Tim Cahill Anistia Internacional
Para entidade, julgamento favorável à Lei da Anistia 'é uma afronta à memória dos milhares que foram mortos
Paulo Vannuchi: para ele, caso reforçará criação da Comissão da Verdade
SÃO PAULO e BRASÍLIA.
A Anistia Internacional condenou ontem a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de considerar válida a Lei da Anistia, que perdoa crimes cometidos na ditadura tanto por agentes do Estado quanto por opositores do regime. "A decisão coloca um selo judicial de aprovação aos perdões estendidos àqueles no governo militar que cometeram crimes contra a humanidade", afirmou, em comunicado, o pesquisador da Anistia Internacional para o Brasil, Tim Cahill.
"Isto é uma afronta à memória dos milhares que foram mortos, torturados e estuprados pelo Estado que deveria protegê-los. Às vítimas e a seus familiares foi novamente negado o acesso à verdade, à justiça e à reparação", escreveu. (...)"
(...) Paulo Vannuchi, da Secretaria Nacional de Direitos Humanos, disse ontem que, mesmo sendo contra a decisão do STF, acredita que o julgamento do caso vai reforçar a
 
               Paulo Vannuchi   
criação da Comissão da Verdade e ajudar a esclarecer crimes cometidos durante a ditadura. Para o ministro, os votos de boa parte dos ministros e o advogado-geral da União, Luis Inácio Adams, referendaram a investigação dos crimes, mesmo que os culpados não sejam punidos por conta da anistia:
- Decisão do Supremo a gente respeita sempre, embora minha opinião fosse diferente. Mas louvo bastante os votos dos ministros Ayres Britto e Ricardo Lewandowski e o fato de que muitos deles e o advogado-geral da União enfatizaram a importância desse empenho para aprovarmos no Legislativo a Comissão da Verdade. (...)
Observação do site www.averdadesufocada.com.br :
 O senhor Tim Cahill conhece pouco a história da luta armada no Brasil. Onde ele encontrou esses milhares de mortos , torturados e estuprados?
Nas relações oficiais  existentes, o número de mortos e desaparecidos é variável. O Dossiê de Mortos e Desaparecidos Políticos relaciona 296; o Grupo Tortura Nunca Mais lista 358; perante a Comissão criada pela Lei 9.140, até 1996, foram protocolados 360 pedidos de indenização.
Tais diferenças, associadas aos critérios subjetivos apresentados pelos responsáveis pelas relações, não nos permitem concluir, com alguma precisão, quanto ao número de mortos pela ação dos órgãos de segurança do Estado.
Existem casos listados de mortos em confrontos com os órgãos de segurança; escaramuças de rua - balas perdidas, atropelamentos, etc -, casos de “justiçamentos” pelos próprios companheiros; disparos acidentais por armas portadas pela vítima; casos de mortes por explosões, ao portarem ou manusearem explosivos; casos de acidentes de trânsito; casos de conflitos agrários; casos de câncer; 8 falecimentos no exterior; e 13 desaparecimentos no Chile, na Bolívia e na Argentina que, inegavelmente,  são impossíveis de atribuir-se responsabilidade ao Estado. Alguns deles vamos relacionar abaixo, sem que isso, no entanto, queira dizer que os restantes, em sua totalidade, sejam reconhecidos como de responsabilidade do Estado.
-  Cel Aviador Alfeu de Alcântara Monteiro - morto ao atentar contra a vida de um superior;
- Rosalindo de Souza - “ Mundico” - PCdoB - “justiçamento” pelos próprios companheiros;
- Ary Rocha Miranda - ALN - “ justiçamento” pelos próprios companheiros.
- Amaro Luiz de Carvalho - PCR - “ justiçamento” pelos próprios companheiros.
- Joaquinzão - Não identificado oficialmente.
- Pedro Carretel - Não identificado oficialmente.
- Bernardino Saraiva - 2º sargento do Exército (nome verdadeiro Venaldino Saraiva) - suicidou-se no 19º RI, depois de ferir 2 militares que foram prendê-lo.
- Sebastião Gomes da Silva - Conflito agrário.
- José Inocêncio Pereira - Conflito agrário.
- José Soares dos Santos - Morte sem motivação política - a família não pediu indenização - era irmão de Alberi Vieira dos Santos.
- Alberi Vieira dos Santos - Investigava a morte do irmão, ocorrida em 1977, e teria sido morto, em 1979, ao anunciar a descoberta dos assassinos. Segundo o relator perante a    Comissão Especial, Nilmário Miranda, sua morte não teve motivação política.
- Raimundo Ferreira Lima - Conflito agrário.
- Wilson Souza Pinheiro - Conflito agrário.
- Afonso Henrique Martins Saldanha - PCB - Preso, por 42 dias, em 1970. Faleceu de câncer quatro anos depois de libertado, em 1974.
- Antônio Carlos Silveira Alves - estudante. Morto em escaramuças de rua quando a arma que portava disparou, acidentalmente, atingindo-o no estômago.
- Catarina Abi-Eçab e Antônio Abi-Eçab - VPR - Morreram em acidente de carro na BR -116, próximo a Vassouras (RJ).
-  Íris do Amaral - Dona de casa, consta da lista de Vítimas do Terrorismo no Brasil. Passageira de um táxi que foi metralhado por terroristas. Na ocasião, outras cinco pessoas ficaram feridas, entre elas uma criança de 8 anos.
- João Barcelos Martins - Sem referências.
- Luiz Affonso Miranda da Costa Rodrigues - ALN - Morto acidentalmente por Mário Prata - MR-8 - (Guarany, Reinaldo - A Fuga - página 16).
- Newton Eduardo de Oliveira - PCB - Suicídio - não existe nenhuma ligação de seu nome com órgão policial ou de segurança.
- Ishiro Nagami e Sérgio Correia - ALN - Mortos na explosão de um Fusca onde transportavam grande quantidade de explosivos - Av. Consolação, São Paulo. Até hoje não se sabe onde iriam praticar o atentado a bomba.
- Silvano Soares dos Santos - MNR - No seu atestado de óbito consta que morreu em casa, por caquexia. Segundo o Dossiê de Mortos e Desaparecidos Políticos a partir de 1964, “sua morte não está diretamente relacionada a agentes de repressão”.
- Zuleika Angel Jones - Acidente de carro no Túnel Dois Irmãos, RJ. 
- Ângelo Pezzuti da Silva - VPR - Acidente de moto, em Paris, na França.
- Carmen Jacomini - VPR - Acidente de carro - na França.
- Djalma Carvalho Maranhão - Parada cardíaca - no Uruguai.
- Gerosina Silva - Câncer - na Alemanha.
- Maria Auxiliadora Lara Barcelos - VAR-Palmares - Suicídio - jogou-se nos trilhos do metrô - Alemanha.
- Nilton Rosa da Silva - Manifestação de rua no Chile.
- Therezinha Viana de Assis - Suicídio - jogou-se de uma janela - Alemanha.
- Tito de Alencar Lima (frei) - Suicídio - enforcou-se em uma árvore em Lyon, na França.
 
  
            Conto a verdade ?
O senhor Paulo Vannuchi, que anseia tanto pela aprovação no Legislativo da  Comissão da Verdade, deveria ser o primeiro a esclarecer ao Sr Tim Cahill  o verdadeiro número de mortos e em que circunstância ocorreram essas mortes. Seria também interessante que a Comissão da Verdade abrisse os arquivos dos "resistentes"  e o Sr Paulo Vannuchi    tivesse a dignidade, como Ministro da Secretaria Nacional dos Direitos Humanos, de lembrar os direitos humanos das vítimas da luta insana que seus companheiros de ideologia  vermelha impuseram aos brasileiros.
Fonte. " A Verdade Sufocada - A história que a esquerda não quer que o Brasil conheça" - Carlos Alberto Brilhante Ustra

 

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