Igor Gielow - Folha de S. Paulo - 25/07/2011
O pessoal que vende a imagem de Dilma Rousseff está feliz da vida. Parece ter colado, e há muitas pesquisas qualitativas indicando o caminho, a noção de que está sendo feita uma "faxina" no Ministério dos Transportes.
A metáfora doméstica, assim como entrevistas fofas para celebrar a boa fase, nada tem de casual. Ao mesmo tempo em que a fama de durona é reafirmada, uma Dilma "gente" aparece. Uma mulher que assiste novela e curte o Chico -algo assim demasiadamente humano, como o mau gosto.

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O fato de que Dilma é governo desde 2003 é gostosamente esquecido, e o clima estimula o riso fácil. Há espaço até para tiradas engraçadinhas, como quando o ministro Paulo Bernardo (Comunicações) disse ser um "bagrinho" que só acompanhava o noticiário do escândalo à distância.
Bem, se o ministro leu a Folha ontem, viu reportagem mostrando que uma lobista do Paraná atrai dinheiro público para a Prefeitura de Maringá. Inclusive uma obra do Dnit, daquelas bem suspeitas.
Detalhe: a lobista é amigona de Bernardo e de sua mulher, a ministra Gleisi Hoffmann (Casa Civil). Dada a modernidades, ela até "tuitou" relatos de sua intimidade com o casal 20 da Esplanada.
A reação do ministro ao ser perguntado sobre a proximidade dos três foi típica, de um refinamento republicano exemplar: "Não é da sua conta". Tsc, tsc. Ainda que ambos os ministros neguem desvios éticos ou influência no sucesso da amiga, é óbvio que as relações de figuras públicas são alvo de escrutínio justificado.
As movimentações paranaenses do casal já haviam sido citadas, em tom de ameaça depois negada, pelo ex-chefe do Dnit. Com o PR domesticado por ora, ficou por isso. A "faxina" está bem calculada, e a pescaria é seletiva. Mas nunca se sabe, sempre pode sobrar um anzol a mais na água.

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