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Categoria: Luta armada
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 "Perfil - José Genuino - Assessor Especial do Ministério da Defesa
Preso no Araguaia, petista participa de questões estratégicas, como a modernização das Forças Armadas
Jailton de Carvalho - O Globo - 03/07/2011
Brasília. Na década de 70, o estudante José Genoino pegou em armas para enfrentar a ditadura militar na guerrilha do Araguaia. Foi preso logo nos primeiros combates e escapou da morte por pouco. Hoje, o ex-guerrilheiro, depois de sobreviver ao dilúvio do mensalão, se tornou um dos principais assessores do ministro da Defesa, Nelson Jobim, e convive com as mais altas patentes militares.

Especialista em assuntos militares, o ex-deputado, de uma sala no gabinete do ministro, planeja e participa de discussões estratégicas, como a modernização das Forças Armadas e o programa nuclear da Marinha.(...)

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OBSERVAÇÂO DO SITE www.AVERDADESUFOCADA.COM
A motivação principal não era a derrubada da ditadura militar. O movimento não era uma resistência democrática. Isto foi um mito criado para atrair os inocentes úteis para a verdadeira  intenção: a luta armada que, planejada muito antes da Contrarrevolução, vinha se radicalizando desde 1961. As organizações que defendiam a luta armada, entre elas o Partido Comunista do Brasil - PCdoB -, organização de José Genoíno, eram revolucionárias e pretendiam implantar uma ditadura marxista-leninista  no país
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  (...) Para o ex-deputado, os sangrentos conflitos do passado são página virada da história. Em entrevista ao GLOBO, Genoino disse que mantém relação de alto nível com a cúpula militar e que o respeito é recíproco. Para ele, as Forças Armadas são uma estrutura fundamental para o país, não importa o norte ideológico do governo.
- Temos uma relação que vai além do formal. Vou à sala deles (comandantes militares), converso, tomo café. Não tem qualquer constrangimento comigo - afirma.
O ex-deputado tem participado ativamente também das negociações para a criação da Comissão da Verdade, um dos temas mais sensíveis do governo neste momento. De um lado, estão familiares de desaparecidos fazendo pressão para a liberação de documentos e investigação sobre tortura e assassinatos de presos políticos durante a ditadura. Do outro lado, militares pressionando contra suposto revanchismo da esquerda. O ex-guerrilheiro não vacila em botar o dedo na ferida.
- Minha posição é de que o projeto deve ser aprovado do jeito que foi mandado para o Congresso. Essa é a posição do ministro Jobim - disse.
Familiares de desaparecidos torcem o nariz para a opinião do ex-guerrilheiro. Eles querem mudança no texto do governo. Genoino entende que os ajustes necessários foram feitos antes de a proposta ser enviada à Câmara e, agora, não há motivos para mexer no texto. As mudanças foram feitas por pressão dos militares.
O ex-deputado chega ao gabinete de Jobim por volta das 9h, de segunda a sexta, e só vai embora quando o ministro encerra o expediente. Partilha o ambiente com colegas fardados. Algumas vezes, viaja país afora com militares para tratar de questões das Forças Armadas.
- Ele é uma pessoa fácil de lidar. Esse contato do Genoino com o Exército é anterior à ida dele para o ministério. O que estou dizendo não é mero discurso. A gente tem que olhar para a frente. Se ele está somando, por que ficar olhando para o passado? - diz o general de quatro estrelas Américo Salvador de Oliveira, comandante de Operações Terrestres, do Exército.
As críticas ao ex-guerrilheiro chegam da esquerda. Na sexta-feira, Iara Xavier, destacada militante do movimento de familiares de mortos e desaparecidos, disse que respeita a opção de Genoino, mas acha que ele está no lugar errado. Para ela, ele deveria perfilar em instâncias mais próximas aos interesses dos parentes de ex-militantes e não numa área de domínio militar.
- Como familiares de desaparecidos, ficamos surpresos (com a presença de Genoino na Defesa). Ele é sobrevivente da guerrilha - disse Iara."