1- Os negócios de Erenice
Ministra da Casa Civil teve duas empresas quando já ocupava cargos no governo
Fábio Fabrini e Jailton de Carvalho - Brasília
Acusada de escalar uma laranja para o seu lugar numa empresa que atuaria em segurança e arapongagem, a ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, foi sócia direta de outras duas empresas enquanto ocupava cargos no governo Lula, a partir de 2003. Paralelamente às funções de consultora jurídica do Ministério das Minas e Energia e de secretária-executiva da Casa Civil, ela foi dona da Razão Social Confecções e da Carvalho Guerra e Representações, firmas com sede em Brasília. (...)
(...) Ministra: empresa nunca operou
Ontem, o jornal “O Estado de S.Paulo” mostrou que a ministra teria usado uma laranja para criar uma terceira empresa.
Trata-se da Conservadora Asa Imperial, aberta em 1997 em nome de Israel Guerra e da professora Geralda Amorim de Oliveira, cujo nome foi usado só para montar a empresa.(...)
A Polícia Federal deverá, até sexta feira, abrir inquérito para investigar o suposto envolvimento de Israel, filho da ministra, em tráfico de influência no governo. Israel é acusado de intermediar a renovação de um contrato da Master Top Airlines, empresa de transporte aéreo, com os Correios. A PF apurará ainda se há indícios contra a ministra. Mas, neste caso, a decisão de abrir inquérito caberia ao Supremo Tribunal Federal, a partir de parecer do procurador-geral da República, Roberto Gurgel.(...)
2-Ministra admite almoço com Baracat
Erenice e empresário negam, porém, que tenham tratado de assuntos profissionais
Cristiane Jungblut, Luiza Damé, Fábio Fabrini e Roberto Maltchik - O Globo
BRASÍLIA. Assessores da ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, confirmaram que ela se encontrou com o empresário Fábio Baracat, que seria representante da Master Top Airlines, empresa de transporte aéreo que estava em negociação com os Correios. Mas garantiram que ela foi apenas convidada pelo filho Israel Guerra para o encontro com um amigo dele, e que não foram tratados assuntos profissionais. O próprio empresário, ao divulgar nota contestando a reportagem da revista “Veja”, confirmou conhecer Erenice, mas alegou que era de forma superficial.
Antes da renovação do contrato, Israel Guerra teria patrocinado quatro encontros entre o empresário Fábio Baracat com Erenice. Os encontros teriam ocorrido na casa da exministra, fora do expediente. A ministra nega que tenha tomado qualquer medida para facilitar os negócios da empresa nos Correios.
Ontem, assessores do Palácio do Planalto também confirmaram que Israel Guerra recebeu de Fábio Baracat, por transferência bancária, um pagamento supostamente relativo a serviços de consultoria. Os assessores não entraram no mérito da atuação do filho da ministro junta a empresas públicas e privadas.
Empresa para operar suposto lobby funcionou só 13 meses A empresa usada por Israel Guerra para operar o suposto lobby no governo, a Capital Assessoria e Consultoria Empresarial, teve vida curta e encerrou suas obscuras atividades semanas antes de estourar o escândalo na Casa Civil.
Aberta em 6 de julho de 2009, fechou as portas no mês passado.
Conforme documentos da Junta Comercial do Distrito Federal, o ato de extinção é de 10 de agosto.
Tão curta quanto a existência da Capital foi a experiência de Israel como consultor com trânsito nos altos escalões da administração federal.
Para a meteórica função de lobista, ele se valeu da permanência de um ano em cargo comissionado na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), ao qual chegou por indicação da ex-diretora Denise Abreu. Foi essa experiência, segundo fontes ligadas à família Guerra, que o levou a se aproximar de Fábio Baracat.
Graças à parceria, segundo “Veja”, a Master Top Linhas Aéreas (MTA) conseguiu, em poucos dias, renovar sua licença na Anac para poder voar, transportando cargas aéreas. (...)
3-Anac renovou contrato apesar de alerta
Relatório técnico citava risco de inadimplência e de descontinuidade dos serviços da MTA, além de falta de documentos
Geralda Doca - O Globo
BRASÍLIA. O processo da Master Top Airlines (MTA) na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), sobre o pedido de concessão de transporte aéreo de carga, aponta a existência de uma série de problemas na empresa, que vão da má gestão e dificuldades de caixa até risco de “descontinuidade” do serviço.
Mesmo assim, a diretoria do órgão regulador renovou o contrato da companhia, ampliando o prazo de três anos para dez anos.“(...)
4-Erenice controla direção dos Correios
Ministra pressionou para que comando da estatal fosse trocado e indicou o presidente e o diretor de Operações
Gerson Camarotti, Martha Beck e Evandro Éboli - O Globo
BRASÍLIA. A forte atuação da chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, nos últimos meses, para mudar o comando dos Correios — o que ocorreu no final de julho — virou motivo de grande desconforto e preocupação no Palácio do Planalto. Já há o reconhecimento de que Erenice operou, não só para efetuar mudanças na estatal, como, na prática, passou a controlar os Correios.
A empresa está subordinada ao ministro das Comunicações, José Artur Filardi. No entanto, hoje Erenice tem ascendência direta sobre os dois principais cargos da estatal: o presidente David José de Matos e o diretor de Operações, o coronel Artur Rodrigues Silva.
Os dois são indicações pessoais da ministra.
Ontem, interlocutores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentavam que, na ocasião, o núcleo do Palácio do Planalto se surpreendeu com a forma decisiva com que Erenice agiu para realizar as substituições na empresa.
Lula aceitou recomendações
O filho de Erenice praticou lobby no governo em favor de uma prestadora de serviços dos Correios, novas dúvidas surgiram ontem no Planalto — incluindo a razão que a ministra teve para agilizar as mudanças na estatal. A decisão de mudar a diretoria do órgão foi tomada na última semana de julho pelo presidente Lula, com o objetivo de estancar uma crise de gerenciamento na empresa.
Na ocasião, Lula seguiu a recomendação de Erenice. (...)

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