Faz-se qualquer negócio: compra ou troca de
 votos por cargos; promessas impossíveis.Depois
 de eleitos faremos as mudanças no programa. 
Por Kenneth Maxwell - Folha de São Paulo
A derrota da Dilma Rousseff no domingo passado aconteceu por margem pequena, mas mesmo assim foi derrota.
A aposta de que seria capaz de vencer no primeiro turno, com o apoio de Lula, fracassou e, como consequência inevitável, a dinâmica da campanha se transformou. Lula não conseguiu converter sua imensa popularidade em apoio suficiente a Dilma.
A disputa será intensa agora, especialmente pelos votos dos eleitores que apoiaram Marina Silva e que, em última análise, negaram a Dilma uma vitória fácil no primeiro turno.
Não está de forma nenhuma claro se Dilma ou José Serra serão os beneficiários de seus votos, mas a pressão de ambas as partes pelo apoio de Marina Silva e seus partidários será intensa. O jogo vai recomeçar.
Os resultados do primeiro turno também alteraram o balanço do poder. Os governadores tucanos eleitos em São Paulo e Minas Gerais agora terão importante papel de bastidores. É bastante provável que Fernando Henrique Cardoso venha a desfrutar de influência política renovada.
Além disso, muitas figuras influentes no cenário político foram derrotadas no primeiro turno, como os senadores Tasso Jereissati, Arthur Virgílio Neto e Marco Maciel, e não voltarão a Brasília em 2011.
Nas próximas três semanas, haverá intensas negociações políticas e muitas barganhas.
Muitas promessas serão feitas, e alianças serão criadas e rompidas, exatamente o que Lula e Dilma esperavam evitar.
Será que isso tudo é bom para a democracia brasileira? Em última análise, acredito que seja. Tanto Dilma como José Serra evitaram discussões detalhadas de programas reais no primeiro turno. Será mais complicado evitar as questões difíceis agora.
Vale recordar que Marina Silva, a despeito de sua longa afiliação ao PT, deixou o governo Lula depois de uma séria disputa com Dilma quanto à política ambiental. Suas preocupações com as consequências ecológicas negativas do desenvolvimento econômico não são fáceis de resolver.
Se Serra deseja conquistar os votos de Marina, terá de encontrar sua voz quanto a essas questões.
Evidentemente, o recente escândalo na Casa Civil de Lula teve impacto na votação para Dilma. Mas, acima de tudo, Marina Silva é evangélica, e o papel dos evangélicos nesta eleição -o elemento novo mais crescente- será notável.
Os evangélicos -cerca de 30 milhões de brasileiros- conduzirão uma campanha enérgica pela internet contra Dilma por causa de seu apoio ao aborto. E com esta oposição ao aborto a Igreja Católica concorda. Isso vai dar muito trabalho para o PT.
Uma coisa é certa. A campanha já não acontecerá sob anestesia.
KENNETH MAXWELL escreve às quintas-feiras nesta coluna.
A derrota da Dilma Rousseff no domingo passado aconteceu por margem pequena, mas mesmo assim foi derrota.
A aposta de que seria capaz de vencer no primeiro turno, com o apoio de Lula, fracassou e, como consequência inevitável, a dinâmica da campanha se transformou. Lula não conseguiu converter sua imensa popularidade em apoio suficiente a Dilma.
A disputa será intensa agora, especialmente pelos votos dos eleitores que apoiaram Marina Silva e que, em última análise, negaram a Dilma uma vitória fácil no primeiro turno.
Não está de forma nenhuma claro se Dilma ou José Serra serão os beneficiários de seus votos, mas a pressão de ambas as partes pelo apoio de Marina Silva e seus partidários será intensa. O jogo vai recomeçar.
Os resultados do primeiro turno também alteraram o balanço do poder. Os governadores tucanos eleitos em São Paulo e Minas Gerais agora terão importante papel de bastidores. É bastante provável que Fernando Henrique Cardoso venha a desfrutar de influência política renovada.
Além disso, muitas figuras influentes no cenário político foram derrotadas no primeiro turno, como os senadores Tasso Jereissati, Arthur Virgílio Neto e Marco Maciel, e não voltarão a Brasília em 2011.
Nas próximas três semanas, haverá intensas negociações políticas e muitas barganhas.
Muitas promessas serão feitas, e alianças serão criadas e rompidas, exatamente o que Lula e Dilma esperavam evitar.
Será que isso tudo é bom para a democracia brasileira? Em última análise, acredito que seja. Tanto Dilma como José Serra evitaram discussões detalhadas de programas reais no primeiro turno. Será mais complicado evitar as questões difíceis agora.
Vale recordar que Marina Silva, a despeito de sua longa afiliação ao PT, deixou o governo Lula depois de uma séria disputa com Dilma quanto à política ambiental. Suas preocupações com as consequências ecológicas negativas do desenvolvimento econômico não são fáceis de resolver.
Se Serra deseja conquistar os votos de Marina, terá de encontrar sua voz quanto a essas questões.
Evidentemente, o recente escândalo na Casa Civil de Lula teve impacto na votação para Dilma. Mas, acima de tudo, Marina Silva é evangélica, e o papel dos evangélicos nesta eleição -o elemento novo mais crescente- será notável.
Os evangélicos -cerca de 30 milhões de brasileiros- conduzirão uma campanha enérgica pela internet contra Dilma por causa de seu apoio ao aborto. E com esta oposição ao aborto a Igreja Católica concorda. Isso vai dar muito trabalho para o PT.
Uma coisa é certa. A campanha já não acontecerá sob anestesia.
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