Min Aloizio Mercadante e Min Ideli Salvatti -
 ligações com os aloprados, segundo a revista
Revista Veja  - O4/07/2011 
Ministros envolvidos no escândalo dos aloprados continuam sem explicar sua participação no caso
Nos últimos anos, a política brasileira tem sido pródiga em produzir histórias fantásticas, cheias de vilões, mas sem nenhum herói. Enfim, isso mudou na semana passada. O ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, foi convidado a ir ao Senado para falar sobre seu envolvimemo como protagonista do escândalo dos aloprados, aquele em que petistas foram pilhados, nas vésperas da eleição de 2006, comprando por 1,7 milhão de reais, em dinheiro vivo, um falso dossiê destinado a enredar o tucano José Serra num esquema de desvio de verbas do Ministério da Saúde.

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VEJA revelou a existência de uma confissão gravada de Expedito Veloso, um dos petistas aloprados,  na qual apontava o ministro como mentor do escândalo e também responsável pela arrecadação de parte do dinheiro apreendido pela polícia.
Peito estufado, dedo em riste, Mercadante fez pose de indignação. Adversário de Serra na disputa pelo governo de São Paulo quando ocorreu a farsa, o ministro disse que a compra do dossiê foi obra de petistas adeptos do vale-tudo eleitoral. Um mal que, segundo ele, infelizmente ainda viceja no partido. "Essa militância acha que é assim que se combate a corrupção, acha que tem uma missão heróica", ensinou. Um dos "heróis" presos pela polícia era exatamente um de seus assessores diretos na camapanha. Os outros eram todos velhos companheiros do partido - mas Mercadante, é claro, não sabia de nada. A contrário, prova de que ele não tinha nada a ver com a história é que, ao explodir o escândalo, ele demitiu sumariamente o assessor. E o que o ministro disse sobre as acusações enfáticas do heroico Expedito Veloso? Nada. E não disse nada porque teme que o colega de partido possa resolver contar mais detalhes da verdadeira história do dossiê, o que não seria bom para ninguém.
Expedito Veloso pode revelar, por exemplo, o que ele foi fazer no gabinete de Mercadante dia antes da prisão dos aloprados, em setembro de 2006, quando se reuniu, entre outros, com a atual ministra Ideli Salvatti, das Relações Institucionais. VEJA publicou na semana passada reportagem que mostra que no encontro foi discutida a melhor forma de divulgar o dossiê sem deixar as impressões digitais do PT. A então senadora Ideli ficou responsável pela tarefa e chegou a procurar jornalistas para oferecer os documentos falsos. Cinco anos depois, afetada por uma crise de amnésia, ela se esqueceu completamente do encontro com Mercadante, Expedito, Osvaldo Bargas e Jorge Lorenzetti, todos do chamado "grupo de inteligência" do partido e diretamente envolvidos na compra do falso dossiê ""Essa reunião nunca existiu" garantiu Ideli a VEJA. Na semana passada, porém, a ministra recobrou parte da memória. Lembrou-se da reunião no gabinete de Mercadante, da presença de um ou outro aloprado, mas garantiu que em nenhum momento nada foi discutido sobre dossiês contra adversários. Assim são os heróis do PT.
 

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