Fernando de Barros e Silva - Folha de São Paulo - 05/07/11
 SÃO PAULO - O PR (Partido da República, hahaha!) concentra o que há de pior na política brasileira.
Não é à toa que esteve no centro do mensalão. Chamava-se, então, PL, que viria se fundir ao Prona em 2006. Também não é à toa que o PL-PR está no comando do Ministério dos Transportes desde o início do governo Lula, de 2003 até hoje.
A pasta está cronicamente associada a escândalos de corrupção. Mas Dilma Rousseff acaba de fazer o que seu antecessor nunca fez.
Diante de reportagem neste final de semana sobre esquema de propinas cobradas de empreiteiras e empresas de consultoria, demitiu liminarmente a cúpula do ministério, sem esperar esclarecimentos.
Caíram o poderoso diretor-geral do Dnit, Luiz Antônio Pagot, o presidente da Valec Engenharia, José Francisco das Neves, e o chefe de gabinete do ministro, Mauro Barbosa Silva, além de um assessor. Sobrou Alfredo Nascimento, a cabeça do ministério pendurada no ar.
Em maio, o governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), também aliado do governo, disse em público que Nascimento era "inepto, incompetente e desonesto". Disse ainda que o Dnit era uma "quadrilha". Ontem, a presidente disse em nota confiar no seu ministro (hahaha!).
Nascimento pode (e deve) até cair, mas o PR já cobra antecipadamente a conta. Diz que foi humilhado por Dilma. O peso do partido está no Congresso: 40 deputados e 5 senadores. É isso o que vale o PR.
O subtexto da chantagem é mais ou menos o seguinte: Dilma (que agiu, neste caso, como manda o figurino republicano) não foi eleita para ser honesta. Ela não está aí para isso. Se Lula, que pairava acima dos partidos e tinha controle sobre sua base, deixava que o Dnit fosse o que é, como é que essa mulher, que não tem o mesmo poder sobre os aliados, quer vir estragar a festa?
A governabilidade tem um preço, literalmente. O caso parece didático para mostrar quanto cobram da República partidos como esse no presidencialismo à brasileira.

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