A polêmica 'turma de Mogi' que Valdemar levou para os Transportes
Por Sergio Roxo e Tatiana Farah - O Globo - 31/07/2011
 
Fred sofreu "impeachment" em clube de futebol por vender refletores sem permissão
SÃO PAULO. Além de colocar a "turma" de Mogi das Cruzes no Ministério dos Transportes, o deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP) emplacou obras para a cidade, seu reduto eleitoral, que escaparam da chamada faxina promovida pela presidente Dilma Rousseff. Há dois meses, foi anunciada a assinatura de um contrato de R$48,4 milhões para a construção de dois viadutos no município.
Por trás das negociações, estava um dos mais polêmicos integrantes do grupo de Valdemar: Frederico Dias Costa, que falava em nome do governo e despachava no ministério, sem ter um cargo público.
Fred, como é conhecido, sofreu impeachment em 2005, quando presidia o União Futebol Clube, principal time de Mogi, por vender, supostamente sem aval dos conselheiros, os refletores do antigo estádio da equipe:
- Ninguém sabe do dinheiro. Foi colocado em votação, e 15 dos 30 conselheiros aprovaram o impeachment- disse o presidente do conselho, Alexandre Emilio Ribeiro.
Boletim de ocorrência de apropriação indébita de 18 refletores, avaliados em R$80 mil, foi registrado na delegacia de polícia.
- Depois disso, o Fred sumiu da cidade. Foi para Brasília - conta Ribeiro.
Vice-presidente do clube na época, Renato de Moraes defendeu Fred, mas não entrou em detalhes sobre o episódio dos refletores. Disse apenas que Fred "bancou o time com dinheiro do próprio bolso".
O episódio não foi suficiente para barrar a ida de Fred para o Dnit. Em dezembro de 2005, foi contratado por uma empresa terceirizada para trabalhar no governo, segundo o Dnit, que informou que Fred foi demitido no último dia 14, sem explicar qual terceirizada o contratou.
Na cidade, Fred despachava como autoridade federal. Algumas obras defendidas por ele e Valdemar estão sob suspeição, como o lobby feito pela dupla para a contratação de uma empreiteira em Barretos, cidade que lhe concedeu, em 2009, o título de cidadão honorário, a pedido de um vereador do PR. Fred não foi localizado pelo GLOBO. Valdemar está viajando, mas no início de julho negou ter cometido erros.
No caso dos viadutos de Mogi das Cruzes, o governo empenhou R$5 milhões, mas o Dnit informou que a construção só começará depois da licitação que escolherá a empresa que fará a fiscalização.
Em Mogi das Cruzes, a 51 quilômetros de São Paulo, Valdemar apresenta-se como responsável pelos viadutos. Quer melhorar seu desempenho eleitoral na cidade, onde já teve 40 mil votos. Mas, com o escândalo do mensalão, teve esse desempenho reduzido à metade.
A turma de Mogi tem mais três integrantes: Nilo Moriconi Garcia, ouvidor da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTP), e o casal Eduardo Lopes e Ana Fátima Feliciano Lopes, assessores do ministério. Eduardo foi contratado poucos meses antes de sua mulher, em 2008. Segundo o Ministério dos Transportes, ele se demitiu este mês por conta do nepotismo. Mas o decreto que proíbe a contratação de parentes de assessores vigora desde 2010.
Moriconi admite ter sido indicado para o posto que ocupa desde 2005 por Valdemar. Embora tenha colocado o cargo à disposição, a agência não aceitou sua saída. Filho de uma família tradicional de Mogi, vive no condomínio mais luxuoso da cidade, o Residencial Real Park Mogi. O contrato de compra do lote do imóvel por R$33.992 foi registrado em cartório em 13 de abril de 2009. Corretores dizem que um lote no local custa, em média, R$400 mil e as casas são vendidas por, pelo menos, R$1 milhão. Ele alega ter comprado o imóvel em 2003, mas não fez o registro na época. Diz que só tem averbação do terreno.
- Adquiri a minha casa em 2003, com esforço pessoal. Meu Imposto de Renda está à disposição.
 
 

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