Colunista Patrícia Kogut
Por Patrícia Kogut -Coluna Controle Remoto O Globo - 08/04/2011 
O SBT investiu. "Amor e revolução" tem elenco com alguns talentos, direção do experiente Reynaldo Boury e figurinos e cenários que revelam um trabalho de pesquisa. Porém, nada disso se sustenta sem uma boa dramaturgia e os diálogos são inferiores até aos de outros trabalhos do mesmo autor, Tiago Santiago (" Mutantis" e " Caminhos do coração").
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Texto completo e observação da editoria do site www.averdadesufocada.com
Uma bula de remédio, com posologia, indicações de uso e um bom esclarecimento sobre efeitos colaterais, é poesia burilada se comparada ao texto desta novela. Santiago possui a maior coleção de clichês sobre política dos anos de chumbo no Brasil que alguém possa reunir. Com isso, os atores ficam praticamente impedidos de alcançar alguma naturalidade em cena. Limitam-se a declamar panfletos
Santiago empilhou pérolas ditas tanto pelos personagens estudantes quanto pelos militares. Exemplo: "A burguesia tem medo do comunismo, mas a burguesia vai ter que engolir"; "O Jango (João Goulart) está cutucando os militares e os americanos com vara curta"; "O amor cria tudo. A revolução muda tudo"; " Você acha que os americanos podem estar por trás desta conspiração?"; "Não gosto de política, gosto de arte" e a resposta: "Então faz arte para o povo"; "Tem que organizar o povo, não partir para o confronto suicida com os milicos". Por aí vai, o acervo parece ilimitado.
A obsessão por explicar tudo, também. Ao ponto de existir uma cena de tortura em que o personagem de Marcos Breda, amarrado a  uma cadeira, ouviu de seu algoz a seguinte observação:  "Esta é a cadeira do dragão. Agora vou aplicar uma corrente bem forte, de 10 ampéres" . Só faltou dizer:  "Depois não diz que não avisei, hein".
Além de uma ou outra atuação - Lúcia Veríssimo e Licurgo Spínola entre elas -, salvam-se os depoimentos finais. Cheios de emoção verdadeira, alcançam o expectador como esta novela jamais vai conseguir. "Amor e revolução" desperdiçou um bom assunto. Em parte porque o texto do autor deixou muito a desejar. Em parte por apostar que o público seja burro e um tema histórico precisa ser oferecido mastigadinho. Quem viu a excelente  " Anos rebeldes", de Gilberto Braga, sabe que não é nada disso.
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Observação do site  da editoria do site www.averdadesufocada.com
Doutrinação pura.
Está muito cedo para entender o desenrolar da FICÇÂO do autor. Pode ser engano , mas o militar que será o herói da história e,  que passa a lutar contra o regime militar tenha sido baseado na figura  do desertor Carlos Lamarca e a mocinha que ele conheceu na faculdade seja inspirada em sua companheira de luta armada Yara Yalveberg ( história verdadeira, com excessão  do pai de Lamarca, que na realidade era sapateiro). O que pode se notar, até o momento, é que o desenrolar da história e principalmente os depoimentos não seguem uma ordem cronológica. A história, no terceiro capítulo está no dia 02/04/1964  e apresenta um chocante depoimento de 1969.
A parcialidade salta aos olhos. A reação da polícia, a cavalo, os policiais agredindo as pessoas , aparentemente, segundo o autor são por nada. Não se fala em arruaças, em depredaçaõ de órgãos públicos e particulares, em queimas de automóveis particulares e ônibus, Não era contenção de violência. Por muito menos, vimos cenas semelhantes, na atualidade.
As comemorações pela revolução, do povo e da imprensa, não são citadas. Sempre a mesma tecla, a luta desses "estudantes desarmados era para derrubar a ditadura e devolver ao Brasil a Liberdade e a democracia".
Vejam na matéria abaixo o que declara  Daniel Aarão Reis, o que seria um  depoimento insuspeito , se fosse apresentado.
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