A grande Fusão
Matéria produzida por Maria Joseita Silva Brilhante Ustra
Polop,  Colina , VPR
A Política Operária - Polop - teve origem no Partido Socialista Brasileiro e foi fundada em 1961. Seus militantes já agiam  muito antes da Contra-Revolução de 1964. Em 12 de março de 1963, apoiou e orientou a subversão dos sargentos em Brasília . Nessa rebelião, 600 militares , entre cabos, sargentos e suboficiais da Marinha e Aeronáutica, foram apoiados pelo dirigente da POLOP Juarez Guimarães de Brito, que se deslocou do Rio de Janeiro para Brasília. A cidade foi ocupada pelos rebeldes. Dominada a rebelião duas pessoas estavam mortas: o soldado Divino Dias dos Santos e o motorista civil Francisco Moraes. 
 
 Ainda nessa época, a POLOP concitou o PCB, através de uma "Carta Aberta", a romper com o reformismo e com o governo de João Goulart.
 Logo após, a Política Operária passou por uma fase de muita polêmica quanto às linhas de ação a serem  seguidas para decidir o melhor método para implantação do comunismo no Brasil. Uma ala defendia  a formação de uma Assembléia Nacional Constituinte e outra dava prioridade à luta armada .
Essa foi a primeira organização que encantou a adolescente Dilma Rousseff . Em 1965, Dilma, com 17 anos, matriculou-se na Escola Estadual Central, um centro de agitação do movimento estudantil secundarista, e começou sua doutrinação.  Dois anos depois militava na  Polop, influenciada, entre outros movimentos, pelo livro que incendiou o mundo - Revolução da Revolução - de Régis Debray,  que difundia a teoria da  guerrilha de pequenos grupos - o"foquismo" -, para  expropriar e terminar com a   burguesia.
 
Dilma e a luta armada
 
Em abril de 1968, os militantes  da Polop de Minas Gerais e da Guanabara e do Movimento Nacional Revolucionário - MNR - de Brizola se reuniram e  entabularam negociações para a criação de uma nova organização político militar. Ao mesmo tempo, o pessoal da Polop/GB  realizou uma Conferência, na qual foi aprovado o documento "Concepção da Luta Revolucionária", onde ficou praticamente aprovada a linha política da futura Organização Político Militar - OPM. O documento definiu a revolução brasileira como sendo de caráter socialista e o caminho a seguir o da luta armada, através do  foco guerrilheiro, visto como "a única forma que poderá assumir, agora, a luta armada revolucionária do povo brasileiro".
 Dilma, aos 20 anos, inclinou-se para a luta armada  e juntou-se ao grupo que optou pela violência.
O processo para a tomada do poder iniciar-se-ia com a criação de um pequeno núcleo rural : o foco -, que, através do desencadeamento da luta armada no campo, cresceria e se multiplicaria com a conscientização das massas, até a constituição de um Exército Popular de Libertação. As cidades eram vistas como fontes para o apoio logístico e a guerrilha urbana, nelas desencadeadas, serviria para manter ocupadas as forças legais. Os atos de terrorismo e sabotagem deveriam obedecer a um rígido critério político, estabelecido pelo comando da  Organização Político Militar - OPM.
  Criação do Comando de Libertação Nacional - COLINA
 
Em julho de 1968, esses dissidentes da Polop realizaram um Congresso Nacional num sítio em Contagem, Minas Gerais no qual foi criado o Comando de Libertação Nacional – COLINA -, com o seu Comando Nacional – CN - integrado por Ângelo Pezzuti da Silva e Carlos Alberto Soares de Freitas, em Minas Gerais, e Juarez Guimaraes de Brito e Maria do Carmo Brito, na Guanabara.
Diretamente ligado ao Comando Nacional foi criado:
- Setor Estratégico, subdividido em:
 a - Comando Urbano que era constituido pelo Setor Operário e Estudantil. Esse setor era o responsável pelo trabalho de massa nas fábricas, empresas, sindicatos, faculdades, etc.
  
    Ângelo Pezzuti da Silva
Esse trabalho era executado pelas células, por meio das atividades de recrutamento e de agitação e propaganda. O setor editava o jornal "O Piquete".
b - Comando militar era composto pelos Setores de Levantamento de Áreas; Inteligência; Expropriação; Terrorismo e Sabotagem; e Logistico.
 
Dilma Rousseff e o COLINA
 
Os dissidentes  que optaram pela luta armada reuniram-se em torno da nova organização. Entre esses dissidentes estava Dilma. Continuando sua capacitação política, um dos seus doutrinadores foi Apolo Heringer Lisboa, dirigente do Colina. Ele lhe ministrara aulas de marxismo, quando Dilma ainda era secundarista.
No meio subversivo ela conheceu  o jornalista mineiro Cláudio Galeno de Magalhães Linhares que, também, optara pela luta armada. Galeno serviu  ao Exército por  três anos e,  
também militou na Polop. Atuou ativamente na sublevação dos marinheiros. Esteve preso  por cinco meses na Ilha das Cobras, durante a  Contra-Revolução. Depois disso, obteve Habeas Corpus, foi solto  e voltou a Belo Horizonte, onde foi trabalhar  no jornal Ultima Hora.
  
    Cláudio Galeno de M Linhares
 Dilma e Galeno um ano depois se casaram. Firmava-se a Dilma guerrilheira, correndo da polícia, fazendo passeata para apoiar os operários em greve em Contagem. A dupla prometia. Ele, em entrevista à revista Piaui, declarou que aprendera a fabricar bombas na fármácia de seu pai.  Ela tinha tarefas específicas no COLINA: a confecção do jornal O Piquete e a preparação das aulas de marxismo. Tinha também aulas sobre armamentos, tiro ao alvo e explosivos. Grande parte dessas aulas era ministrada nos arredores de Belo Horizonte pelo ex-sargento  da Aeronáutica João Lucas Alves. (Revista Piauí - abril/2009)
Além de dar instruções de técnicas de guerrilha à Dilma, João Lucas Alves era apoiado logisticamente por Galeno que , inclusive o hospedava na casa deles . 
"O João Lucas ficava hospedado em nossa casa". ( declarações de Galeno à revista Piauí - abril /2009 )
Para quem não sabe, João Lucas Alves foi um dos executores do major do exército alemão Edward Ernest Tito Otto Maximilian von Westernhagen, em 01/07/68, que fazia curso de Estado Maior, na Praia Vermelha, RJ, e que foi morto por engano, ao ser confundido com um militar boliviano, que também fazia o mesmo curso e que era acusado de ter morto Che Guevara. A organização responsável por este  assassinato foi o COLINA.
 Dilma e Galeno viviam  perigosamente rodeados de gente que, como eles, não pretendia, como motivação principal, derrubar o governo militar, mas instalar um regime marxista-leninista, como pregavam os estatutos da organização na qual militavam ativamente.
Seu apartamento era  visitado pela cúpula do COLINA e muitas reuniões para tomada de decisões eram feitas lá.
Derrubar o regime militar era o pretexto para atrair militantes para a causa principal -  instalar uma ditadura  nos moldes de Cuba -, que para ser melhor aceita era rotulada de regime socialista. Para isso, faziam treinamentos práticos e de capacitação política.
Embora o COLINA tivesse conseguido recrutar adeptos em Porto Alegre, Goiania e Brasília nunca deixou de ser uma organização política militar tipicamente mineira, com um núcleo na Guanabara – RJ -, onde havia recrutado um grupo de ex-militares que já tinha atacado duas sentinelas: a primeira , em 17 de março de 1968, no Museu do Exército, na Praça da República , que foi baleada por Antonio Pereira Mattos e teve o seu FAL roubado; e a segunda, em 23 de maio do mesmo ano, na Base Aérea do Galeão, quando foi roubada a sua  pistola.45.
De acordo com Jacob Gorender ,  autor do livro " Combate nas trevas" o COLINA já aderira à luta armada em 1968 e pregava  a prática do terrorismo.
O AI 5, que eles alegam como motivação para o ínicio da luta armada, só foi assinado em 13 de dezembro de 1968.
Dentre as ações do COLINA , em 1968, podem ser destacadas:
 - em 01/07/68, assassinato  do major do exército alemão Edward Ernest Tito Otto Maximilian von Westernhagen;
- em 28 de agosto, assalto ao Banco Comércio e Indústria de Minas Gerais, agência Pedro II , em Belo Horizonte;
- em 4 de outubro, assalto ao Banco do Brasil, na cidade industrial de Contagem, em MG;
- em 18 de outubro, dois atentados a bomba, em Belo Horizonte, nas residências do Delegado Regional do Trabalho e do Interventor dos Sindicatos dos Bancários e dos Metalúrgicos;
- em 25 de outubro, no Rio de Janeiro, Fausto Machado Freire e Murilo Pinto da Silva assassinaram Wenceslau Ramalho Leite com quatro tiros de pistola Luger 9mm, quando lhe roubavam o carro; e
- em 29 de outubro, assalto ao Banco Ultramarino, agência de Copacabana, no Rio de Janeiro.
A Organização de Dilma tinha algumas armas, algum dinheiro e algumas dezenas de militantes dispostos a tudo .
Crimes do Colina  
 No dia 14 de janeiro de 1969,  alguns militantes do COLINA praticaram, simultâneamente, dois assaltos: aos Bancos da Lavoura e Mercantil de Minas Gerais, em Sabará,  onde roubaram 70 milhões de cruzeiros. Participaram dessas ações os seguintes militantes : Ângelo Pezzuti da Silva, Murilo Pinto da Silva, Afonso Celso Lana Leite, Antonio Pereira Mattos, Erwin Rezende Duarte, João Marques Aguiar, José Raimundo de Oliveira, Júlio Antonio Bittencourt de Almeida, Nilo Sérgio Menezes Macedo, Maria José de Carvalho Nahas, Pedro Paulo Bretas e Reinaldo José de Melo.
Nessa mesma noite, Ângelo Pezzuti da Silva,  principal dirigente do COLINA, foi preso. Seu depoimento possibilitou a prisão de diversos membros do COLINA, dentre os quais, José Raimundo de Oliveira, do Setor de Terrorismo e Sabotagem, e Pedro Paulo Bretas e Antonio Pereira Mattos, do Setor de Expropriação. As declarações desses últimos levaram a polícia a desbaratar três "aparelhos" do COLINA, em Belo Horizonte, na madrugada de 29 de janeiro de 1969. Essas prisões resultaram na descoberta de dois "aparelhos" onde foram apreendidos documentos, explosivos, armas e munições  Às quatro horas, reforçados por três guardas-civis de uma rádiopatrulha, os policiais chegaram ao terceiro "aparelho", na rua Itacarambu, 120. No local sete militantes estavam reunidos planejando uma linha de ação para  resgatar Ângelo Pezuti da prisão.
Os policiais,  ao se prepararem para invadir o "aparelho", foram recebidos por rajadas de uma metralhadora Thompson, disparadas  por Murilo  Pinto da Silva, irmão de Ângelo Pezzuti. Esses tiros atingiram mortalmente o Sub-inspetor da polícia Cecildes Moreira de Faria, o Guarda-Civil José Antunes Ferreira, e feriram gravemente o investigador José Reis de Oliveira. No local foram encontrados mais  armas, munições, fardas da PM, documentos do COLINA e dinheiro dos assaltos. Na ação foram presos os seguintes militantes: Murilo Pinto da Silva, Afonso Celso Lana Leite, Maurício Vieira de Paiva (ferido com dois tiros), Nilo Sérgio Menezes Macedo, Júlio Antonio Bittencourt de Almeida, Jorge Raimundo Nahas e sua esposa Maria José de Carvalho Nahas.
 O aparelho -  Fuga para o Rio de Janeiro - Clandestinidade

O ano de 1969  seria crítico para o COLINA. Uma sequência de prisões debilitaria a organização.
Após o assalto ao Banco da Lavoura de Sabará, o cerco começou a apertar.
Como Ângelo Pezzuti e outros membros do COLINA se reuniam no apartamento de Dilma e Galeno, um dos "aparelhos", eles destruiram documentos e tudo que pudesse ligá-los à organização e naquela noite   já não dormiram em casa.  Passaram algum tempo escondidos. Depois a organização determinou sua ida para o Rio de Janeiro. Primeiro seguiu Galeno, depois Dilma, ambos de ônibus.  Deixaram a vida em Belo Horizonte e entraram para a  clandestinidade  Eles passaram a usar nomes  e documentos falsos. No Rio de Janeiro, o casal fazia parte dos "deslocados" - militantes transferidos de outros locais por serem procurados.
Quem recebeu os "deslocados" do COLINA no Rio de Janeiro foi o casal dirigente do COLINA, Juarez Brito e Maria do Carmo Brito,  mas, como eram muitos,  não havia como alojá-los . Dilma e Galeno moraram em um pequeno hotel e depois em um apartamento, até Galeno ser transferido pela organização para atuar em Porto Alegre, em contato com uma célula dissidente do "Partidão". Outro que também não ficou no Rio e foi militar no Rio Grande do Sul  foi  Fernando Pimentel,  que viria a ser prefeito de Belo Horizonte e foi um dos coordenadores da campanha de Dilma para presidente da República.
Wanda ou Estela , como queiram, continuou no Rio, colaborando com a direção do COLINA. Transportava armas, dinheiro e munição para os militantes. Participava de reuniões, redigia documentos e discutia ações da organização.
Primeiros contatos com a   Vanguarda popular Revolucionária - VPR
 Carlos Franklin Paixão Araujo era advogado e começou sua militância, bem novo, no PCB. Militou no início dos anos 60 em Recife, juntamente com Francisco Julião, o líder das Ligas Camponesas, (o MST da época , bem mais pobre e com menos militantes que hoje). Esteve, juntamente com Julião, em Cuba, onde conheceu Fidel e Che Guevara. Em 1964 foi preso por alguns meses. Nunca deixou a militância. Depois de solto, continuou cooptando militantes. Finalmente, aderiu à luta armada. Procurando apoio em outras organizações mais atuantes, fez contato com Juarez Guimarães de Brito e Maria do Carmo Brito ( COLINA) e viajou ao Rio várias vezes. Numa dessas viagens conheceu Dilma Rousseff e logo começaram um relacionamento, que a levou ao fim de seu casamento com  Galeno.
Os primeiros meses de 1969 foram marcados pelas prisões de dezenas de militantes da VPR e do COLINA, inclusive, diversos de seus dirigentes. Esses grupos, debilitados, buscaram na fusão, um modo de se rearticularem formando uma única organização mais poderosa e de âmbito quase nacional.
 
A Vanguarda Popular Revolucionária - VPR
A  VPR organização terroristas de Lamarca passava pelas primeiras dificuldades -  algumas mortes e prisões de terroristas . A VPR começou a buscar um outro grupo para juntos formarem uma nova organização mais forte, com mais poder de fogo.
Procuraram o Colina. Antonio Roberto Espinosa foi designado para os primeiros contatos. Espinosa, apesar de seus 23 anos , era experiente. Tinha em seu curriculo algumas ações armadas - assaltos a bancos e roubo de armas em quartéis.
A VPR era uma das mais sanguinárias organizações terroristas. Foi fundada em março de 1968, quando realizou seu I Congresso. Sua primeira direção era constituída por:
   - Wilson Egídio Fava, Waldir Carlos Sarapu e João Carlos Kfouri Quartin de Morais - do grupo dissidente da Polop; e
  -  Onofre Pinto, Pedro Lobo de Oliveira e Diógenes José de Carvalho, do Movimento Nacionalista Revolucionário (MNR). Desse novo grupo faziam parte Yhoshitame Fujimore (juiz e carrasco do tenente Alberto Mendes Júnior) e Edson Neves Quaresma.
 
   
Ações terroristas praticadas pela Vanguarda Popular Revolucionária - VPR antes da fusão com o COLINA
  Ano de 1968
:- 7 de março, assalto ao Banco Comércio e Indústria, da Rua Guaicurus, na Lapa;
- 19 de março, atentado a bomba contra a biblioteca do Consulado Norte-Americano, na Rua Padre Manoel, onde um estudante perdeu a perna e mais dois ficaram feridos;
- 5 de abril, atentado a bomba na sede do Departamento de Polícia Federal;
- 20 de abril, atentado a bomba no jornal O Estado de São Paulo, com três feridos;
- 31 de maio, assalto ao Banco Bradesco, em Rudge Ramos;
- 22 de junho, assalto ao Hospital Militar, no Cambuci;
- 26 de junho, atentado a bomba contra o Quartel General do II Exército, quando morreu o soldado Mário Kosel Filho e ficaram feridos mais 5 militares;
- 28 de junho, assalto à Pedreira Fortaleza, de onde foram roubadas 19 caixas de dinamite e grande quantidade de detonadores;
- 1° de agosto, assalto ao Banco Mercantil de São Paulo, no Itaim;
- 20 de setembro, assalto ao quartel da Força Pública do Estado de São Paulo, no Barro Branco, onde foi assassinado o soldado Antonio Carlos Jeffery;
- 12 de outubro, assassinato do capitão do exército dos Estados Unidos Charles Rodney Chandler;
- 15 de outubro, assalto ao Banco do Estado de São Paulo, na Rua Iguatemi;
- 27 de outubro, atentado a bomba contra a loja Sears, da Água Branca;
- 7 de novembro, roubo de um carro, com o assassinato de seu motorista, o senhor Estanislau Ignácio Correia;
- 6 de dezembro, assalto ao Banco do Estado de São Paulo, na Rua Iguatemi; e
- 11 de dezembro, assalto à Casa de Armas Diana, na Rua do Seminário,onde foram roubadas armas e munições e saiu ferido o senhor Bonifácio Ignore.
Ano de 1969:
- Janeiro, assalto ao Banco Itaú América, na Rua Jumana;
- Janeiro, assalto ao Banco Aliança do Rio de Janeiro, na Rua Vergueiro;
- 24 de janeiro, roubo de armas no 4º RI, que desestruturou a VPR, em conseqüência das prisões ocorridas após a ação;
- 11 de fevereiro, assalto à Gráfica Urupês, onde foi baleado um policial;
- 26 de fevereiro, assalto ao Banco da América, na Rua do Orfanato;
- 9 de maio, assalto simultâneo aos Bancos Federal, Itaú, Sul Americano e Mercantil de São Paulo, esse na Rua Piratininga, na Mooca, cujo gerente, Norberto Draconetti, foi esfaqueado. Nessa ação, o guarda civil Orlando Pinto da Silva foi morto com um tiro na nuca e outro na testa, disparados por Carlos Lamarca;
- 8 de junho, assalto ao Hospital Santa Lúcia; e
- 13 de junho, assalto ao União de Bancos Brasileiros, na Avenida Jabaquara.
 
 A grande fusão - COLINA e VPR
Os primeiros  contatos para fusão do Comando de Libertação Nacional - COLINA ( organização de Dilma) com a Vanguarda Popular Revolucionária - VPR  ( organização de Lamarca) foram feitos em abril de 1969 , numa casa do litoral paulista, próxima a Peruibe.
 Estavam presentes nessa o primeira reunião:
  - pela  VPR: Carlos Lamarca, Antônio Espinosa, Chizuo Ozawa- "Mário Japa" -, Fernando  Mesquita Sampaio, Cláudio de Souza Ribeiro; e
  - pelo COLINA : Carlos Franklin Paixão de  Araújo, Dilma Rousseff, Maria do Carmo Brito, Carlos Alberto de Freitas  e Hérbert Eustáquio de Carvalho.
Ao final do encontro foi emitido um "Informe Conjunto", que comentava "a perfeita identidade política das duas organizações" o que deveria conduzí-las à fusão,  
que ainda não fora concretizada oficialmente, em face da ausência de alguns membros do Comando Nacional do COLINA. Por esse motivo foi marcada uma nova reunião para o mês de julho que ultimaria a fusão em  um congresso para referendá-la.
Nesse período, entretanto, as ações armadas não pararam. Na noite de 22 de junho, militantes das duas organizações assaltaram uma companhia do 10º Batalhão da Força Pública do Estado de São Paulo, em São Caetano do Sul,  roubando 94 fuzis, 18 metralhadoras Inas, 30 revólveres Taurus, calibre.38, 360 granadas e cerca de 5000 cartuchos de calibres diversos.
Aumentava o arsenal já conseguido com os assaltos à Casa de Armas Diana e ao 4º Regimento de InfantariaI, planejado e executado por Lamarca  que era capitão  e servia lá.
Criação da Vanguarda  Armada Revolucionária Palmares - VAR - Palmares 
No início de julho, numa outra casa do litoral Paulista, em Mongaguá, realizou-se a denominada Conferência de Fusão, com o comparecimento de todos os integrantes dos dois Comandos Nacionais. No "Informe sobre a Fusão", datado de 7 de julho de 1969, já aparecia o nome da nova organização - Vanguarda Armada Revolucionária Palmares - VAR-Palmares, que iria, também, ganhar a adesão de militantes da Dissidência do PCB de São Paulo - DI/SP.
Foi eleito o seguinte Comando Nacional, com três elementos oriundos de cada organização:
  - da VPR : Carlos Lamarca, Antonio Roberto Espinosa e Cláudio de Souza Ribeiro; e
 
- do COLINA : Juarez Guimarães de Brito, Maria do Carmo Brito e Carlos Franklin Paixão Araújo ( 2º marido de Dilma Rousseff )
 Dilma, já vivendo com Carlos Franklin Paixão de  Araújo, bem posicionada no COLINA, defendia, na fusão das organizações, a necessidade de um trabalho paralelo - as ações de massa, pois era preciso o apoio do povo para desencadear a revolução.
Essa fusão criou uma nova organização que, segundo estudos, se tivesse perdurado por mais tempo, poderia ter sido uma das maiores . Alguns militantes chegam a calcular  que a  VAR-Palmares pode ter tido  mais de 2000 militantes entre grupos armados e apoiadores logísticos.
O estatuto da nova organização não deixava dúvidas quanto a sua finalidade:
 " A Vanguarda Armada Revolucionária - Palmares é uma organização politico-militar de caráter partidário, marxista-leninista, que se propõe a cumprir todas as tarefas da guerra revolucionária e da construção do Partido da Classe Operária, com o objetivo de tomar o poder e construir o socialismo."
Estruturalmente foram criados dois grandes setores:
  - Setor de Luta Principal , para tratar do treinamento e da formação da " Coluna Guerrilheira"; e
  - Setor de Lutas Complementares, encarregado das lutas urbanas e da coordenação das regionais de São Paulo, Guanabara, Rio Grande do Sul, Distrito Federal, Goiás, Minas Gerais e Bahia.
A VAR - Palmares dispunha, como muitas outras organizações, de um setor de falsificação de documentos . Dilma chegou a usar  esses serviços falsos: portava como documentos carteira de identidade, título de eleitor e carteira de estudante com os nomes de  Maria Lucia dos Santos e Marina Guimarães Garcia de Castro . Seus codinomes eram : Vanda, Estela e Patrícia.
Apesar da fusão ter sido concretizada, as discussões da conferência não foram tranquilas, transcorrendo num clima tenso e, por vezes, tumultuado. Os " massistas", oriundos do COLINA, mais bem preparados politicamente, criticavam os "militaristas" da VPR, pelo " imediatismo revolucionário" que defendiam. Ao mesmo tempo, entrando com 55 milhões de cruzeiros e um grande arsenal de armas, munições e explosivos, os oriundos da VPR sentiam-se moralmente fortalecidos, em face da falta de dinheiro e das duas metralhadoras Thompson e 4 pistolas , trazidas pelo COLINA.
Entretanto, tudo foi esquecido quando Juarez Guimarães de Brito apresentou o seu trunfo, o planejamento da " grande ação", que poderia dar à VAR-Palmares a sua independência financeira.
 A grande Ação
 Gustavo Buarque Schiller, o "Bicho", era um secundarista da Guanabara que havia participado das agitações estudantis em 1968 e era ligado ao COLINA. De família
  
      A polícia ainda não identificava
   os assaltos como sendo feitos por
   organizações subversivas
rica, morava em Santa Tereza, RJ, próximo à casa de sua tia Anna Benchimol Capriglione , conhecida como sendo a "amante do Adhemar", ex- governador de São Paulo. Ao saber que no casarão de sua tia havia um cofre com milhões de dólares, levou esses dados à organização. Essas informações foram suficientes para que fosse praticado o maior assalto feito por qualquer organização terrorista no Brasil.
Na tarde de 18 de julho de 1969, 13 militantes da VAR-Palmares, disfarçados de policiais e comandados por Juarez Guimarâes de Brito, invadiram o casarão de Anna Benchimol Caprigione, dizendo estar à cata de "documentos subversivos".
Após confinarem os presentes numa dependência do térreo da casa, um grupo subiu ao segundo andar e roubou, por meio de cordas cordas lançadas pela janela, o cofre de 200 Kg, colocado numa Rural Willys e levado para um "aparelho" localizado próximo ao Largo da Taquara, em Jacarepaguá/RJ. Em menos de 30 minutos, consumava-se o maior assalto da subversão no Brasil.
A féria foi excelente, inimaginável: dois milhões, oitocentos mil e sessenta e quatro dólares
Presentes durante a ação: Wellington Moreira Diniz, José Araújo Nóbrega, Jesus Paredes Sotto, João Marques de Aguiar, João Domingos da Silva, Flávio Roberto de Souza, Carlos MInc Baunfeld, Darcy Rodrigues, Sônia Eliane Lafoz, Reinaldo José de Melo, Paulo Cesar de Azevedo Ribeiro, Tânia Manganelli .
"Nem Dilma nem Araujo participaram da ação, mas ambos estiveram envolvidos na sua preparação.", e Franklin Paixão de Araújo afirma que foi ele que levou, de Porto Alegre , o metalúrgico Delci Fensterseifer para abrir o cofre com maçarico. ( Revista Piauí - abril /2009)
(...) "Carlos Franklin Paixão de Araújo, deu um depoimento no DOPs de SP onde declarou que ficou em seu poder com 1.2 milhão de dólares, dividido "em três malas de 400mil dólares cada uma" e que o dinheiro ficou cerca de uma semana, "em um apartamento à rua Saldanha Marinho, onde também morava Dilma Vana Rousseff Linhares ". Araújo não quis comentar o depoimento ao Dops. E nem outros, como um de Espinosa, que fala em 720 mil dólares terem ficado com a organização, ou um outro militante, que chega à soma de 972 mil dólares. " (Revista Piauí - abril/ 2009).
Continuando a reportagem da revista trancreve-se o seguinte
:" Num dos inquéritos é dito que Dilma Roussef "manipula grandes quantias da VAR-Palmares. É antiga militante de esquemas subversivo-terroristas. Outrossim, através do seu interrogatório verifica-se ser uma das molas mestras e um dos cérebros dos esquemas revolucionários postos em prática pelas esquerdas radicais. (..)"
 Cerca de 1,2 milhões foram distribuídos pelas regionais, para aquisição de armas, "aparelhos" e carros, além da implementação das possíveis áreas de treinamento de guerrilha
O que é crível, pois, Dilma, segundo depoimentos, era encarregada da parte financeira da nova organização, juntamente com seu marido Franklin Paixão de Araújp - "Max" - ,  ambos pertencentes ao comando nacional
Sobre o destino da fortuna jamais se chegou à uma conclusão e Araújo declara na mesma  reportagem da Revista Piauí :
" É impossivel chegar a uma conclusão sobre isso que não tem mais importância nenhuma".
Com os dólares, com as armas e com os militante preparados, a VAR-Palmares nascia grande e prometia tornar-se a maior das organizações subversivas brasileiras.
Os conflitos ideológicos entre seus integrantes, originados de uma fusão que nunca desceu da cúpula dirigente às bases, acabariam por dividi-la e enfraquecê-la."
O "Racha" - VAR-Palmares  e  VPR
 Na noite de 29 de julho , de 1969, a nova organização , VAR-Palmares,  perdia dois expressivos militantes em tiroteio com policiais em um posto de gasolina da Barra Funda, capital paulista - Fernando Borges de Paula Ferreira e João Domingos da Silva, que faleceram . No tiroteio ficaram feridos três policiais - Francisco Rocha, José Roberto M. Salgado e Adriano Ramos, além do funcionário público Osmar Antônio da Silva.
As perdas ( prisões e mortes ) de militantes, além de permanentes conflitos entre a cúpula, levaram ao preparo do 1º Congresso Nacional da VAR-Palmares, com a redação das teses para serem discutidas no Congresso
 Em fins de agosto e início de setembro de 1969, começaram a chegar a Teresópolis os primeiros delegados enviados pelas organizações para representá-las : Seis integrantes do Comando Nacional da VAR-Palmares e nove delegados, eleitos pelas conferências regionais. Ao todo eram 16 militantes com direito a voto. Presente também, como delegado especial dos "deslocados", Apolo Heringer Lisboa -" Hélio Moreira "-. Sem direito a voto, seis outros militantes.
Sem serem convidados apresentaram-se como representantes de São Paulo os militantes da VPR ; José Raimundo da Costa e Celso Lungaretti, que por falta de credenciais  não foram aceitos
A equipe de manutenção e segurança era composta por 11 elementos. Muitos nem sabiam onde estavam, pois era comum levar os militantes vendados para os "aparelhos" ou  locais de congressos para garantir a segurança dos outros companheiros.
Durante o congresso, as discussões se prolongaram por todo o dia. Os foquistas defendiam as ações imediatas para derrubada do regime militar e imediata tomada do poder para implantar a ditadura marxista- leninista. Os massistas  defendiam a mobilização das massas, formando grandes exércitos populares e , com mais segurança, em um prazo maior fazer a revolução popular.
No dia 5 de setembro, receberam a notícia de que o embaixador dos Estados Unidos havia sido sequestrado.
 Durante 20 dias, 33 militantes discutiram , brigaram e por pouco quase não partiram para tiros e agressões físicas. Isso tudo, recheado de acirradas discussões políticas,  em que pretendiam discutir o futuro de duas das maiores organizações terroristas.
A motivação para luta armada era a mesma, mas as técnicas e o prazo para alcançá-las eram distintos. As divergências de pensamento político eram profundas. A linha sugerida pelo Colina teve maioria - a da revolução socialista, com a luta armada sendo realizada simultaneamente com a coluna guerrilheira no campo e a classe operária e segmentos populares atuando na cidade.
Diante dessas discordâncias, concretizou-se o " racha.". De um lado o grupo de
Dilma Rousseff, que apoiava as teses do antigo Comando de  Libertação Nacional - Colina-, continuou com o nome de VAR-Palmares; o grupo de Lamarca voltou a chamar-se Vanguarda Popular Revolucionário - VPR.
De volta ao Rio , o grupo que continuou na VAR-Palmares se reuniu em um apartamento  no Leblon, no início de outubro e, segundo Antônio Espinosa  elegeu a nova direção da VAR-Palmares formada por Carlos  Franklin Paixão de Araújo - "Max"-,  Antõnio Espinosa, Dilma Rousseff,  Carlos Alberto Bueno de Freitas - " Breno" -,  e Mariano Joaquim da Silva - " Loyola".
Nos meses seguintes a corrida das duas organizações para o aliciamento de novos militantes foi grande. Por ocasião do "racha", a VAR-Palmares possuía cerca de 300 militantes. No final de 1969, cerca de 100 permaneciam na VAR, 100 estavam presos e outros 100 estavam na VPR, ressurgida depois do racha. A VAR - Palmares havia perdido a oportunidade de tornar-se a maior organização subversiva brasileira.
Segundo a Revista Piauí , depois do "racha" ,
Dilma foi enviada para S Paulo. Lá alugou um quarto em uma pensão e o dividia com Maria Celeste Martins - que foi sua assessora na Casa Civil -, e segundo a mesma reportagem, Dilma em entrevista à Folha, em 2003, teria dito que:
 " Eu e Celeste entramos com um balde : eu me lembro bem do balde porque tinha munição. As armas, nós enrolamos em um cobertor. Levamos tudo para a pensão e colocamos embaixo da cama . Era tanta coisa que a cama ficava alta. Era uma dificuldade para nós duas dormirmos ali. Muito desconfortável. Os fuzis automáticos leves, que tinham sobrado para nós, estavam todos lá. Tinha metralhadora, tinha bomba plástica. (...)"

Em  21 de novembro  de 1969, Espinosa foi preso.
  Galeno, 1º marido de Dilma, no dia primeiro de janeiro de 1970, para comemorar o aniversário da Revolução Cubana sequestrou, em pleno vôo, um avião Caravelle da Cruzeiro do Sul, desviando-o para Cuba . Foi o 1º sequestro de um avião brasileiro. Partiparam dessa ação: James Allen Luz, Athos Magno Costa e Silva, Isolde Somer, Nestor Guimarães Herédia e Marília Gimarães Freire
Uma onda de prisões, entre elas a de José Olavo Leite Ribeiro, levou Dilma à prisão no dia 16 de janeiro de 1970.  Ela usava documentos falsos com os nomes de  Maria Lúcia dos Santos e Marina Guimarães Garcia de Castro .
Dilma mantinha três contatos semanais com José Olavo Leite Ribeiro  (por medida de segurança os militantes tinham os "pontos" marcados com antecedência). Preso, ao ser interrogado, José Olavo "entregou" um "ponto", em um bar, com Antônio de Pádua Pessoa, mesmo sabendo que Dilma poderia  aparecer, pois era um "ponto alternativo". Isso, realmente, aconteceu. Dilma "cobriu" o "ponto" e foi presa, quinze dias depois do sequestro do Caravelle.
A polícia desconfiou de um sinal feito por Olavo para Dilma e foi em cima.
Segundo José Olavo, "eles desconfiaram. e ela foi presa por que estava armada." ( Revista Piauí )
Ribeiro afirmou, também,  em entrevista a Luiz Maklouf Carvalho, autor do livro  Mulheres que foram á luta armada  ( Editora Globo), que Dilma estava armada.
Evidente, que, uma pessoa em sua posição  de liderança - comando nacional -, jamais estaria desarmada ao se dirigir a um "ponto".
Além de armas,  Espinosa , declara que eles carregavam inclusive cápsulas de cianureto  para tomar em caso de prisão ( Revista Época - 16/08/2010)
Franklin Paixão Araújo foi preso em 12 de agosto de 1970 e condenado a 4 anos de prisão, parte da pena cumprida em Porto Alegre. .
Dilma ficou presa durante quase três anos e  saiu do Presídio Tiradentes no final de 1973. Pouco depois, foi para Porto Alegre onde Franklin Paixão Araújo cumpria seus últimos meses de prisão.
 Deixo aos nossos leitores dados para que façam uma avaliação a respeito da responsabilidade da militante Dilma Rousseff ao aderir às organizações subversivo-terroristas
Em entrevistas à imprensa escrita e falada, Dilma tem afirmado que lutava pela derrubada  da ditadura, pela democracia e pela liberdade e que nesse regime
"muitas vezes as pessoas eram perseguidas e mortas... E presas por crime de opinião e de organização, não necessariamente por ações armadas. O meu caso não é de ação armada. O meu caso foi de crime de organização e de opinião". ( Folha de São Paulo )
Mesmo se fosse verdadeira a afirmação de que Dilma Rousseff não teria praticado nenhuma ação armada, essa afirmação não a eximiria da responsabilidade dos crimes praticados pelas organizações as quais aderiu, já que os militantes sabiam  ao ingressarem nas organizações  dos atos criminosos praticados - assaltos, assassinatos,  sequestros, "justiçamentos", atentados a bombas, sabotagens e outros crimes. Como os leitores podem observar, as pessoas  dessas organizações não eram presas por crime de opinião. Algumas, mesmo não participando dos atos propriamente ditos, eram presas por crime de apoio logístico, planejamento e  organização das ações armadas.
Vê-se, claramente, por declarações de seus maridos, de camaradas de armas, de seus companheiros, que, nas organizações em que militou: Polop, COLINA, e VAR-Palmares, Dilma, até a sua prisão, não se encarregava, apenas, de distribuir panfletos em porta de fábricas.
Fontes:
 Projeto Orvil
Revista Piauí ( abril /2009)
Folha de São Paulo
Revista Época ( 16/08/2010 ) 
A Verdade Sufocada - A História que a esquerda não quer que o Brasil conheça - Carlos Alberto Brilhante Ustra
 

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