Brasília sangra
Por  Paulo Rossi
Correio Braziliense - 29/09/2010 
Salvador Dalí era um maluco genial. Telas e
  
 Não é só Brasília! O Brasil
 sangra do norte ao sul 
esculturas oníricas, teses polêmicas, bigode obsceno, o mestre do surrealismo
criava obras que enganavam os olhos, com múltiplos significados e leituras diversas. Quando definimos algo como surreal, a remissão ao artista espanhol é obrigatória.
Pois nem Dalí seria capaz, em suas maiores viagens cerebrais, de imaginar um cenário tão estranho quanto o que vivemos no Distrito Federal a partir da abertura da Caixa de Pandora. A enxurrada de vídeos divulgados pelo meticuloso “diretor” Durval Barbosa produziu um roteiro ao mesmo tempo absurdo e real.
Brasília sangra em praça pública desde então.
São 10 meses de uma novela com trama político-policial rocambolesca, cheia de cenas inacreditáveis e sujeita a reviravoltas durante o percurso. Deputados distritais flagrados com dinheiro na bolsa e na meia. Oração de agradecimento a Deus pela propina nossa de cada dia. O presidente da Câmara Legislativa obrigado a renunciar.
Assistimos a outros capítulos palpitantes: a prisão e a cassação de um governador; o envolvimento do Ministério Público local nas entranhas do esquema de corrupção; o pedido de intervenção federal feito pela Procuradoria-Geral da República; a eleição indireta de um novo governador; a campanha eleitoral com um candidato impugnado pelo TRE e pelo TSE; o impasse jurídico em plena corte suprema, que mais parecia reunião de condomínio repleta de vizinhos beligerantes; a substituição, aos 45 minutos do segundo tempo, de um pretendente ao Buriti por sua digníssima esposa.
O tempero mais recente nesse caldeirão foi adicionado pelo TRE na última segunda-feira. Somente neste sábado, véspera do pleito, será julgado o registro da candidatura de Weslian Roriz. O eleitor do DF vai às urnas com a sensação de que foi chamado a participar de uma brincadeira de mau gosto.

 

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