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O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, acusou o grupo guerrilheiro Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) de ter assassinado a sangue-frio, na semana passada, 11 deputados seqüestrados havia cinco anos.
Os rebeldes negaram a acusação e afirmaram que os reféns morreram no dia 18 de junho, vítimas de fogo cruzado em um tiroteio ocorrido quando homens armados não identificados atacaram o campo de prisioneiros das Farc onde eles estavam, na região do Valle del Cauca, no oeste do país.




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O grupo sugeriu que o ataque era uma operação de resgate, com a participação de militares e paramilitares.

Segundo as Farc, um 12º político que era mantido em cativeiro junto com o grupo conseguiu sobreviver, porque estava em outro local na hora do ataque.

Uribe disse que não houve qualquer operação militar na região e, em um pronunciamento ao vivo pela televisão, afirmou que as declarações das Farc eram uma manobra para encobrir um "crime contra a humanidade".

"Não havia nenhuma missão de resgate. Eles foram deliberadamente assassinados", disse o presidente colombiano.

"A morte dos seqüestrados, sem baixas entre os guerrilheiros, sem soldados assassinados nem feridos, mostra que não houve fogo cruzado, que os terroristas das Farc querem ocultar o crime contra a humanidade que cometeram", afirmou Uribe.

Acordo

Os 11 deputados eram parte de um grupo mais de 50 políticos e personalidades importantes seqüestrados pelas Farc que o presidente está tentando libertar por meio de troca de prisioneiros.

Uribe já libertou recentemente mais de cem rebeldes das Farc, no que descreveu como "um gesto de boa vontade", em uma tentativa de chegar a um acordo com o grupo.

As Farc, no entanto, afirmaram que a medida do governo é uma farsa e continuam exigindo a desmilitarização de dois municípios para iniciar negociações sobre um acordo.

A morte dos reféns provocou reações de indignação. Em Cali, onde os deputados haviam sido seqüestrados, a mulher de um dos mortos, Fabiola Perdomo, acusou o governo e as Farc de "intransigência" na busca de um acordo.

Os familiares dos mortos pediram que as Farc entreguem os corpos para que possam ser sepultados.

Em Bogotá, houve protestos pacíficos na Praça de Bolívar e em frente ao prédio do Ministério do Interior e da Justiça. Os manifestantes exigiam que o governo e as Farc cheguem a um acordo humanitário que permita a libertação dos 45 reféns que continuam em poder do grupo.
 
     

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