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Categoria: Corrupção
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 Até fiança é paga com cheque sem fundo
  
  Cheque voador depois de
  tanta propina ?
Juiz leva fé no pastor
 
O Globo - 16/08/2011  
Furtado ganha cinco dias para cobrir cheque sem fundo da fiança
 MACAPÁ. Depois de passar quatro dias preso na semana passada, o pastor Wladimir Furtado, um dos investigados na Operação Voucher, pode voltar à prisão se, até sexta-feira, não cobrir o cheque sem fundo de R$109 mil que deu a título de fiança para deixar o Instituto de Administração Penitenciária do Amapá (Iapen) na madrugada de sábado.
 Ontem pela manhã, o pastor lançou uma campanha em emissoras de rádio e tv para recolher doações de R$100 a R$1.000 de fiéis, amigos e parentes para quitar a dívida. Mas, ao fim do dia, contabilizou apenas R$16,2 mil, bem menos que o estabelecido pelo juiz Mauro Henrique Vieira, da 1ª Vara Federal de Macapá.
No início da noite, o advogado Maurício Pereira levou Furtado à presença do juiz para pedir a redução do valor da fiança ou a substituição do castigo pela proibição do cliente de contratar ou receber recursos públicos até o fim das investigações sobre o desvio de verbas no Ministério do Turismo. Henrique Vieira rejeitou o pedido, mas decidiu ampliar o prazo para a quitação da dívida até sexta-feira. Para o juiz, a fiança implica em responsabilidade. Se o advogado sabia que o cliente não teria recursos para quitar o débito, não poderia ter permitido a assinatura do compromisso.
Dono da Conectur, que recebeu R$2,7 milhões do ministério para fazer estudos sobre o turismo no Amapá, Furtado pagou a fiança com um cheque de R$109 mil assinado pela mulher, e começou a campanha para arrecadar dinheiro pela manhã.
- Pode guardar os comprovantes de depósito. Depois devolvo - prometeu.
O Ministério Público Federal pediu o bloqueio dos bens do secretário-executivo do Ministério do Turismo, Frederico Silva da Costa, e de 17 servidores e empresários acusados de fraude com verbas do ministério do Turismo, no Amapá. Para o MP, a medida é importante para ressarcir os cofres públicos. O grupo é acusado de desviar R$4 milhões em um dos convênios entre o ministério e o Ibrasi.