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Categoria: Diversos
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 Por ELIANE CANTANHÊDE

Depois dos cubanos, o italiano BRASÍLIA - Já que estamos falando de julgamento de mensaleiros e de deportação vapt-vupt de dois boxeadores cubanos, é bom ir se preparando para a decisão do Supremo Tribunal Federal sobre a extradição do italiano Cesare Battisti. A expectativa do governo da Itália é que ele seja extraditado, alegando que é um criminoso comum que matou quatro pessoas, foi condenado à prisão perpétua em 1993, fugiu e estava foragido no Brasil até ser preso em março passado. 

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Para parte do governo e dos meios políticos e jurídicos do Brasil, porém, Battisti é um condenado político que era muito jovem quando militava no pequeno PAC (Proletários Armados pelo Comunismo) e praticou seus crimes -como, aliás, alguns dos líderes hoje no poder. Há uma pressão a favor da extradição e outra contra -que é maior.


O relator no Supremo é Celso de Mello, tido como o ministro mais técnico e um dos mais liberais. Próximos a ele apostam que seu voto considerará Battisti preso político com direito a acolhimento no país.
Eu não queria estar na pele dos ministros. O Supremo vai sair de um julgamento estressante para cair num outro com nuances ideológicas e repercussões internacionais. O primeiro-ministro da Itália, Romano Prodi, manifestou "satisfação" pela prisão de Battisti e deixou evidente que o espera de volta, não exatamente de braços abertos.


Battisti, com mais de 50 anos, é agora casado, pai de dois filhos e um pacato escritor de romances policiais. Mas o lado humanitário é o de menos. O que pesa é que o Brasil é um país hoje governado por um partido liderado por ex-presos políticos, mas que acaba de dar de bandeja os dois cubanos para Fidel Castro -e num avião venezuelano.


Todas essas contradições estarão concentradas no plenário da mais alta Corte do país. Espera-se que, desta vez, os ministros não se distraiam fofocando imprudentemente pela internet.