Lula está do nosso lado ! 
Valor Econômico - 29/07/2010  
O presidente venezuelano, Hugo Chávez, voltou a tocar os tambores da guerra, depois de o governo colombiano ter denunciado a presença, em solo vizinho, de 87 acampamentos e 1.500 soldados das Forças Armadas Revolucionárias Colombianas (Farc). A reação de Chávez à documentação apresentada na Organização dos Estados Americanos (OEA) foi o rompimento das relações diplomáticas e, em seguida, um festival de acusações paranoicas, com o intuito de mobilizar o país em torno de si.
O líder bolivariano cancelou sua viagem a Cuba no fim de semana porque disse dispor de informações que indicavam a possibilidade de uma invasão da Venezuela por tropas colombianas. No domingo, ameaçou não vender mais uma gota de petróleo aos Estados Unidos, ainda que os venezuelanos tivessem de "comer pedras". Os EUA consomem 40% das exportações do produto venezuelano e, se cumprida a ameaça, Chávez colocaria seu país mais perto do caos econômico e da bancarrota. A Venezuela é a única nação do continente que continuará em recessão, com as previsões para a queda do PIB oscilando entre 3% e 6%, após recuo de 3% em 2009. Sua inflação é uma das mais altas do mundo: 25% em 2009, com chances de atingir 40% em 2010.
A errada e incompetente administração da economia está minando o prestígio de Chávez à medida que se aproxima um dos pleitos mais importantes para a continuidade de seu governo. Em setembro, haverá eleições parlamentares e o Congresso deixará de ser inteiramente controlado por seus adeptos, graças à monumental estupidez das oposições venezuelanas. É possível que o presidente mantenha a maioria, mas terá de conviver com um bom contingente de parlamentares de partidos que se opõem a seu governo.
As acusações contra Chávez de acobertar as Farc foram inesperadas. Álvaro Uribe deixa a Presidência da Colômbia em 7 de agosto e, com seu ato, colocou limites à aproximação que estava sendo ensaiada por Juan Manuel Santos, seu sucessor e ex-ministro da Defesa de seu governo. Santos parece ter se inclinado para uma abordagem pragmática em relação a seu vizinho encrenqueiro. Depois que as relações entre os dois países se deterioraram de vez, quando tropas colombianas foram caçar membros das Farc em território do Equador, Chávez buscou reorientar o comércio para isolar a Colômbia. Estima-se que as exportações da Colômbia para a Venezuela tenham caído de US$ 6,5 bilhões para algo em torno dos US$ 2,5 bilhões.
O conflito será agora desarmado em reunião da Unasul marcada para hoje. A Colômbia propôs à OEA a criação de uma comissão internacional para investigar a presença de tropas das Farc em território venezuelano, algo que não irá ocorrer. O Departamento de Estado dos EUA achou essa uma boa ideia. O Brasil entrará em cena na intermediação. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai se encontrar com Hugo Chávez e em seguida participar da reunião da Unasul.
A posição brasileira é evitar o confronto a todo custo, embora suas simpatias não estejam com o governo colombiano, e sim com Chávez, que não tem antagonismo ideológico relevante com as Farc. O Brasil, sempre que pode, tem evitado condená-las. Para o presidente eleito Juan Manuel Santos, é pouco provável que alguma ação concreta internacional seja tomada contra Chávez, até porque ele conta com o apoio indulgente de Argentina e Brasil, as duas maiores potências regionais. Sua tentativa discreta de aproximação com Chávez, por outro lado, procurou romper com um isolamento que a aliança da Colômbia com os Estados Unidos provocou na região no mandato de Uribe.
A diplomacia pragmática de Santos poderá ser um fator decisivo para que as relações entre os dois países voltem a um nível pacífico de intolerância. O próprio Chávez não parece estar disposto a levar à frente sua fanfarronice. Nos últimos dias, ele afirmou que as Farc deveriam deixar de existir, porque não conquistarão o poder em prazo previsível e porque "o mundo de hoje não é o dos anos 60". Além disso, enviou seu chanceler em um périplo por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai para defender um "plano de paz" - cujos detalhes não foram divulgados. Do lado colombiano, há disposição de apaziguamento, que se intensificará com a saída de Uribe. Ao que tudo indica, tudo não passará de mais uma das falsas batalhas criadas por Hugo Chávez.

 
 

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