Críticas são "irrelevantes", afirma Jobim
Ministro da Defesa evitou rebater Vannuchi, que o acusou de "macular" sua biografia ao proteger militares
Ministro dos Direitos Humanos diz que colega é "defensor de posição equivocada" sobre os crimes da ditadura
Folha de São Paulo - Breno Costa e (BSB) Bernardo Mello Franco (SP)
O ministro Nelson Jobim (Defesa) classificou de "irrelevantes" as críticas do colega Paulo Vannuchi (Direitos Humanos), que o acusou de "macular" a biografia para proteger militares que cometeram crimes na ditadura.
Em entrevista à Folha, Vannuchi disse que Jobim reforçou "os piores segmentos militares" ao combater a proposta de criação da Comissão da Verdade, destinada a investigar abusos do regime.
O titular da Defesa não quis rebater o colega, mas mostrou irritação. "Absolutamente sem comentários. Irrelevantes", afirmou Jobim sobre as críticas, em ato no Clube Naval de Brasília.
Ele ainda confirmou que a decisão sobre a compra de novos caças para a Aeronáutica ficará para Dilma.
O presidente Lula evitou comentar a polêmica entre os ministros, mas disse aos oficiais que mudou de opinião sobre as Forças Armadas.
"Foi preciso chegar à Presidência para reconhecer a importância de vocês. Eu e muitos de fora tínhamos uma visão equivocada."
Em São Paulo, Vannuchi disse que a anistia a torturadores é a "mãe de todas as impunidades". "Não considero o Jobim fascista, canalha, o considero defensor de uma posição equivocada."
A duas semanas de deixar o cargo, ele também voltou a mira contra o ex-presidenciável José Serra (PSDB), a quem acusou de ter promovido uma "regressão medieval" ao usar a condenação do aborto como arma eleitoral contra Dilma Rousseff.
Ele acrescentou que setores do PSDB estariam envergonhados pelo uso do aborto. "Tenho a impressão de que o Serra vai se dar conta disso", disse.
Vannuchi classificou o recuo da presidente eleita sobre o tema como "eleitoralmente correto".
O ministro ainda atacou setores do Legislativo e do Judiciário ao lembrar que tirou do PNDH (Programa Nacional de Direitos Humanos) o veto aos crucifixos em repartições públicas.
"Tiramos, mantendo eu a mais absoluta convicção de que é errado ter Jesus Cristo abençoando falcatruas no Senado, na Câmara e nas Assembleias. Ou ter Jesus Cristo abençoando sentenças judiciais 
 

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