Lúcio Vaz
Correio Braziliense - 17/12/2010
Os roubos, fraudes e desvios de recursos orçamentários vêm acontecendo há décadas, como revelou fartamente o episódio dos anões do Orçamento, em 1993. Passamos nos últimos anos pelos sanguessugas e pela quadrilha liderada pela empreiteira Gautama, abatida na Operação Navalha. Todos os casos tiveram investigação de CPIs ou da Polícia Federal. 
Conforme ficou provado, grande parte do dinheiro foi desviado por intermédio de emendas de parlamentares ao Orçamento da União. A novidade da vez é a farra das emendas na área de turismo. O Tribunal de Contas da União já havia apontados irregularidades em convênios em 2008, mas todos fizeram vistas grossas. A liberação de recursos do Ministério do Turismo para as tais entidades “sem fins lucrativos” explodiu nos últimos anos
.A bem da verdade, não de trata de exclusividade do Turismo. Neste ano, o governo já pagou R$ 4,3 bilhões a essas entidades. O novo veio de dinheiro ficou explícito com o caso do relator-geral do Orçamento, Gim Argello (PTB-DF). Logo surgiram outros casos, com roteiro sempre muito parecido. Os personagem são laranjas, empresas de fachada, apadrinhados políticos, todos se locupletando com dinheiro público. O fato é que grandes ou médias empresas acabam utilizando entidades sem fins lucrativos para captar recursos do governo federal. Mas elas mesmas executam os serviços e ficam com o lucro.
Ingênua ou irresponsavelmente, grande parte dos parlamentares aderiu à nova moda. Talvez por essa adesão em massa seja politicamente improvável a abertura de uma CPI para investigar o caso. Todos se lembram dos sanguessugas. A Polícia Federal apontou, inicialmente, indícios de envolvimento de 11 deputados com a Máfia das Ambulâncias. A comissão parlamentar de inquérito chegou a 72 parlamentares. Outro fator que dificulta o aprofundamento da investigação é o período de fim de ano, de legislatura, de governo. Ninguém quer botar a mão no vespeiro.
A imprensa vai continuar o seu trabalho, até que surja um fato definitivo, como o retorno do dinheiro de emendas ao bolso de algum parlamentar. Mas a verdade é que esse tipo de prova só aparece numa CPI ou na investigação policial. Por seu lado, é possível que as investigações do Ministério Público e da PF já estejam encaminhadas, na moita. Os políticos que entraram nessa aventura vão passar as festas de fim de ano tensos. 

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