Local do sequestro e assassinato do
  Segurança Hélio Carvalho de Araújo ,
  morto friamente por Carlos Lamarca
 Uma vítima esquecida
Hoje, 10/12 /2010, faz 40 anos do frio assassinato do segurança  Hélio Carvalho de Araújo . Quem se lembrou dessa data? Os membros da Comissão de Anistia ou membros dos Direitos Humanos lembraram de como estará vivendo sua família? Qual será a pensão que seus familiares recebem? 
No entanto os que participaram direta ou indiretamente de seu assassinato são considerados "heróis' e foram agraciados  com pensões e indenizações milionárias. Vejam abaixo o motivo pelo qual foi assassinado a queima roupa por Carlos Lamarca.
Seqüestro do embaixador suíço - Giovanni Enrico Bucher -   07/12/1970
A Verdade Sufocada - A História que a esquerda não quer que o Brasil conheça
 Por Carlos Alberto Brilhante Ustra
As organizações terroristas pretendiam “incendiar” o País na semana do primeiro aniversário da morte de Marighella (4 de novembro). Para isso, entre outras ações, programaram três seqüestros simultâneos.
Um em São Paulo, outro no Rio de Janeiro e o terceiro no Nordeste. Seriam pedidos em troca dos seqüestrados duzentos presos. Atuariam “em frente” formada pela
  
   Embaixador Giovanni Enrico Bucher
VPR, ALN, MR-8, PCBR e MRT (Movimento Revolucionário Tiradentes).
Com a morte, em 23 de outubro, de Joaquim Câmara Ferreira (Toledo ou Velho), um dos líderes da ALN, as organizações que formariam a “frente” desistiram  da execução dessas ações. A VPR que, sozinha, não tinha condições de realizar os três seqüestros, optou apenas por um, o do Rio de Janeiro, e começou os preparativos.
Seis carros foram roubados para a ação.
No dia 7 de dezembro de 1970, por volta das nove horas, na Rua Conde  de Baependi, no bairro Laranjeiras, o embaixador da Suíça no Brasil, Giovanni Enrico Bucher, foi seqüestrado pela VPR.
Às 8h45, o embaixador saiu em seu carro Buick, dirigido pelo motorista Ercílio Geraldo, tendo ao seu lado o agente da Polícia Federal Hélio Carvalho de Araújo, destacado para segurança do diplomata. Sozinho, no banco   traseiro, o embaixador.
Após descer a ladeira do Parque Guinle, o carro do diplomata, que fazia o trajeto de sempre, entrou na Conde de Baependi. O Aero Willys bege, dirigido por Alex Polari de Alverga (Bartô), arrancou e bateu na frente esquerda do Buick. O motorista tentou desviar para a direita, mas foi surpreendido por um Volks azul, dirigido por Inês Etienne Romeu (Alda), que deu marcha à ré e bloqueou o carro do embaixador.
Enquanto isso acontecia, um Volks vermelho, dirigido por Maurício Guilherme da Silveira (Honório), deslocou-se para a retaguarda do carro seqüestrado, onde parou e levantou o capô, simulando uma pane.
Nesse momento, Carlos Lamarca abriu a porta onde estava o segurança Hélio Carvalho de Araújo e deu-lhe dois tiros nas costas, que o atingiram na coluna e o levaram à morte no dia 10 de dezembro. Alex retirou o motorista do carro diplomático e o fez deitar-se na calçada. Inês Etienne Romeu retirou o
 
             Matéria publicada no Jornal do Brasil
embaixador e o colocou no Volks azul. Lamarca e Gerson Theodoro de Oliveira (Ivan) transportaram o embaixador, no carro dirigido por José Roberto de Rezende (Ronaldo). Herbert Eustáquio de Carvalho (Daniel), Inês Etienne e
Alex fugiram em outro Fusca. Altair Gonçalves Reis (Sorriso) fugiu a pé.
Quando os seqüestradores atravessaram o túnel Santa Bárbara, encontraram Alfredo Sirkis (Felipe), que os aguardava com outro veículo. Nele embarcaram Gerson Theodoro, Lamarca e Bucher.
Rodaram em direção ao subúrbio e trocaram a placa do carro. Finalmente, chegaram ao “aparelho” onde ficaria o embaixador, na Rua Tacaratu, em Rocha Miranda. Tereza Ângelo (Helga) os esperava.
Permaneceram no “aparelho”, guardando o embaixador, Lamarca, Herbert Eustáquio, Sirkis, Adair e Tereza Ângelo.
Imediatamente, o governo suíço protestou junto ao governo brasileiro pelo seqüestro de seu embaixador. O encarregado de Negócios da Suíça, no Rio, Willian Rock, recebeu a missão de transmitir ao Ministério das Relações Exteriores do Brasil o protesto suíço e exigir prontas medidas para libertação do embaixador.
A Suíça classificou o ato como uma violência contra pessoas inocentes e uma violação dos direitos humanos.
O seqüestro foi o mais longo e o mais dramático. As negociações entre o governo brasileiro e a VPR duraram quarenta dias. Os seqüestradores apresentaram uma lista de 70 presos que deveriam ser soltos em troca da vida do embaixador. O governo mudou de tática, dificultando a liberação de alguns presos. Desses, o governo negou a liberação de 13 que já tinham sido julgados, alguns por homicídio. A VPR insistiu e o governo não cedeu. Com a não liberação dos 13 presos, uma facção da organização terrorista quis matar o embaixador.
Lamarca e Sirkis não concordaram e vetaram essa medida extrema, por não considerarem uma boa opção política. Após discussões internas, a VPR  concordou em apresentar outros nomes.
Finalmente, no dia 13 de janeiro de 1971, 70 presos foram liberados e banidos para o Chile. Em 16 de janeiro, o embaixador Bucher foi solto, depois de 41 dias.
O seqüestro foi considerado uma derrota política para a VPR e uma das causas que provocaram a saída de Lamarca e de sua companheira Iara Iavelberg (Célia) da organização e o seu ingresso no MR-8, no final de março de 1971.
 
  Carlos Lamarca e seus disfarces

Participaram da ação: Carlos Lamarca - comandante;
Alex Polari de Alverga (Bartô);
Inês Etienne Romeu (Alda);
Gerson Theodoro de Oliveira (Ivan);
Herbert Eustáquio de Carvalho (Daniel);
Adair Gonçalves Reis (Sorriso);
Maurício Guilherme da Silveira (Honório);
José Roberto Gonçalves de Rezende (Ronaldo);
Alfredo Hélio Syrkis (Felipe); 
e Tereza Ângelo (Helga).
No dia 13 de janeiro de 1971, os setenta presos, abaixo relacionados, foram banidos para o Chile:
- Militantes da VPR:
 
        Alfredo Hélio Sirkis
Antônio Expedito Carvalho Pereira;
Antônio Ubaldino Pereira;
Aristenes Nogueira de Almeida;
Armando Augusto Vargas Dias;
Bruno Piola;
Christóvão da Silva Ribeiro;
Delci Fensterseifer;
Encarnacion Lopes Peres;
Geni Cecília Piola;
Ismael Antônio de Souza;
João Carlos Bona Garcia;
Jovelina Tonello do Nascimento;
Luiz Alberto Barreto Leite Sanz;
Manoel Dias do Nascimento;
Nelson Chaves dos Santos;
Otacílio Pereira da Silva;
Pedro Chavesdos Santos;
Roberto Antônio de Fortini;
Roberto Cardoso Ferraz do Amaral;
Roque Aparecido da Silva;
Ubiratan de Souza;
Valneri Neves Antunes;
Wânio José de Matos;
e Wellington Moreira Diniz.
- Militantes de outras organizações:
Afonso Celso Lana Leite;
Afonso Junqueira de Alvarenga;
Aluisio Ferreira Palmar;
Antônio Rogério Garcia da  Silveira;
Bruno Dauster Magalhães e Silva;
Carlos Bernardo Vainer;
Carmela Pezzuti;
Conceição Imaculada de Oliveira;
Daniel José de Carvalho;
Derly José de Carvalho;
Edmur Péricles Camargo;
Elinor Mendes Brito;
Francisco Roberval  Mendes;
Gustavo Buarque Schiller;
Humberto Trigueiros Lima;
Irani Campos;
Jaime Walwitz Cardoso;
Jairo José de Carvalho;
Jean Marc van der Weid;
João Batista Rita;
Joel José de Carvalho;
José Duarte dos Santos;
Júlio Antônio Bittencourt de Almeida;
Lúcio Flávio Uchôa Regueira;
Mara Curtiss de Alvarenga;
Marco Antônio Maranhão Costa;
Maria Auxiliadora Lara Barcelos;
Maria Nazareth Cunha da Rocha;
Nancy Mangabeira Unger;
Paulo Roberto Alves;
Paulo Roberto Telles Franck;
Pedro Alves Filho;
Pedro Viegas;
Pedro Paulo Bretas;
Rafael de Falco Neto;
Reinaldo Guarany Simões;
Reinaldo José de Melo;
René Louis Laugery de Carvalho;
Samuel Aarão Reis;
Sônia Regina Yessin Ramos;
Takao Amano;
Tito de Alencar Lima;
Ubiratan Vatutin Herzcher Borges;
Vera Maria Rocha Pereira;
Washington Alves da Silva;
e Wilson Nascimento Barbosa.

Não é difícil verificar quantos desses nomes se incluem no rol dos “perseguidos pela ditadura” e, por essa razão, aquinhoados com as gordas indenizações às custas do combalido contribuinte brasileiro.
O relato desse seqüestro não carrega nas tintas quando aborda a frieza com que Lamarca executou o segurança do embaixador.
Alguém da mídia ou da igreja de D. Paulo Evaristo Arns lembra-se do nome desse homem brutalmente baleado por Lamarca? Carlos Lamarca, no entanto,  é festejado como “herói do combate à ditadura”; sua mulher - abandonada por ele, que se amasiou com Iara Iavelberg - recebe pensão de coronel e o assassino frio é hoje nome de logradouros e motivo de filme.
A esperança, entretanto, permanece aquecendo o coração dos brasileiros de bem, que ainda hão de ver o pêndulo da História inclinar-se para o lado da verdadeira justiça.
Banidos em troca do embaixador suíço

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