Com quase 500 mil funcionários, estatais lideram inchaço da máquina na era Lula
  Por Gustavo Patu  - Folha de São Paulo - 24/10/2010                                              
Entre 2002 e 2010, quadro funcional próprio das empresas públicas controladas pelo Tesouro Nacional cresceu 30%
Companhias foram levadas ao centro do debate eleitoral pela campanha da candidata petista Dilma Rousseff
A ampliação do funcionalismo da administração direta, das autarquias e das fundações se tornou uma das medidas mais controversas do governo Lula, mas foi nas estatais, cujos dados permaneceram quase incógnitos, que a administração petista promoveu sua política mais vigorosa de contratações.
Levadas pela campanha de Dilma Rousseff ao centro do debate eleitoral, as 118 empresas controladas pelo Tesouro Nacional não são apenas as principais responsáveis pela alta dos investimentos federais em infraestrutura; também superam, com folga, o aumento conjunto do quadro de empregados de ministérios, Presidência da República, universidades e agências reguladoras.
Em boa parte dos casos, os gastos com salários e encargos têm crescido mais que as receitas e os montantes destinados pelas empresas às obras e ao aumento de sua capacidade de produção.
Segundo levantamento feito pela Folha, o quadro de pessoal próprio das estatais cresceu 30% do final de 2002 até o ano passado, ou um contingente de 112 mil funcionários -o grupo Pão de Açúcar, apontado como maior empregador privado do país após a aquisição das Casas Bahia, tinha 137 mil ao final de 2009. O total de empregados das estatais chega a 481.836 pessoas.
Já o quadro de servidores civis ativos do Poder Executivo, que motivou acusações de "inchaço" da máquina administrativa, teve expansão de 14% no mesmo período, o equivalente a 67 mil contracheques a mais. O quadro global é de 552,9 mil.
Nos dois casos, o governo petista colheu dividendos políticos: entidades do funcionalismo público estão entre as principais bases do partido, e os empregados de empresas federais compõem sindicatos poderosos como os de bancários e petroleiros.
São justamente as gigantes dos setores bancário e petrolífero -Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Petrobras- que respondem por dois terços do aumento do quadro de pessoal das estatais sob Lula. As três são também protagonistas da propaganda de Dilma que atribui tendências privatistas ao tucano José Serra.
As justificativas oficiais para o aumento do quadro no Executivo têm sido mais ideológicas que administrativas: argumenta-se que Lula estaria reforçando o papel e a atuação do Estado, mas até hoje não foi apresentado um diagnóstico das eventuais carências do serviço público.
Sobre as estatais, as explicações são ainda mais vagas. Documentos do Ministério do Planejamento afirmam, sem detalhamento, que o aumento do número de empregados se deve ao crescimento econômico e à substituição de funcionários terceirizados. Procurada pela Folha, a pasta não se pronunciou.
As empresas do grupo Petrobras se valeram da subida dos preços do petróleo nos últimos anos, que contribuiu para a disparada das contratações e dos investimentos -a ponto de o grupo responder sozinho por 86% do volume total de investimentos que sustenta o discurso em favor das estatais.
Os bancos federais se beneficiam da alta rentabilidade do setor financeiro. Na disputa com Itaú e Bradesco pelo posto de maior do país, o BB ganhou cerca de 17 mil novos funcionários ao absorver Besc e Nossa Caixa, que antes pertenciam, respectivamente aos governos de Santa Catarina e São Paulo.
No conjunto das estatais encabeçado pelo grupo Eletrobras, os gastos com pessoal crescem mais que os investimentos e as receitas.

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