História/ Documentos secretos da Aeronáutica indicam que dissidentes ligados ao militante comunista tiveram , durante os anos de chumbo , treinamento de guerrilha em fazendas próximas à capital
Documentos confidenciais da Aeronáutica revelam que, entre 1967 e 1970, comunistas ligados a Carlos Marighella e à organização Var-Palmares, à qual pertenceu a presidente Dilma Rousseff, atuaram em Brasília e no Entorno. Um dos grupos armados chegou a montar campos de treinamento em Paracatu.
CT de Marighella no Entorno
Documentos secretos da Aeronáutica indicam que dissidentes ligados ao militante comunista tiveram, durante os anos de chumbo, treinamento de guerrilha e de armas em fazendas próximas à capital
Por Edson Luiz - Correio Braziliense - 15/04/2011
Militantes comunistas ligados a Carlos Marighella e a organização guerrilheira Var-Palmares atuaram em Brasília e no Entorno do Distrito Federal entre 1967 e 1970.
Um dos grupos chegou a montar campos de treinamento em Paracatu (MG), onde as autoridades da época encontraram diversas armas. As revelações estão em dois documentos confidenciais do Centro de Informação e Segurança da Aeronáutica (Cisa), abertos esta semana pelo Arquivo Nacional, em Brasília. Os papéis mostram que a intenção dos militantes era infiltrar alguns de seus integrantes em importantes órgãos públicos do DF, onde eles avaliaram que não era necessário o uso de força.
O primeiro documento foi produzido em março de 1969 pelo Serviço Nacional de Informações (SNI) e difundido à Polícia Federal e aos órgãos de inteligência das Forças Armadas. Nele, os militares relatam que a primeira atividade do que eles chamaram de “Ala Marighella” ocorreu em uma fazenda de Formosa (GO), dois anos antes. Foi a eleição da diretoria local do Partido Comunista Brasileiro (PCB). No mesmo período, conforme o relatório, houve treinamento no interior de Minas, na região próxima ao DF. Os exercícios foram realizados respectivamente em Paracatu (MG), promovido pelo comitê central, e em uma chácara provavelmente em Goiás.
“Durante o ano de 1967, o grupo participou de dois exercícios de guerrilhas, com duração de quatro dias, contando com o emprego de metralhadoras INA, rifle, espingarda, pistola Colt .45, Parabelum, carabina e revólveres”, diz um trecho do relatório. O documento acrescenta que os dissidentes também foram treinados para utilizar granadas de mão, explosivos e coquetel Molotov. Uma parte do grupo era de pessoas vindas de São Paulo que estiveram em Formosa, Niquelândia, Posse, São Domingos, Arraias, Monte Alegre e Campos Belos. O texto revela, ainda, que havia a intenção de mandar alguns militantes para treinamento em Cuba.
Infiltrado
O SNI constatou que o grupo ligado a Marighella não tinha intenção de usar a força na capital do país, conforme teria sido decidido por pessoas vindas de São Paulo. “Sugeriu (uma das pessoas) que os elementos locais procurassem se infiltrar nos órgãos importantes do governo”, relata o documento. A descoberta dos planos ocorreu após a infiltração de um agente da PF no grupo. Os nomes de integrantes estão rasurados.
Sobre a Var-Palmares, organização à qual pertenceu Dilma Rousseff, não há detalhes sobre sua atuação em Brasília e Goiás. Um relatório do Centro de Inteligência do Exército revela que, em 30 de abril de 1970, uma pessoa foi presa no Rio de Janeiro, o que desencadeou operações militares no DF e em Goiânia. Cinco pessoas foram detidas e um sexto militante estava sendo procurado. “Em Brasília, interrogado para apurar as atividades subversivas da Var-Palmares, reconheceu seu comprometimento”, ressalta o documento, em referência a um dos presos, provavelmente um padre que atuava em Brasília.
Obserrvação do site www.averdadesufocada.com :
Complementando a reportagem do Correio Braziliense, nós estamos publicando abaixo, na nossa seção Projeto ORVIL, o que conseguimos pesquisar a respeito. Não deixem de ler. É bem mais completa do que os dados apresentados e inclusive, os nomes dos militantes envolvidos não estão com tarja preta - como é norma do Arquivo Nacional.  

 
 

 
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