Situação do Brasil  e os BRICs
Dilma sinaliza que dará ênfase à relação com a China  
Sergio Leo  -   Valor Econômico 
A presidente Dilma Rousseff vai dar grande importância às relações do Brasil com a China, informou ao Valoro assessor internacional do atual e do próximo governo, Marco Aurélio Garcia. Dilma irá à China em abril, quando haverá encontro dos Bric, e planeja "multiplicar esforços com os chineses" para encontrar áreas de atuação conjunta e enfrentar os problemas bilaterais.
Transição: América Latina deve se manter como prioridade do governo
Antes mesmo de tomar posse, a presidente eleita, Dilma Rousseff, esboça iniciativas para dar grande importância às relações entre China e Brasil, informou ao Valoro assessor internacional do atual e do próximo governo, Marco Aurélio Garcia. Dilma cogita ir à China em abril; pretende mandar em visita ao país o novo ministro de Relações Exteriores, Antonio Patriota, e o próprio Garcia; e planeja "multiplicar esforços com os chineses", para encontrar áreas de atuação conjunta e enfrentar os problemas bilaterais, como atritos na área comercial.
"Vai haver em abril a reunião dos BRICs [Brasil, Índia, Rússia e China] e queremos fazer essa viagem", informou Garcia. "Queremos desenhar um conjunto de iniciativas em direção à China". O assessor, que deverá ter reforçada a equipe da assessoria no próximo governo, dá apenas indicações gerais dos planos de Dilma Rousseff, sobre os quais tem conversado "três a quatro vezes por dia" com o futuro ministro de Relações Exteriores. "Com a China não temos nenhum contencioso geopolítico, o que é algo importante; temos de trabalhar bem essas questões, tirar proveito disso", diz Garcia. "Não temos de buscar posições de enfrentamento, mas de clarificação de questões: onde houver diferenças, explicitar e tentar resolver claramente".
O futuro governo não cederá "a determinadas posições aqui ou lá fora, por uma política de contenção dos chineses", diz Garcia, enigmático, parecendo sugerir que as pressões por barreiras à importação de produtos chineses não serão uma prática indiscriminada. "Temos alguns problemas bilaterais que vamos resolver; alguns já estão sendo resolvidos, com medidas com processos antidumping", comenta o assessor. "Mas outros problemas não são da China, são nossos, potencializados pela competitividade chinesa."
A América do Sul continua a maior prioridade do governo. "Se queremos garantir espaço para a América Latina como polo mundial, temos de dar mais musculatura à região", analisa. Dilma pretende aproveitar a cerimônia de posse, em 1º de janeiro, para ter a primeira conversa, após eleita, com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, um dos principais líderes da região, que, após perder a vantagem folgada que tinha no Congresso venezuelano, conseguiu aprovar medidas que aumentam o poder do Executivo e o controle presidencial sobre o país.
Garcia não comenta a avaliação feita pelo novo governo sobre o que é considerado pela oposição venezuelana e por analistas internacionais um ataque de Chávez à democracia no país e no continente. "Temos uma política para lidar com Chávez, e determinadas questões não serão comentadas em público", diz ele. A conversa com Dilma, se confirmada, servirá para ter uma visão abrangente sobre o que acontece na Venezuela. argumenta. "Temos de ter mais informação, ver de perto, ter uma posição de resolver problemas, não de sair disparando", comenta o assessor, um dos principais interlocutores do governo Lula com a Venezuela.
"Faz algum tempo que a gente não conversa, ele estava ocupado com questões internas, uma situação difícil, nem foi à reunião do Mercosul", diz Garcia. O encontro entre os dois presidentes não está ainda confirmado, e mais de 20 chefes de Estado devem vir à posse ("mais que na posse de Lula"), além de personalidade como a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, que, enviada pelo presidente Barack Obama, interromperá férias para prestigiar a cerimônia em Brasília. Não está decidido, também, se Dilma encontrará Hillary.
Garcia minimiza as declarações de assessores da presidente eleita, de que haverá mudanças na política externa para reaproximar os governos brasileiro e americano. Se houve esfriamento, não foi por decisão do governo brasileiro, argumenta ele, que, porém, como o futuro ministro Antonio Patriota, conversou com o subsecretário de Estado para Assuntos Políticos dos EUA, William Burns, sobre a reativação da agenda de cooperação entre os dois países. Há conversas para uma visita de Dilma aos EUA, seguida de uma visita de Obama ao Brasil, se possível no primeiro semestre, confirmou o assessor.
 

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