Jornalista Augusto Nunes
Direto ao Ponto - Augusto Nunes - 03/11/2010
 Guerrilheiro de festim fuzila a verdade (1)
A biografia do companheiro José Dirceu é constantemente redesenhada pelo oportunismo crônico. Conforme as circunstâncias e conveniências, jura ter feito o que nunca fez ou nega ter sido o que foi. Ao ser despejado da Casa Civil, por exemplo,  exumou o guerrilheiro que só atirou com balas de festim para apresentar-se como “camarada de armas” de Dilma Rousseff.
No Roda Viva desta segunda-feira, convidado a justificar a guerra movida ao presidente Fernando Henrique Cardoso quando foi deputado federal, declamou a resposta espantosa: “Eu não era deputado no governo Fernando Henrique”.
Sem ficar ruborizado, acrescentou que se elegeu em 1978. Só se foi eleito Comerciário do Ano de Cruzeiro do Oeste, no interior do Paraná, onde se limitou a enfrentar a freguesia entrincheirado na caixa registradora do Magazine do Homem, com identidade falsa, entre 1973 e a decretação da anistia. Ele chegou ao Congresso em 1998, informa o próprio blog do entrevistado. Nos quatro anos anteriores, instalado na presidência do PT, comandara à distância as incontáveis manobras destinadas a abortar todos os projetos originários do Planalto. Nos quatro anos seguintes, sempre à beira de um ataque de nervos, lideraria a mais raivosa tropa oposicionista da história republicana.
A menos que um gêmeo univitelino tenha exercido o mandato e circulado pela Câmara com o nome do irmão, as fotos que ilustram o texto comprovam que o ex-deputado federal é capaz até de negar que foi deputado federal. Como se verá nos próximos posts, Dirceu  fuzilou reiteradamente a verdade em duas horas de programa. Melhor ignorar o que diz.

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