Ternuma Regional Brasília
Gen Ex Armando L. M. de Paiva Chaves
Nos dias que correm, o jargão dos integrantes de governo e seus apoiadores ou simpatizantes inclui o adjetivo republicano em todas as ações tidas como politicamente corretas. Também é republicana a iniciativa de mandar averiguar atos eticamente incorretos praticados por seus integrantes e funcionários, mesmo quando precedidos de desculpas esfarrapadas que protegem os envolvidos, seguidas de averiguações que, sistematicamente, nada concluem.
É flagrante o exemplo recente, no auge da campanha eleitoral. Veja-se o andamento da investigação sobre quebra de sigilo fiscal de figuras da oposição e seus familiares, que se encaminha para culpar os funcionários envolvidos de participarem de um mercado de propinas, sem qualquer conotação política.
Que ação republicana foi adotada ao defenestrar a máfia familiar chefiada pela ocupante do segundo cargo de maior autoridade do governo, a chefia da Casa Civil? Levá-la a exonerar-se, muito bem. Emitir censura pública por não ter apresentado declaração de bens próprios e dos familiares quando assumiu o cargo, porque só agora? Comprometer um denunciante, exibindo folha corrida de indiciamentos, para desmerecer sua credibilidade e aliviar o peso de culpa daqueles que o achacavam, será isso um procedimento republicano?
Os atos de arbítrio praticados por um presidente apeado do poder depois de afogado num mar de corrupção, que no alvorecer de seu governo seqüestrou a poupança de todos os brasileiros para “salvar” a economia do país não foram adjetivados de republicanos, por que não era moda, naquele tempo. Se fosse, certamente o seriam. A evolução de sua administração, marcada pelo autoritarismo e minada por um propinoduto de escala diluviana levou o povo às ruas para exigir seu afastamento.
E este mesmo povo não aprendeu com o exemplo. Não enxerga o autoritarismo que desrespeita o Judiciário. Que afaga ditadores e aplaude governantes carrascos dos direitos humanos de seus governados. Que serviliza o Legislativo comprando seus integrantes com o mensalão desviado do dinheiro dos contribuintes. Que determina o engavetamento de todas as suspeitas de enriquecimento criminoso de seu filho Lulinha. Que deixa de lado a postura de juiz imparcial, mesmo que simpatizante de uma facção, no embate eleitoral, para empenhar-se como militante de comícios. Que não desiste de censurar a imprensa livre, justificando a violência pretendida como necessidade de seu “controle social”. A julgar pela aprovação que as pesquisas revelam, deve estar politicamente correto, exaltado pela postura republicana. 
A Casa Civil tem sido o cenário das maiores falcatruas ocorridas dentro do atual governo. Concebido e comandado pelo então ministro José Dirceu, ali nasceu o escândalo do “mensalão”. Sob as ordens da então ministra Dilma, sua secretária executiva Erenice rompeu sigilos e deu publicidade a dossiê de gastos pessoais de ex-presidente e sua família, classificando-o, eufemisticamente, de “banco de dados”. Agora, substituta da candidata, a demitida ministra era o pivô de uma escabrosa quadrilha familiar que atraía candidatos a contratos com o governo e a empréstimos oficiais, para oferecer facilidades, mediante pagamento de alentadas taxas de sucesso e milionários percentuais de participação, não raro remunerados dentro das dependências do Palácio do Planalto. Nos dois primeiros casos, os culpados permanecem impunes em seu status civil e em suas contas bancárias. Não surpreenderá que no terceiro ocorra o mesmo, nos procedimentos republicanos em vigor.
A postulante à presidência, sob cuja gestão tiveram início os achaques, recebeu de seu inventor e do partido que a apóia a mais impenetrável blindagem. São regras de ouro da administração petista amealhar dinheiro por qualquer expediente, mesmo que criminoso, e promover a impunidade dos executores.  Nunca se saberá se teve participação, assim como nunca se soube que destino deu aos milhares de dólares do cofre roubado de Adhemar de Barros.  É assunto em que nunca toca. E o escândalo recente, classifica-o como “um factóide”.
São essas as atuais posturas republicanas em exercício, de um partido que intenta a continuidade no poder na pessoa de uma estreante na política, de condenável passado extremista, exercício administrativo manchado por erros graves de autoritarismo e programa de governo que, quando raramente explicitado, deixa temerosa a cidadania.
Pobres cegos que lhe derem seu voto. Não sentem o odor fétido da podridão republicana.

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