Jornalista  Aristóteles Drummond
Opinião
Aristóteles Drummond - JB ONLINE- 07/06/2011
A insistência com que os derrotados de ontem procuram esconder a verdade histórica sobre os anos vividos desde 64 pelo Brasil merece mais uma contestação. Em primeiro lugar, o combate aos governos autoritários e não ditadura deve ser dividido de forma clara em dois campos distintos e inquestionáveis.
No Congresso Nacional, na imprensa, nas entidades civis, havia os liberais – alguns com tendências de esquerda; outros, não. Foi um grupo de homens públicos de alto nível, como Tancredo Neves, Ulisses Guimarães, Franco Montoro, José Aparecido de Oliveira, J G de Araújo Jorge, José Frejat, Paulo Brossard, Barbosa Lima Sobrinho, Carlos Heitor Coni, Helio Fernandes, Marcos Freire, Fernando Lira e Teotônio Vilela.
Isso para ficarmos nos mais conhecidos, e de diferentes regiões do país. Nas eleições de 66, 70, 74 e 78, estiveram abrigados na legenda do MDB, partido que, em 74, chegou a lançar como candidato de oposição um militar, o general Euler Bentes Monteiro com Ulisses de vice. Em 85, em plena abertura democrática, comandada pelo presidente João Figueiredo, esta oposição chegou ao poder com a chapa Tancredo-Sarney no Colégio Eleitoral.
Em outro campo, velhos militantes comunistas conseguiram captar o idealismo de parte da mocidade e os lançar na aventura da luta armada, que nada tinha de democrática ou liberal. Queriam apenas trocar o regime autoritário dos militares pela ditadura do proletariado. Eram comunistas de diferentes tendências e se dedicaram a ações revolucionárias, como sequestros de diplomatas – embaixadores dos EUA, Suíça e Alemanha – assaltos a bancos, focos de guerrilha em São Paulo, na divisa com o Paraná e, depois, no Araguaia. Praticaram execuções como as do industrial Henning Boilensen e do capitão Chandler, dos EUA, com requintes de violência e covardia. O primeiro ato terrorista visava matar o então candidato a presidente da República, marechal Arthur da Costa e Silva, no aeroporto do Recife, com dois mortos – um almirante e um jornalista – e muitos feridos. Este grupo chegou ao poder com FHC, em parte, depois com Lula e, agora, com a presidente Dilma.
A anistia foi aceita pela sociedade, mas não impede que se marque posição contra o revanchismo, que fere a anistia de mais de 30 anos e faz a ação no campo governamental ir de encontro aos princípios básicos de uma sociedade liberal - mas baseada em sua formação ética e moral nos valores do cristianismo.
Nada contra as opções pessoais, mas tudo contra o estímulo a práticas de foro íntimo e pessoal, que dispensam o patrocínio oficial. Muito menos a abordagem demagógica do uso da língua portuguesa, que acaba de lograr um êxito ao ter sua unificação que a levará a ser idioma oficial da ONU. E isso se deu por necessidade, uma vez que o organismo internacional não sabia qual a versão a ser adotada. Agora querem oficializar uma língua inculta!!!!! Estes, são os mesmos do revanchismo e da mentira histórica.
Outra preocupação da orientação ideológica enterrada em outros países se dá através da permanente perseguição aos homens que estão no agronegócio, especialmente os pequenos e médios, alvos de ações desapropriatórias, desestimulando a produção de alimentos. Desde o desastre da reserva indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, a violência das multas do Ibama a pequenos e médios produtores, que sem anistia não sobreviverão são uma realidade. São temas mais importantes do que a sociedade urbana e o meio empresarial poderiam supor.
Para se entender estes anos, são fundamentais os livros Híbrido Fértil, de Jarbas Passarinho, Sarney - A Biografia, de Regina Echeverria, A Verdade Sufocada, do Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, Combate nas Trevas, de Jacob Gorender, e as obras de Daniel Aarão Reis e de Alfredo Sirkis. Quem se der ao trabalho de lê-los vai saber onde está a verdade. E para compreender o acerto do Relatório Aldo Rebelo basta se lembrar que ele é do PC do B , que demonstra realismo e sensibilidade.
 
 

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