O verdadeiro soldado,
 de ontem ou de hoje,
sempre em defesa da
Pátria 
Por José Geraldo Pimentel - 20/09/2011 
http://www.jgpimentel.com.br
Às vezes eu me pergunto o que é o sentimento de bravura. É uma forma de desprendimento, de força interior para enfrentar as dificuldades; ou a se trata apenas de teimosia? Corajoso eu sei que não sou; dou-me por desprendimento, não volto atrás quando enfrento a dificuldade. Sou um bocado de teimoso!
Dentro deste tipo de comportamento não me surpreendo quando vejo que entrei numa briga por coisas que aparentemente não me dizem respeito. Enfrento o problema como se fizesse parte de minhas preocupações.
Alguns problemas fazem parte da minha vida. Ou do meu ciclo de convivência, como agora com a criação desse instrumento de vingança, cujo nome fantasia é Comissão Nacional da Verdade. Um instrumento jurídico que vai fazer com que muitas pessoas destilem o seu fel, levando às barras dos tribunais dezenas de pessoas próximas de mim. Meus companheiros de caserna.
Muitos aprendi a respeitar conhecendo-lhes os nomes através do noticiário da imprensa. Sabia de sua ação, realidade que transformou um país, tirando-o de uma corrida louca em direção ao abismo. Foram homens que lutaram, que se feriram, que ficaram com seqüelas, quando não morreram. Ao lado deles, sem ao menos saber o que estava acontecendo, muitos também foram vítimas desse processo. Pagaram pelo que desconheciam e não fizeram.
O resultado é que a conta sobrou para muita gente. De uma maneira ou de outra vem mexendo nos bolsos de todos nós brasileiros. Que trabalhamos, pagamos Imposto de Renda. Quem criou esta situação extrema, deu-se bem, porquanto, houve uma inversão de valores. O prêmio está sendo entregue ao derrotado.
Premia-se o delinqüente, que sem investir um centavo, transforma-se em um novo rico. A riqueza caiu do céu para ele, que o cobri de felicidade, empobrecendo outros que lhes mantém dentro de uma riqueza imerecida. A partilha desse bem dentro do grupo, não é equitativa. Uns são mais aquinhoados, embora outros tenham participado da parte mais difícil da contenda. A classe social os diferenciam, mesmo quando a luta foi travada em nome do social.
Na contenda os que perderam o caminho da busca de sonhos irreais, que nunca foram verdadeiramente seus, saíram-se melhores. Os que lutaram por sonhos verdadeiros, que ganharam a contenda, não gozam deste privilégio. Sobraram-lhes migalhas, ou a derrota de terem vencido a batalha e não serem reconhecidos.
Eu entro nessa briga defendendo quem não é defendido. Brigo, talvez, sozinho, pois não vejo as pessoas que de direito terem a obrigação de defende-los; simplesmente abandonarem o barco e os deixarem à deriva.
Esses vencedores derrotados, serão levados ao cadafalso, e ninguém os olharão com piedade. Virarão as costas.
Que sofram os pecados do mundo. Que paguem pela ousadia de serem soldados e terem cumprido com os seus deveres.
Os nossos heróis não só sofreram com as dores da batalha, quanto estão morrendo por dentro, por se encontrarem sozinhos neste momento. Seus corações sangram o abandono. O esquecimento dos amigos os esmagam.
Para que lutaram, afinal, se hoje ninguém lhes dão valor? Se são esquecidos. Se não encontram abrigo e quem os defendam. Amenizam-lhes a dor só o sentimento do dever cumprido!
Vocês que amanhã estarão sendo convocados para depor em uma comissão da desforra, não se intimidem. Caminhem de cabeças erguidas. Quando todos estiverem olhando-os, desprezando-os; vocês serão os únicos vencedores! Suas forças não se dobrarão com o esquecimento de seus companheiros. Nem com a vindita de seus algozes. Vocês são muito maiores do que todos eles!
Peço data vênia para dizer-lhes que não serei eu quem os esquecerá. Admiro-os, ainda que ao meu modo. Dei o meu grito. Faço-os conscientes, de que, se ninguém mais se lembrar de seus feitos, eu os estarei reverenciando. A desonra não os alcançará. Vocês são maiores do que quantos lhes viraram as costas!
Não esqueçam: nunca se deixa um trabalho a fazer pela metade. Se não foi concluído, que o terminem!
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