Irá, Pepe Mujica, contra a vontade 
  do povo uruguaio ,por um voto?
Senado uruguaio aprova fim da Lei da Anistia 
Mudança pode abrir caminho para julgamento de militares e policiais por crimes da ditadura.
ESTADÂO.COM.BR - 13/04/2011
O Senado uruguaio aprovou no fim da noite desta terça-feira um projeto de lei que anula a Lei de Anistia do país. A medida poderá abrir caminho para o julgamento de militares policiais acusados de crimes na ditadura militar, entre 1973 e 1985.
Após mais de 12 horas de debates, a votação terminou quase empatada, com 16 votos a favor da anulação e 15 votos contra.

 
O site Observa, do jornal "El Observador", informou que os senadores aprovaram especificamente quatro artigos da chamada Lei da Caducidad, sob argumento de que "violam a constituição e carecem de valor jurídico".
As mudanças afetam os militares que ainda não respondem a processo judicial, segundo afirmaram parlamentares da base governista e da oposição.
Segundo a imprensa local, o resultado foi comemorado no plenário da Casa.
"Vai ser aberta uma discussão jurídica sobre esta medida a partir de agora", disse o senador da oposição e ex-presidente, Luis Alberto Lacalle.
O senador Rafael Michelini, que apoiou o fim da lei de anistia, afirmou que "hoje é um dia histórico".
O texto deverá ser enviado para a Câmara dos Deputados e a expectativa é que caberá ao presidente José Pepe Mujica* sancionar ou rejeitar a medida do legislativo.
Mujica era guerrilheiro quando foi preso, inclusive em regime de prisão solitária, nos anos da ditadura uruguaia.
Condenação
A votação contou com apoio de grande parte da base governista, mas gerou questionamentos entre alguns parlamentares do bloco.
A chamada Lei de Caducidad entrou em vigor em 1986 e foi submetida a dois plebiscitos populares - em 1989 e em 2009 - que a mantiveram em vigor.
No entanto, mais recentemente a lei tem sido alvo de ataques neste país de pouco mais de três milhões de habitantes.
Mais importante, no fim de março, a Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) condenou o Uruguai em um caso interposto por familiares de duas vítimas da ditadura militar e determinou que o país abrisse os arquivos do período.
Na opinião da Corte, a lei da anistia constituía um "obstáculo ao esclarecimento dos crimes contra a humanidade durante a ditadura".
O caso levado à Corte foi iniciado pela família do escritor argentino Juan Gelman, que localizou a neta, Macarena, nascida nos porões da ditadura. Os pais da menina estão desaparecidos desde então.
Na segunda-feira, um dia antes da votação, militares da reserva e da ativa divulgaram um comunicado assinado por 1.200 deles, anunciando que entrarão com ação contra o Estado nos tribunais internacionais - a Corte Interamericana de Direitos Humanos e a Corte de Haia.
Em sua argumentação, os processos de lesa humanidade são arbitrários e irregulares.
Alguns dos acusados daqueles crimes encontram-se presos, como o ex-presidente do país, Juan Maria Bordaberry, que cumpre prisão domiciliar.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.
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Observação do Site www.averdadesufocada.com.br :
*José Pepe Mujica, ex-guerrilheiro foi ativo militante da luta armada no Uruguai e membro do Movimiento de Liberacion Nacional - Tupamaros, organização subversivo terrorista Foi eleitto presidente em 2009  pela Frente Ampla -coligação de partidos de esquerda.

 
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