Elio Gaspari
O Globo - 20/02/2011
A política da "metamorfose ambulante" ganhou um novo rótulo. Num trabalho monumental de exaltação da burguesia, a economista americana Deirdre McCloskey faz uma breve referência a Lula, classificando seu governo como "populismo racional" e arriscando o palpite de que, dentre os BRICs, o Brasil tem a melhor base política para sustentar seu desenvolvimento.
McCloskey publicou o segundo volume de uma série de seis, para demonstrar a seguinte tese: a partir do século XVIII o mundo entrou num espetacular e inédito ciclo de progresso porque foi nessa época que os burgueses empreendedores e inovadores começaram a livrar-se das cangas do Estado e dos preconceitos.
 Comércio internacional e poupança tiveram alguma importância, mas não foram novidades, muito menos decisivos. (A taxa de poupança da Inglaterra em 1800 era baixa.)
Segundo McCloskey, depois do fracasso das revoluções de 1848 os bem pensantes passaram a achar que "burguês" é quase um insulto. (O próprio Lula, ao saber que um menino da favela de Manguinhos jogava tênis, disse-lhe que esse é um "esporte de burguês".)
A professora sobrevoou a História e as correntes do pensamento econômico. Ela é sempre gentil, frequentemente malvada e devastadora nos exemplos. Um deles: as casas da classe média no Brasil e na África do Sul estão sempre limpas, porque nelas há empregadas. "Se explorar a gente pobre de cor fosse uma boa ideia", os brancos brasileiros e sul-africanos de hoje viveriam melhor que os portugueses, alemães e holandeses que estão nos países de onde saíram seus ancestrais.
Ex-professora da Universidade de Chicago, onde foi assistente de Milton Friedman, McCloskey é uma mulher de coragem. Até 1995, ela foi Donald McCloskey, casado e pai de dois filhos. Aos 53 anos, trocou de sexo.
- O e-book de "Bourgeois dignity" ("Dignidade burguesa - Como a economia não pode explicar o mundo moderno") custa US$9,99 no Kindle. Vários textos de McCloskey estão em sua página na internet, de graça.
Lord Lula
Há poucos meses um plutocrata carioca foi procurado por um empresário-companheiro que o convidou a aderir a uma lista de financiadores para a compra do palacete francês dos Paula Machado, em Botafogo.
A conta ficaria em R$10 milhões, e ele seria a sede do Instituto Lula.
O plutocrata perguntou em quanto ficaria a sua parte e respondeu:
"Dou o dobro para vocês não pensarem mais nisso. Esse negócio deixará o presidente muito mal."
Na primeira metade do século passado, quando foi construída, a linda casa simbolizava o fausto da família Guinle, dona do Copacabana Palace e do Porto de Santos. Há pouco os herdeiros tentaram empurrar o negócio para a Viúva, mas o negócio não prosperou.
Uma informação para os comissários petistas:
Quando Bill Clinton deixou a Casa Branca, alugou mil metros quadrados num edifício na Rua 125, em pleno Harlem.

 

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