Modulos de aço terceirizados - dinheiro fácil
Brasil - Revista Veja - 25/07/2011

Como se não bastasse contratar uma empresa de fachada, o Rio ainda exporta a maracutaia para os "hermanos"
Logo na entrada do Complexo do Alemão, área-símbolo da política de retomada de territórios dominados pelo tráfico no Rio de Janeiro, vê-se um conjunto de módulos de aço que abriga 1.700 homens do Exército e uma delegacia de polícia. .
A frente da obra está uma empresa de fachada, a Metalúrgica Valença - a mesma que pôs de pé a mando do governo Unidades de Pronto Atendimento (as UPAs) em todo o estado ao preço de 140 milhões de reais, segundo VEJA revelou na semana passada
 
    O contribuinte paga...Enriquecimento ilícito
    de uns, com os impostos do trabalhador.

As estruturas de lata são a evidência maior de um enrosco que, ainda que o governo de Sérgio Cabral se esforce para encobrir, só piora. O governo tentou despistar sua responsabilidade na contratação da firma de fachada para construir módulos para seu projeto de pacificação de favelas, carro-chefe da atual gestão. Mais do que isso, atribuiu as obras à OGX, petrolífera do bilionário Eike Batista. Tudo mentira. Pois foi o governo do Rio de Janeiro, sim, que bancou os oito galpões fincados no Alemão. Eles custaram aos cofres públicos 21 milhões de reais.
O faro de estar envolvida em obra tão vultosas para o governo estadual credenciou a metalúrgica fantasma a conseguir contratos também com a prefeitura do Rio, com o governo do Distrito Federal e até com o Ministério da Saúde da presidente argentina Cristina Kirchner. A peronista inaugurou o primeiro desses módulos, sob inspiração direta das unidades de saúde fluminenses, no fim de 2010. Na ocasião, constava em posição de destaque, ao lado do ex-craque Diego Maradona, o próprio governador Sérgio Cabra1.
A firma em questão nunca produziu uma chapa de aço sequer - quem constrói de fato os módulos são outras empresas subcontratadas por ela -, mas foi eficiente o bastante para granjear mais de 200 milhões de reais em contratos desde 2009. Todos com governos. Em 2010, seu faturamento chegou a 100 milhões de reais - o quíntuplo do ano anterior. Vitaminada por um empréstimo inicial de 4 milhões de reais e isenções fiscais de 45 milhões, ambos concedidos pelo governo Cabral, a metalúrgica tem como endereço um terreno no município de Valença, a 200 quilômetros da capital. Até hoje, ali não há muito mais do que mato e um galpão desocupado.
Instado a explicar a prolífica expansão de seus negócios, o dono da empresa. Ronald Carvalho - amigo de décadas do vice-governador fluminense. Luiz Fernando Pezão -, limita-se a dizer: "Eles vêm aqui e gostam do trabalho. Eu vou lá e faço". Na semana passada. fiscais da própria secretaria estadual de Fazenda analisavam os documentos da empresa em Valença. Sob suspeita de sonegação, a firma terá sua cadeia de fornecedores, contratantes e pagamentos investigada. Está aí mais uma razão para Cabral se preocupar.
 

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