Atuação brilhante do promotor
    Cembranelli.
    Esperamos outras condenações .

Rubem Azevedo Lima
Correio Braziliense 
A Justiça paulista condenou, à revelia, a 18 anos de prisão, Marcos dos Santos, motorista do carro que sequestrou o prefeito petista de Santo André, Celso Daniel, torturado e morto, para não revelar atos de corrupção no partido. O crime teve, pois, viés político, ao contrário da negativa da cúpula do PT e de Lula, que o diziam coisa de bandidos.
Coordenador da campanha presidencial de Lula, em 2002, Daniel fazia, entre empresários de Santo André e outras cidades, coleta de recursos, controlada por Sérgio Gomes, o Sombra, que dizia entregá-los a José Dirceu.

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Sombra recebia as doações com revolver sobre a mesa, para intimidar os contribuintes, mas desviava para si parte do recolhido. Daniel reclamou dos desvios e Sérgio, segundo os autos, tramou seu sequestro, contratando bandidos que torturaram e mataram o prefeito, depois jogaram o cadáver numa estrada local.
 À época, era secretário de Daniel o atual chefe do gabinete de Lula, Gilberto Carvalho. Este, no aniversário do morto, publicou necrológio elogioso do ex-prefeito e teria dito aos dois irmãos de Daniel, que chegou a conduzir em seu carro pacotes do dinheiro recolhido. Em CPI no Congresso, houve acareação entre os três. Carvalho negou esse fato, mas muitos acharam os irmãos mais firmes na acareação do que Carvalho.
 A CPI não aceitou processar Lula, como o senador Álvaro Dias propôs. Os governistas insistiram na tese do crime comum, sem vinculação política. Em levantamento minucioso, o coronel reformado do Exército Roberto de Oliveira mostrou que, depois de Daniel, morreram mais sete pessoas, partícipes do episódio, numa queima serial de arquivos.
No julgamento do motorista, o promotor Cembranelli disse que não se guiou pela política. “O PT não foi julgado, mas o crime deu-se em contexto que envolvia altos membros do partido”. Portanto, fez-se justiça.
O presidente Dutra, do PT, quer processá-lo. Não seria melhor cuidar dos crimes novos na praça: nepotismo no Orçamento da União e desvio fiscal de milhões de reais do petróleo, no Rio? Nesses casos e no de Daniel, afora os bandidos, não há fantasmas, mas só gente graúda a justiçar. É o lixo das estrebarias, cuja limpeza cabe agora a Dilma exigir que se faça.

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