Erenice e Dilma, como se nada tivesse acontecido
Sindicância do caso Erenice livra acusados de punição
Conclusão foi de que não há provas contra citados em escândalo de tráfico de influência que derrubou ex-ministra da Casa Civil
Leonencio Nossa e Leandro Colon - O Estado de São Paulo
A investigação aberta pela Casa Civil para apurar tráfico de influência de dois assessores da ex-ministra Erenice Guerra terminou sem recomendar nenhuma punição.

A sindicância concluiu que não há provas de irregularidades contra os servidores Vinicius Castro e Stevan Knezevic, que trabalhavam com Erenice no Planalto. O escândalo derrubou a então ministra da Casa Civil em setembro, durante a campanha eleitoral. Erenice era braço direito de Dilma Rousseff na Casa Civil e se tornou sua sucessora quando ela deixou o posto para disputar a Presidência.
Vinicius Castro pôs a mãe como sócia na Capital Assessoria e Consultoria - empresa em sociedade com Saulo Guerra, filho de Erenice. Outro filho da ex-ministra, Israel, atuava com Vinicius em lobby e cobrança de comissão de empresas que tentavam fazer negócios com o governo. Cobravam taxa de 5% pelo "serviço". Após a revelação do caso, Vinicius pediu demissão. Knezevic foi devolvido à Agência Nacional de Aviação Civil, onde é servidor.
Na sexta-feira, a Casa Civil abriu processo disciplinar para apurar as relações de um convênio firmado com a Unicel, empresa que tem o marido de Erenice como consultor. Segundo a assessoria do Planalto, essa foi a única conclusão da sindicância aberta em outubro para apurar o tráfico de influência dos assessores de Erenice. O relatório final da apuração será enviado ao Ministério da Defesa, à Anac e à Comissão de Ética Pública da Presidência.
Reportagem da revista Veja mostrou em setembro que a Capital fez lobby e cobrou propina para facilitar a vida da empresa Master Top Linhas Aéreas (MTA) em contratos com o governo. Conforme o Estado revelou depois, a MTA pertence ao argentino Alfonso Rios, que usou o coronel Eduardo Artur Rodrigues como testa de ferro na empresa. Em agosto, o coronel assumiu a direção de Operações dos Correios indicado por Erenice. Pressionada, ela pediu demissão da Casa Civil.
 
 

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