Mulher de novo coordenador do Dnit representa empresas
Por Fábio Fabrini - Roberto Maltchik -  O Globo - 29/07/2011
Promovido a coordenador-geral de Operações Rodoviárias do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) em meio à crise, Marcelino Augusto Rosa comanda serviços milionários do órgão com empresas cuja representante é sua mulher, Sônia Lado Duarte Rosa. .
De um lado do balcão, o servidor, que responde a processo disciplinar da Controladoria Geral da União (CGU) por suposto favorecimento de empreiteiras, tem ascendência sobre contratos de sua área. De outro, é ela quem leva e traz documentos e pleitos de algumas das contratadas à sede da autarquia em Brasília
Sônia Duarte é procuradora de oito empresas, a maioria responsável pela sinalização de rodovias. Antes de assumir a Coordenação Geral de Operações - no lugar de Luiz Cláudio Varejão, exonerado pela presidente Dilma -, Marcelino já era interino do cargo e coordenava o setor de Segurança e Engenharia de Trânsito, responsável pela sinalização horizontal e vertical, entre outras atribuições. Graças a aditivos, algumas das clientes de Sônia conseguiram dobrar o valor de seus contratos nos últimos anos.
Só a SBS, que se vale dos serviços de Sônia há pelo menos três anos, esticou o valor de seu contrato em 164% (de R$4,3 milhões para R$11,4 milhões), após seis aditivos. A CAP tem dois contratos, um com aumento de 121% (de R$4,1 milhões para R$9,1 milhões) e outro de 86,5% (de R$5,2 milhões para R$9,7 milhões). Já a Sinalmig obteve acréscimos de 112% (de R$5,09 milhões para R$10,6 milhões). Desde 2006, a SBS já recebeu R$9 milhões. Os pagamentos à CAP somaram R$16,3 milhões. No caso da Sinalmig, outros R$8,9 milhões.
Sônia atua no órgão há cerca de 15 anos
Em vez de abrir licitações para ampliar ou dar continuidade aos trabalhos, o Dnit optou por prorrogá-los por meio de aditivos. As três empresas são de Belo Horizonte e também atuam como subcontratadas de empreiteiras que trabalham para o órgão.(...)
Leia íntegra da matéria no jornal O Globo
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Corrupção no Dnit chegou a tal ponto que a Polícia Federal não tem mais condições de investigar as novas denúncias. Já abriu 60 inquéritos e não tem mais pessoal e recursos para disponibilizar.
Carlos Newton - Tribuna da Imprensa - 29/07/2011
Parece brincadeira. Mas a corrupção do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura dos Transportes) é tão ampla e disseminada que a direção da Polícia Federal decidiu não abrir inquéritos específicos para apurar as novas denúncias, por não ter condições de conduzir tamanho número de investigações simultâneas.
A Polícia Federal tem em curso hoje mais de 60 inquéritos abertos para apurar denúncias de desvios de dinheiro público em obras rodoviárias controladas pelo Dnit. As investigações estão centradas em dirigentes estaduais, mas algumas delas poderão atingir ex-diretores nacionais, afastados dos cargos nas últimas semanas por ordem da presidente Dilma Rousseff, e políticos com foro privilegiado.
A série de denúncias já resultou na queda do ex-ministro Alfredo Nascimento e de mais 19 dirigentes do setor. O pedido de abertura de novos inquéritos foi feito à Procuradoria-Geral da República e ao Ministério da Justiça por parlamentares da oposição. Para eles, não basta a demissão dos envolvidos, e a polícia tem de investigar a fundo todas as acusações.
Mas a Polícia Federal não tem mais equipes nem recursos para disponibilizar. E justifica a suspensão de novas investigações, argumentando que todas as acusações publicadas ao longo da crise no Ministério dos Transportes já estão sendo apuradas nos inquéritos em curso em praticamente todas as superintendências. Não há dúvida, é uma maneira educada, sutil e eficiente de a Polícia Fereal declarar que não tem condições de abrir mais inqueritos
 

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