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Categoria: Corrupção
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Por Alberto Bombig - Revista Época
 A bancarrota de cooperativa habitacional tira o tesoureiro do partido da campanha de Dilma Rousseff 
Dilma Rousseff assumiu a candidatura do PT ao Palácio do Planalto há duas semanas. Mesmo nesse curto período, ela e o partido foram obrigados a defender José Dirceu, seu antecessor na Casa Civil, Fernando Pimentel, ex-prefeito de Belo Horizonte, e o sindicalista João Vaccari Neto das acusações de tráfico de influência, desvio irregular de recursos e gestão fraudulenta, respectivamente. Os três integram a cúpula do partido ou o comando da campanha de Dilma.
O caso mais recente é o de Vaccari, escolhido tesoureiro do PT com a bênção de Lula. Até o começo da semana passada, ele era cotado para comandar também as finanças da campanha de Dilma. Hoje, está fora dos planos para a arrecadação de recursos
Tudo por conta da Bancoop, a Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo, que Vaccari comandou e deu calote em 3 mil associados que entraram na
 
 João Vaccari e o escândalo Bancoop
cooperativa na expectativa de adquirir imóveis. Entre eles, está o presidente Lula, que aguarda a conclusão de um apartamento no Guarujá, no litoral paulista, obra assumida pela empreiteira OAS.
Na terça-feira passada, a Assembleia Legislativa de São Paulo abriu uma CPI para investigar a bancarrota da Bancoop, que lançou 53 empreendimentos. Dezenove não saíram do papel e dez estão apenas com os esqueletos dos edifícios em pé. O promotor José Carlos Blat, do Ministério Público de São Paulo, aponta como causa dos calotes um desvio de R$ 100 milhões. Os recursos teriam ido para o PT e seus dirigentes. Vaccari nega e alega problemas de gestão.
Dilma e o PT saíram em defesa de Vaccari e acusaram o Ministério Público e o PSDB paulista, responsável pela CPI, de “requentarem” com objetivos eleitorais uma denúncia velha e sem provas – a investigação do caso começou em 2007. A Justiça de São Paulo, de fato, negou o pedido de bloqueio de bens da Bancoop e determinou que Blat demonstre a necessidade de quebrar os sigilos bancário e fiscal de Vaccari.
O estrago político, no entanto, já está consumado. O bombardeio recente, com base em suspeitas que datam do período anterior à indicação de Dilma ao posto de pré-candidata, suscitou no núcleo mais próximo da chefe da Casa Civil dúvidas e temores: quantos esqueletos do PT podem ser retirados do armário para assustar o eleitor até o final da campanha? A julgar pela vida pregressa do PT e pelos problemas da oposição, que acompanha a alta de Dilma nas pesquisas, as projeções são sombrias para ela.
Um potencial problema da candidata é o caso do mensalão (transferência de recursos a parlamentares
  
       Ele também não sabe de nada!!!
em 2005), que está no Supremo Tribunal Federal. Desde novembro, repousa na mesa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva um questionário da Procuradoria-Geral da República sobre o escândalo. A abrangência do caso é tamanha que o nome de Pimentel, ileso em 2005, foi parar no processo sob suspeita de caixa dois, acusação que ele nega. Dirceu, réu no processo, foi envolvido na denúncia de ter recebido, a título de “consultoria”, R$ 620 mil, entre 2007 e 2009, do empresário Nelson dos Santos, que tinha interesse em negócios com o governo.
Com tantas suspeitas, surgiu entre os petistas a ideia de buscar alguém fora do partido para comandar a arrecadação da campanha. Diante do bom relacionamento desenvolvido pelo governo Lula com as grandes empresas nacionais, a maior credencial do escolhido para a missão será a capacidade de manter distância dos escândalos insepultos do PT.