José Gerardo Fontelles foi escolhido ministro interino da Agricultura após queda de Wagner Rossi
Portal Terra - 17/08/2011
O Palácio do Planalto informou na noite desta quarta-feira que o secretário executivo do Ministério da Agricultura, José Gerardo Fonteles, assumirá a pasta interinamente em substituição a Wagner Rossi (PMDB), que entregou no início da noite de hoje seu pedido de demissão à presidente Dilma Rousseff (PT). A pasta vinha sendo alvo de denúncias de corrupção e, na terça-feira, Rossi admitiu ter pego carona no jatinho de uma empresa de agronegócios de Ribeirão Preto (SP), que tem contrato com o governo.
A nomeação de José Gerardo Fonteles como secretário executivo ainda não foi publicada no Diário Oficial da União, mas ele foi designado para o cargo ontem, em substituição a Milton Ortolan, que pediu demissão no início do mês após reportagem da revista Veja afirmar que ele tinha ligações com um lobista que operaria dentro do ministério.
Dilma disse que foi surpreendida com o pedido de demissão do ministro, entregue quando ela retornou ao Palácio do Planalto depois de ter participado do encerramento da Marcha das Margaridas. Dilma recebeu Rossi na presença do vice-presidente, Michel Temer (PMDB), em seu gabinete. Interlocutores no Planalto afirmaram que a presidente chorou ao receber o pedido de demissão.
Dilma divulgou nota dizendo que lamenta "profundamente a saída do ministro Wagner Rossi, que deu importante contribuição ao governo, com projetos de qualidade que fortaleceram a agropecuária brasileira. Agradeço o seu empenho, o seu trabalho e sua dedicação. Lamento ainda que o ministro não tenha contado com o princípio da presunção da inocência diante das denúncias contra ele desferidas."
A queda do ministro da Agricultura
Em decisão que surpreendeu a própria presidente Dilma Rousseff, o ministro da Agricultura, Wagner Rossi (PMDB), pediu demissão no dia 17 de agosto de 2011, após uma série de denúncias contra sua pasta e órgãos ligadas à pasta. Em sua nota de despedida, ele alegou que deixava a pasta a pedido da família e afirmou que todas as acusações são falsas, tendo objetivos políticos como a destituição da aliança de apoio à presidente e ao vice, Michel Temer.
A revista Veja publicou, no final de julho, denúncias do ex-diretor financeiro da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) Oscar Jucá Neto de que um consórcio entre o PMDB e o PTB controlaria o Ministério da Agricultura para arrecadar dinheiro. O denunciante é irmão do senador Romero Jucá, líder do governo no Senado, e foi exonerado após denúncia da própria revista de que teria autorizado o pagamento de R$ 8 milhões a uma empresa-fantasma. Outra reportagem afirmou que um lobista, Júlio Froés, atuaria dentro da pasta preparando editais, analisaria processos de licitação e cuidaria dos interesses de empresas que concorrem a verbas. Segundo a revista, o homem teria ligações com Rossi e com o então secretário-executivo do ministério, Milton Ortolan. Ambos negaram envolvimento, mas Ortolan pediu demissão em 6 agosto. Em seu lugar foi escolhido, no dia 15 de agosto, o assessor especial do ministro José Gerardo Fontelles, que acabou assumindo o lugar do próprio Rossi interinamente.
No dia 16 de agosto, o Correio Braziliense publicou reportagem que afirmava que Rossi e um filho sempre são vistos embarcando em um jato da empresa Ourofino Agronegócios. Conforme a publicação, o faturamento da Ourofino cresceu 81% depois que a empresa foi incluída como fornecedora de vacinas para a campanha contra a febre aftosa. O ministro admitiu que pegou "carona" algumas vezes na aeronave, mas negou favorecimento à empresa e disse que o processo para a companhia produzir o medicamento teve início em 2006, antes de ir para o ministério. Contudo, a Comissão de Ética da Presidência da República anunciou que iria analisar a denúncia. Por fim, no dia em que decidiu pedir demissão, o ex-chefe da comissão de licitação da pasta Israel Leonardo Batista afirmou, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, que Fróes lhe entregou um envelope com dinheiro depois da assinatura de contrato milionário da pasta com uma empresa que o lobista representava. A Polícia Federal instaurou um inquérito para tratar o caso.

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