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Categoria: Forças Armadas
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     "SE ALGUÉM REAGIR, VAI TER RESPOSTA." 
 (Nelson Jobim no lançamento do livro Direito à
 memória  e à verdade, no Palácio do Planalto,
 em 2007)
No meio militar, saída é bem-vinda, mas sucessão preocupa
Por Tânia Monteiro - O Globo - 05/08/2011 
Militares costumam dizer que um general da reserva manda menos do que o cabo encarregado do refeitório. A frase retrata a decomposição do poder de um alto coturno quando perde voz de comando.
Celebrado pelos militares pela capacidade de interlocução com o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Nelson Jobim foi para a "reserva" no governo Dilma Rousseff.
Deixou de ser ouvido pelo Palácio do Planalto, e ultimamente até nas demandas orçamentárias.
Sem poder de persuasão, deixou de representar a tropa, que começou a procurar interlocução diretamente com o Ministério do Planejamento para tratar de dinheiro.
Patente. Além da falta de prestígio, Jobim, por protagonizar polêmicas, expôs a pasta a uma agenda negativa. "Ele perdeu o apreço dos militares por suas atitudes", comentou um "quatro estrelas", oficial general de posto mais elevado, ao citar as declarações recentes de Jobim.
A identidade do novo ministro, porém, causava apreensão na caserna. Há resistência a um quadro que venha de outra carreira de Estado, como é o caso do escolhido de Dilma: o ex-chanceler Celso Amorim. Militares, fora o ego ferido, veem nisso um sinal de desprestígio da pasta.
Cogitado inicialmente, o nome do vice-presidente Michel Temer era vista só como solução temporária. A avaliação é de que a Defesa seria uma atividade secundária de Temer, assim como ocorreu no período de José Alencar. Já Mangabeira Unger era um nome apreciado pelo nacionalismo, embora a proximidade com os Estados Unidos, onde é professor em Harvard, assustasse alguns setores.
No cenário ontem estabelecido pelos militares, a escolha de um quadro como o ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), Moreira Franco, seria ideal. Carregaria para a pasta a peso político do PMDB, mas, por seu perfil, deixaria a máquina nas mãos dos militares, que "reconquistariam" o ministério.