizações, como o COLINA, a VPR e a ALN.
Um dos seus líderes, Reinaldo Silveira Pimenta, no dia 27/06/1969, ao ter seu “aparelho” descoberto e receber voz de prisão, morreu ao se jogar do 5º andar, do apartamento 510, da Rua Bolívar 124, em Copacabana, Rio de Janeiro.
Esse foi o fim do primeiro MR-8. Alguns meses depois, em setembro de 1969, durante o seqüestro do embaixador americano, a Dissidência da Guanabara (DI/GB) assumiria a denominação de MR-8.
Dissidência Guanabara - MR-8
Em janeiro de 1969, a Dissidência da Guanabara comprou armas no interior da Bahia e iniciou treinamento de tiro numa fazenda próxima a Jequié. Em abril realizou a III Conferência, quando foram tomadas decisões para melhor estruturar a luta armada: profissionalizar “quadros”,  montar “aparelhos” e eleger uma direção geral (Daniel Aarão Reis, Franklin de Souza Martins e José Roberto Spiegner).
Após a conferência, intensificaram as ações e praticaram 8 assaltos a bancos;
11 assaltos a supermercados;
10 assaltos a casas comerciais diversas;
 6 assaltos a carros transportadores de valores; 2 assaltos a residências;
o primeiro seqüestro de um diplomata;
o primeiro seqüestro de um avião comercial, no Brasil;
3 ataques a sentinelas de unidades militares, com furtos de armas;
3 assaltos a garagens, de onde roubaram mais de 20 carros e inúmeras placas.
Entre suas ações destacam-se as seguintes:
- 04/09/1969 - Sequestro do embaixador Americano Charles Burke Elbrick
- 08/10/1969 - Elmar Soares de Oliveira, Cláudio Augusto de Alencar Cunha, Ronaldo Fonseca Rocha e Edgar Fonseca Fialho seqüestraram um Caravelle da Cruzeiro do Sul, quando voava de Belém para Manaus, e o levaram para Cuba.
- 13/09/1970 - assalto à Churrascaria Rincão Gaúcho, na Tijuca, Rio de Janeiro. Irritados com os dizeres “Ninguém Segura o Brasil”,colado num painel de vidro, o explodiram com uma bomba e deixaram outra,felizmente, desativada pela polícia. Participaram da ação: Sônia Lafoz, Solange Lourenço Gomes, Maria da Glória Araújo Ferreira, Roberto Chagas da Silva, Cid Queiroz Benjamin, Nelson Rodrigues Filho e João Lopes Salgado.
- 20/11/1970, assalto ao Banco Nacional de Minas Gerais, Agência Ramos, Rio de Janeiro. Participaram da ação: Mário Prata, Marilena Villas-Boas Pinto e Stuart Angel. O assalto terminou em intenso tiroteio, sendo feridos dois guardas e um transeunte, além de Stuart Angel que, mesmo baleado no joelho, conseguiu fugir.

- 13/03/1971 - assalto às Casas da Banha, na Tijuca, Rio de Janeiro, onde imobilizaram, com metralhadoras e coquetéis molotov, 100 pessoas que faziam compras. Na rua, dois terroristas, usando fardas roubadas,manobravam o trânsito para facilitar a fuga. Participaram, entre outros, Carmen Jacomini, Stuart Angel e Mário Prata.
- 04/04/1971- assassinato do major José Júlio Toja Martinez Filho
- 22/11/1971 - os militantes Sérgio Landulfo Furtado, Norma Sá Pereira, Nelson Rodrigues Filho, Paulo Roberto Jabour, Thimothy William Watkin Ross e Paulo Costa Ribeiro, todos do MR-8, “em frente” com a VAR-Palmares, assaltaram um carro forte da firma Transport, na Estrada do Portela, em Madureira, Rio de Janeiro. Na ocasião, morreu o tenente da reserva do Exército José do Amaral Villela e ficaram feridos os guardas Sérgio da Silva Taranto, Emílio Pereira e Adilson Caetano da Silva, que faziam a segurança do carro-forte.
 Depois do longo e traumático seqüestro do embaixador suíço, Carlos Lamarca e sua companheira, Iara Iavelberg, saíram da VPR e passaram a engrossar as fileiras do MR-8.
No ano de 1971, o MR-8 privilegiou o Comando Regional da Bahia, já estruturado em Salvador e Feira de Santana. O trabalho de campo na Bahia era desenvolvido na região de Cangula, em Alagoinhas, e entre os municípios de Brotas de Macaúbas e Ibotirama. Carlos Lamarca, enviado para a região, acabou sendo morto num enfrentamento com o DOI/ CODI/6ª Região Militar.
Com a prisão de vários militantes e a morte de Lamarca, a desarticulação do Comitê Regional da Bahia e o desmantelamento do “trabalho de campo”, o MR-8 voltou sua ação para São Paulo. Na realidade, a estrutura brasileira da organização estava esfacelada. Muitos presos, alguns mortos e outros refugiados no exterior. Nessa ocasião, o MR-8 contava, apenas, com pouco mais de 15 militantes para realizar suas atividades, passando a atuar “em frente” com outras organizações. Em contrapartida, crescia o grupo do MR-8 no exterior, - com os militantes que fugiram para o Chile, além da adesão de membros de outras organizações.
As palavras de ordem do MR-8 passaram a ser ditadas do Chile. As divergências eram evidentes e havia uma divisão clara entre “militaristas” -que defendiam o imediatismo revolucionário - e “massistas” que, primeiro,queriam preparar melhor as massas. Em novembro de 1972, em Santiago do Chile, a organização convocou uma assembléia-geral, com o comparecimento de seus principais militantes, onde se oficializou o “racha”.
Em dezembro, durante três dias, os “massistas” realizaram reuniões preparatórias para a assembléia que fariam ainda nesse mês, a qual foi denominada Pleno.
Após o Pleno, a organização desenvolveu suas novas atividades com adireção geral dividida em duas seções: a do exterior, com Carlos Alberto Vieira Muniz, João Lopes Salgado, Nelson Chaves dos Santos e João Luiz Silva Ferreira; e a do interior, no Brasil, com Franklin de Souza Martins e Sérgio Rubens de Araújo Torres.
Em fevereiro de 1973, Franklin retornou ao Brasil, instalando-se em São Paulo e estruturando um Comitê Regional, dirigido por José Roberto Monteiro e Albino Wakahara, que passou a imprimir o jornal O Manifesto.
A queda do presidente Salvador Allende, em 11 de setembro de 1973,dificultou os planos iniciais da organização, com seus militantes fugindo do Chile e se reagrupando em Paris.
Fonte: A Verdade Sufocada - A história que a esquerda nãio quer que o Brasil conheça - 7ª edição
Carlos Alberto Brilhante Ustra