PF cumpre mandados de prisão no Ministério do Turismo

Francisco Leali (Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.)
BRASÍLIA - A Polícia Federal realiza na manhã desta terça-feira operação para prender integrantes de uma quadrilha acusada de desviar recursos destinados ao Ministério do Turismo a partir de emendas parlamentares. Pelo menos 38 pessoas foram presas. O secretário-executivo da Pasta, Frederico Silva da Costa, é um dos presos.

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No mês passado, reportagem de O GLOBO denunciou que o secretário-executivo era um dos responsáveis pela contratação do Instituto Brasileiro de
 
  Em causa própria? Frederico Costa enviou verbas 
  para a construção de rodovia que facilitou acesso
  ao resort no interiorior de Goíás  de propriedade
  de sua família
Hospedagem (IBH) , uma ONG dirigida pelo empresário César Gonçalves, afastado da Brasiliatur - estatal que coordena ações do turismo do governo do Distrito Federal - há três anos. O valor repassado à entidade chegou a R$ 52 milhões.
Segundo a PF, foram expedidos dez mandados de prisão preventiva e dez de prisão temporária. Segundo a Globonews, empresários e funcionários da ONG também foram presos. Cerca de 200 policiais participam da operação, que cumpriu mandados de prisão também no Amapá e em São Paulo.
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A ficha suja do executivo do Turismo
Época
O homem nomeado para ser o segundo do Ministério do Turismo liberou dinheiro para obra que favoreceu empresa da família e está com os bens bloqueados pela Justiça por suspeita de desvio de dinheiro público
Andrei Meireles e Marcelo Rocha. Com Murilo Ramos 
O Ministério do Turismo foi criado em 2003 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para acomodar o aliado PTB em seu governo. Nasceu com um orçamento de R$ 377,7 milhões, acanhado para os padrões da Esplanada. A pasta cresceu em tamanho e prestígio durante os dois mandatos de Lula. Chegou a 2010 com uma verba de cerca de R$ 7 bilhões para administrar. Ficou rico e passou a ser cobiçado pelos partidos que compõem a base de sustentação de Lula e, agora, da presidenta Dilma Rousseff. Com a perspectiva de realização no Brasil da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas em 2016, o ministério ganhou ainda mais destaque no mapa do poder. Parte significativa dos recursos para organizar as duas competições vai passar por ali. O novo protagonismo do Ministério do Turismo ficou manchado com a revelação de que verbas de convênios firmados pela pasta para patrocinar festas e eventos eram desviadas. O escândalo envolveu dezenas de parlamentares no momento em que o Congresso discutia o Orçamento da União para 2011. O senador Gim Argello (PTB-DF) renunciou à relatoria do Orçamento depois da descoberta de que destinou verbas para empresas de fachada.
Com esse histórico de problemas recentes, esperava-se que a presidenta Dilma Rousseff tomasse providências para moralizar a gestão do Ministério do Turismo. Não foi bem o que ocorreu. Antes mesmo de assumir o comando da pasta, o deputado Pedro Novais (PMDB-MA), de 80 anos, protagonizou outro escândalo. Novais apresentou uma conta à Câmara em que pediu ressarcimento de despesas com uma suíte de motel em São Luís, no Maranhão, onde teria ocorrido uma festa com 15 casais. Apesar do constrangimento, Novais conseguiu ser confirmado como ministro por causa dos apoios do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e do deputado Henrique Eduardo Alves (RN), o líder do PMDB na Câmara.

 
 

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