Gen Ex  Armando L. M. de Paiva Chaves 
Ternuma Regional Brasília
 CRÔNICA 64  - 26 Set 2010
A uma semana da votação, previsões do pleito eleitoral registram ventos e tempestades. A campanha morna, sem piques de ataques, sem ênfase em programas para exercício do mandato, aqueceu-se repentinamente.
A indefinição do STF sobre a constitucionalidade da Lei da Ficha Limpa, depois do empate entre os ministros que votaram pró e contra, já levou um candidato a desistir de concorrer e também produzirá efeitos nos coeficientes de legendas do novo Congresso. .
O postulante Roriz ao governo do Distrito Federal abriu mão de disputar a eleição, em favor de sua esposa, indicada por ele para substituí-lo. Desencanto do eleitorado candango. Repete-se aqui o arranjo hereditário aplicado pelo casal Kirchner
O escândalo que teve como palco a Casa Civil da Presidência, engendrado e operado naqueles espaços nobres desde a chefia de Dilma, resultou nas exonerações da substituta, parentes e afins.  Interrompeu a marcha ascendente e constante da candidata produzida e promovida pelo primeiro mandatário.
.Declaração do chefe do governo, que promete “derrotar jornais e revistas que se comportam como partidos políticos” desencadeou o Movimento em Defesa da Democracia, impulsionado por figuras respeitáveis do pensamento nacional, incluindo petistas históricos, subscrito por milhares de cidadãos conscientes. Reunião no Clube Militar ouviu depoimentos de destacados jornalistas e pensadores, que registraram ameaças à liberdade de expressão e põem em risco o exercício democrático.
Os três acontecimentos podem gerar reações imprevisíveis no ânimo do eleitorado, até agora majoritariamente acomodado em suas escolhas. Repentinamente, foi sacudido por mais um caso de corrupção comandado de dentro do Palácio do Planalto, imitado nos governos de Tocantins, Amapá e Mato Grosso do Sul. Por denúncias documentadas de imposição da censura. Pelo desrespeito à sua vontade expressa de vedar o acesso a qualquer cargo eletivo de portadores de prontuários sujos.
Cabe recordar que a Lei da Ficha Limpa nasceu de uma campanha que angariou cerca de um milhão e meio de adesões para apresentar projeto de lei de iniciativa popular, acolhido, votado e sancionado pelo Congresso. A indefinição da corte suprema, em vésperas de eleição, frustra e revolta a cidadania, que pela primeira vez, na atual vigência constitucional, se mobilizara em iniciativa legiferante.
Embora provavelmente não atinja percentual tão significativo, alteração nas tendências de voto das últimas pesquisas também é sintoma de frustração e revolta. De decepção com um governo que faz candidata a chefe da Casa Civil e empossa sua auxiliar de maior hierarquia, logo desnudada por esquema de corrupção montado ainda no tempo da antecessora. Que alega ignorar o que se passava sobre seus tapetes, como sempre ocorre quando hostes petistas são flagradas em ilícitos.
Em contraposição, a candidata que ocupa o terceiro lugar nas preferências do eleitorado sai de uma imobilidade de 9 a 10% para crescer, de supetão, três a quatro pontos. E sua maior bandeira é o procedimento ético inatacável.
Tudo posto num cadinho, o amálgama resultante poderá afastar a quase certeza anunciada de vitória da candidata oficial já no primeiro turno. Se houver segundo turno, as novas circunstâncias apontadas, já amadurecidas nas mentes e nos critérios do eleitorado, influirão decisivamente na campanha. Poderá haver uma reversão até aqui desconsiderada.
É uma esperança a alimentar. A esperança de interromper a continuidade do petismo corrupto no poder. A esperança de castigar a irreverência de um chefe de governo, que faz letra morta do múnus do cargo, da imparcialidade que deveria guardar, para promover sua candidata em comícios e atos públicos, investindo contra a imprensa livre. A esperança de salvar o país de uma governante inconfiável, pelo passado de terrorismo e truculência, pelo exercício administrativo de mentira recorrente, pela ideologia socialista-marxista nunca renegada, que exalta os extremismos cubanos, venezuelanos, bolivianos e afins.
Resta uma semana. Para esperar e torcer.
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