Arquivos dizem que Dilma participou de grupo armado após Lei de Anistia
São Paulo, 1 mai (EFE).- Arquivos do extinto Serviço Nacional de Informações (SNI), órgão de inteligência da ditadura militar brasileira, indicam que a presidente Dilma Rousseff participou de um grupo armado após a promulgação da Lei de Anistia.
Segundo publicou neste domingo o jornal "Folha de S. Paulo", o relatório de 1980 inclui os nomes de Dilma e de seu então marido Carlos Franklin Paixão de Araújo na lista de participantes de uma reunião secreta da Junta de Coordenação Revolucionária (JCR) na cidade de Registro (São Paulo).
O encontro teria ocorrido em novembro de 1979, meses depois da promulgação da Lei de Anistia, e tinha como objetivo coordenar a atuação do grupo junto a várias organizações similares da América Latina.
Segundo o jornal, um resumo do relatório consta de um certificado emitido em 2000 pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin) a pedido da própria Dilma, que o utilizou em um processo de indenização contra o estado de São Paulo pela tortura que sofreu quando foi presa política da ditadura.
A presidente, que na década de 1970 militou nos movimentos de esquerda Comando de Libertação Nacional (Colina) e VAR-Palmares, recebeu uma indenização de R$ 22 mil.
Em uma nota de resposta dirigida ao jornal, a Presidência negou a participação de Dilma na reunião e sua atuação como militante da JCR.
"Temos a informar que a presidenta não participou da referida reunião de Registro (1979) e desconhece a organização citada", declarou o Executivo, que não explicou por que até agora não havia corrigido o resumo do relatório presente no certificado da Abin.
O ex-marido de Dilma qualificou o relatório como "uma barbaridade" e garantiu que nunca visitou a cidade de Registro.
Paixão de Araújo afirmou que o relatório pode ter sido "inventado" como uma estratégia da extrema direita e do governo do então presidente militar João Figueiredo (1979-85).
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