Achille Lollo
Por Gabriel Castro - Revista Veja - 31/05/2011
A história de Achille Lollo, terrorista italiano que queimou dois garotos e, assim como Battisti, veio buscar a impunidade no Brasil
Cesare Battisti, o terrorista italia¬no cujo destino o Supremo Tri¬bunal Federal selará nas próxi¬mas semanas, tem em quem se espelhar. Se ganhar a liberdade, o extre¬mista de esquerda condenado em seu país por participação na morte de quatro pessoas nos anos 1970 poderá seguir tranquilamente os passos de Achille Lollo, compatriota igualmente crimino¬so que encontrou no Brasil amigos fraternos e a oportunidade de uma dolce vita. A história de Lollo é tão ou mais cruel que a de Battisti.
Em 1973, ele tinha 21 anos e integrava o gru¬po radical Potere Ope¬raio quando resolveu aplicar com as pró¬prias mãos o que cha¬mava de "justiça pro¬letária" - código pelo qual os esquerdoides irresponsáveis puniam aqueles que agiam con¬tra seus princípios. Com dois comparsas, ateou fogo no apartamento do varredor de rua Mario Mattei, representante do Movimento Sociale Ita¬liano, de direita, no bairro romano de Primavalle. Lollo despejou 2 litros de gasolina na porta do apartamento de 40 metros quadrados onde Mattei vivia com a família. Bastou um palito de fósforo e, rapidamente, o quarto no qual dois dos filhos do gari dormiam se transformou numa fornalha. Virgílio, de 22 anos, e Stefano, de 8, morreriam carbonizados minutos depois. A foto de Virgílio já des¬figurado à janela, instantes antes do der¬radeiro abraço em Stefano, transformou-se num símbolo da repul¬sa ao terror na Itália.
Condenado em 1986 a dezoito anos de ca¬deia, Lollo. conseguiu fugir e desembarcou alegremente no Rio de Janeiro. Foi capturado sete anos depois, mas, a exemplo do que pode ocorrer com Battisti, o Supre¬mo negou sua extradição. Por aqui, também a exemplo de Battisti, Lollo encontrou guarida no petismo. Teve carteirinha e tudo: ele chegou a se filiar ao PT logo após ganhar liberdade. Mais tarde, achou que o partido estava se mo¬vendo para a direita e ajudou a fundar o PSOL. O crime cruel perpetrado num passado não muito distante não atrapa¬lhou nenhuma das duas alianças - afi¬nal, Lollo agira em nome da "justiça proletária". O terrorista ficou no Brasil até o início deste ano. Com sua pena prescrita também na Itália, voltou para lá. Cinicamente, passou a dizer que, sim, despejou gasolina no apartamento de Mattei, mas não acendeu o palito de fósforo. A passagem pelo Brasil, além de ter servido para que o crime de Pri¬mavalle ficasse impune, ensinou muito. Não poderia haver paraíso melhor!
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