Pouca emoção ao assumir o cargo !
Dilma, o discurso, as verdades e as mentiras
Por Reinaldo Azevedo - 03/01/2011
(...) Assim, ainda que eu não veja em Dilma o mesmo talento de seu mestre para a bufonaria, também não a vejo desgarrada do movimento que a gerou. Ela é parte de uma máquina. E não chegou ao topo por acaso. Não estou entre aqueles que acham que Dilma é uma anta descerebrada. Ao contrário: creio que ela está onde está porque pensa o que pensa, entenderam?
Dilma não foi generosamente imprecisa apenas com a história de Lula. Ao tratar do próprio passado - e fez questão de trazê-lo mais uma vez ao debate -, agrediu os fatos:
 
“Dediquei toda a minha vida a causa do Brasil. Entreguei minha juventude ao sonho de um país justo e democrático. Suportei as adversidades mais extremas infligidas a todos que ousamos enfrentar o arbítrio. Não tenho qualquer arrependimento, tampouco ressentimento ou rancor.
Muitos da minha geração, que tombaram pelo caminho, não podem compartilhar a alegria deste momento. Divido com eles esta conquista, e rendo-lhes minha homenagem.
Esta dura caminhada me fez valorizar e amar muito mais a vida e me deu sobretudo coragem para enfrentar desafios ainda maiores.”
Ninguém mais aponta? Tudo bem, aponto-o eu. Estou aqui para isto mesmo: para que a verdade seja tratada como verdade, e a mentira, como mentira. A presidente faz alusão à sua adesão à luta armada. Nem descarto que os então terroristas acreditassem que aquele era o caminho da “justiça” - de uma bastarda noção de justiça… Mas de democracia, não! Nunca! Nem eles! É uma inverdade histórica e conceitual afirmar que alguém aderiu, alguma vez, a um partido de extrema esquerda para construir um país democrático. Já fui trotskista. Nem eu nem outro esquerdista qualquer queríamos democracia à época. Queríamos socialismo e acreditávamos que a democracia era uma trapaça burguesa. Era no que Dilma acreditava também. Esses são os fatos.
Os que “tombaram” na luta não poderiam compartilhar  a alegria desse momento coisa nenhuma! A menos que tivessem mudado de posição. Pensando o que pensavam à época, tenderiam a considerá-la uma trânsfuga. Dilma dizer que não “se arrepende” toca em franjas delicadas. Os movimentos a que ela pertenceu mataram inocentes. Melhor faria se deixasse o passado no passado. Quanto a não ter “ressentimento ou rancor”, aí vamos ver. Permitirá, como fez Lula, que seus ministros da Justiça e dos Direitos Humanos tentem fazer a história andar para trás para rever a Lei da Anistia, por exemplo? As suas ações dirão mais do que essa retórica tão cheia de imprecisões factuais.(...)
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