Fernando Rodrigues - Folha de São Paulo - 04/06/11
Quem já assinou um contrato na vida sabe. É possível romper o acordo a qualquer tempo e época. Paga-se uma multa.
Em raras ocasiões, negocia-se uma redução da pena.
O que não existe na natureza é um prêmio para quem rescinde um contrato provocando prejuízo ao contratante.
Por exemplo, um inquilino informa ao locador que sairá do imóvel e em troca ouve o seguinte: ‘Que bom, vou te dar R$ 1 milhão de prêmio como taxa de sucesso’.
Antonio Palocci foi deputado federal e coordenador da campanha de Dilma Rousseff em 2010. Tinha contratos de consultoria com várias empresas.
Nomeado ministro, encerrou seus serviços. Causou um problema. Os clientes estavam felizes e tendo lucro com os bons conselhos recebidos do petista.
Aí operou-se algo inusitado. Em vez de multa, recompensa. Até outubro de 2010, Palocci tinha faturado R$ 10 milhões. Com Dilma eleita para o Planalto e ele nomeado, embolsou mais R$ 10 milhões.
A Folha quis saber se os contratos rompidos tinham multa rescisória. ‘Os termos de seu encerramento foram ajustados com os clientes’, respondeu Palocci.Muito bem. Que termos foram esses? O ministro não responde.
É um direito dele. Assim como os 190 milhões de cidadãos brasileiros têm também o direito de inferir que Antonio Palocci não pagou multa por encerrar antes da hora os serviços prestados a um punhado de empresas. Ao contrário, parece ter recebido uma gorda bolada.
Faz sentido. Qual empresário no planeta Terra ou em Alfa Centauro ousaria cobrar uma multa do futuro ministro-chefe da Casa Civil?
Se tal benemerência não configurar uma relação imprópria, o governo de Dilma Rousseff estará estabelecendo um novo padrão ético e moral na política em Brasília.
Mais detalhes não se sabe. Afinal, como diz Palocci, ‘a confidencialidade é uma praxe em contratos dessa natureza’.
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OS NEGÓCIOS DO MINISTRO
Dilma já discute como será governo sem Palocci
Reações às explicações dadas pelo ministro podem selar seu futuro no governo
Paulo Bernardo, Miriam Belchior e Maria das Graças Foster são
  
  Isso vem de longe . O homem é 
  um criador de crises.
nomes cotados para possível troca-troca na Casa Civil
Por Valdo Cruz - Folha de São Paul0 -04/06/2011
Diante do agravamento da situação do ministro Antonio Palocci (Casa Civil), a presidente Dilma Rousseff passou a analisar não só nomes para substituí-lo como a estudar mudanças no perfil dos titulares do cargos núcleo-duro do Palácio do Planalto.
Segundo a Folha apurou, ela cogita, num cenário de queda de Palocci, trocá-lo por um ministro de perfil "técnico", o que assessores da presidente tratam reservadamente como escalar uma "Dilma da Dilma".
Os nomes citados são o da ministra Miriam Belchior (Planejamento) e de Maria das Graças Foster, diretora da Petrobras. Foster, no início do ano, durante a montagem do governo, constou da lista de ministeriáveis.
O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, também é cotado entre assessores presidenciais como possível substituto de Palocci.
Apesar de considerar o momento delicado e grave, Dilma mantém seu apoio ao ministro, mas avalia que o futuro dele vai depender da repercussão das entrevistas dadas à Folha e à TV Globo.
Caso a repercussão seja negativa e a crise se agrave, Dilma, segundo assessores, espera que Palocci peça demissão, principalmente se a Procuradoria-Geral da República decidir abrir inquérito para investigá-lo.
Na hipótese de Palocci sair e a Casa Civil voltar a ser mais técnica, a presidente também deverá trocar o ministro Luiz Sérgio (Relações Institucionais) por um nome com mais trânsito político.
Nesse caso, o ministro Alexandre Padilha, hoje na Saúde e que já comandou a pasta no governo Lula, é considerado o nome ideal.
Outro cotado é o líder do governo na Câmara, Candido Vaccarezza (PT-SP), abrindo espaço para uma composição interna dentro do PT, em guerra desde o início do ano por conta da disputa pela presidência da Câmara.
Outra hipótese, defendida por aliados, é a presidente entregar a articulação política a outro partido da base que não o PT. A pasta poderia ser entregue ao PMDB, na busca de evitar que o aliado trabalhe contra o governo como ocorreu na votação do Código Florestal na Câmara.
Essa solução esbarra na desconfiança de Dilma em relação aos peemedebistas, mas é considerada a ideal por alguns aliados para comprometer de vez o PMDB com o governo no Congresso.
Segundo assessores, a presidente sente falta de um ministro voltado para o comando do dia-a-dia do governo, papel que ela desempenhou no governo Lula.
Dilma confidenciou a assessores ter ficado surpresa com as informações sobre os negócios de Palocci, reveladas pela Folha há 21 dias -o patrimônio do ministro multiplicou por 20 nos últimos quatro anos por conta de seus trabalhos de consultor.
Em conversa reservadas, diz que foi avisada da existência da empresa de consultoria, mas não da dimensão dos negócios de Palocci, que faturou R$ 20 milhões apenas em 2010, ano da campanha presidencial. Por isso, ela tende a se preservar e evitar defesas enfáticas do ministro da Casa Civil.

 

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