Sem meias palavras- contenção de gastos? 
 Excesso de gastos no governo Lula !...
Correio Braziliense - 22/02/2011 
Franqueza de senadora do PT ajuda mais na batalha das expectativas que a ambiguidade do governo 
Com as expectativas de inflação ganhando massa e já se misturando às projeções de desaceleração do crescimento econômico maior que a lançada nas contas fiscais, o governo da presidente Dilma Rousseff começa a apanhar de todos os lados — de aliados e de desafetos.
Não foi diferente com o início do governo Lula, em 2003, quando a inflação, como agora, ameaçava disparar e ele sustentou a política de juros, associada à época também ao maior controle orçamentário das últimas duas décadas, evitando a debacle econômica vaticinada pelos opositores do PT. Se Lula fraquejasse, estaria liquidado.
O que veio depois é história. Dizer o que ele deveria ter feito e não fez — como a reforma de gestão do Estado, abrindo a porta para a reforma tributária e para menos juros — é engenharia de obra feita.
O fato é que a experiência do duro ajuste promovido em 2003, sem o qual não teria conseguido governar, não lhe serviu para avaliar as consequências dos excessos fiscais entre 2008 e 2010, quando preparava o ambiente para a disputa sucessória e, sobretudo, a sua despedida, legando um conjunto fornido de obras e projetos.
Com sua franqueza rude, a senadora Marta Suplicy (PT-SP) definiu com precisão o descompasso entre as ambições de Lula e os limites do gasto público no quadro de estabilidade da economia, ao dizer, em entrevista ao Valor, que, se Dilma precisa “tomar atitudes mais duras, é porque o gasto foi um pouco além”.
Esse é o princípio que orienta o anunciado corte de R$ 50 bilhões do orçamento de 2011. Inflação é a febre. Foi o descompasso fiscal o que franqueou o organismo econômico a que o choque de preço dos alimentos prosperasse. Um quadro clínico semelhante à maioria dos países, avançados e emergentes, às voltas com a efervescência das commodities em meio a um ambiente de laxismo monetário e fiscal.
Segundo a ex-prefeita de São Paulo, “não existe milagre nem conto de fadas, e não se tapa o sol com a peneira”. Marta diz que “esse gasto não foi dinheiro jogado pela janela”, contrariamente ao que teria sido, segundo ela, na época de FHC. “Foram investimentos em obras públicas, em benefícios sociais”, diferenciou.
Gasto vinha sem canga
Como petista graduada, Marta não poderia dizer outra coisa. Mais importante é o reconhecimento de que as causas dos desequilíbrios econômicos que Dilma começa a atacar estão, em grande parte, nas decisões tomadas depois de setembro de 2008, gerando alguma perda de controle fiscal. Marta reflete a avaliação no entorno de Dilma.
O diagnóstico é fundamental, já que surgem dúvidas nas fileiras governistas quanto à necessidade do corte de gastos, misturando equívocos sobre as causas dos problemas da economia com receios de que a oposição se aproveite do mau momento do governo.

 

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