Hamilton Lacerda de novo no PT depois
 do escândalo de 2006.
Ex-assessor de Mercadante, Lacerda participou da tentativa de comprar falso dossiê contra tucanos em 2006
Tatiana Farah- O Globo
SÃO PAULO. Chamado de "aloprado" pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-dirigente do PT e ex-assessor do senador Aloizio Mercadante Hamilton Lacerda voltou a se filiar ao partido. Envolvido no caso do dossiê contra os tucanos em 2006, Lacerda havia se desfiliado. Seu retorno, acolhido pelo diretório petista de São Caetano, no ABC Paulista, com a bênção do prefeito de São Bernardo, o ex-ministro Luiz Marinho, caiu como uma bomba no colo dos dirigentes nacionais do PT ontem. A direção nacional petista diz que quer barrar a refiliação de Lacerda.
Em 2006, durante o escândalo do chamado "dossiê dos aloprados", Lacerda entregou ao diretório nacional sua carta de desfiliação. Agora, está de volta. O que irritou os petistas em São Paulo foi saber da filiação de Lacerda pela imprensa do ABC (o assunto foi notícia no jornal "Diário do Grande ABC", de Santo André).
-Dirigentes ouvidos pelo GLOBO sequer sabiam que estava em curso, desde janeiro, a aproximação do ex-assessor de Mercadante com o partido
  

   Dinheiro apreendido pela PF -
   R$ 1,7 milhão

Não é assunto local, mas nacional. A volta do Hamilton traz à tona um assunto que o PT quer esquecer: o dossiê de 2006, que afundou a campanha de Mercadante em São Paulo e levou as eleições presidenciais para o segundo turno - afirma um dirigente petista que pediu para não ser identificado.
Lacerda consta como réu no processo que tramita em Mato Grosso e apura o caso da venda do dossiê. O nome retirado do caso foi o de Mercadante. Lacerda foi flagrado pelas câmeras com uma bolsa, entrando no Hotel Ibis, onde estavam hospedados Gedimar Passos e Valdebran Padilha, presos em 2006 com mais de R$1,7 milhão - dinheiro que, segundo a PF, seria usado para pagar um dossiê contra políticos tucanos. Segundo a PF, ele carregava na bolsa o dinheiro que seria usado para a compra dos documentos de Luiz Antonio Vedoin, dono da Planam, beneficiada com venda irregular de ambulâncias.
Então coordenador da campanha de Mercadante ao governo paulista, Lacerda deixou o trabalho na eleição e o PT. Admitiu, em nota, ter conversado com a revista "IstoÉ" sobre o dossiê, mas negou ter participado do crime ou carregado o dinheiro.
Nos bastidores, afirma-se que sequer o presidente Lula, que é de São Bernardo e tem em Marinho um de seus fieis companheiros, sabia da volta de Lacerda. O presidente do PT, José Eduardo Dutra, teria sido surpreendido, assim como o coordenador da corrente CNB (Construindo um Novo Brasil), Francisco Rocha, o Rochinha:
- Soube hoje pela matéria que saiu no ABC e estou fazendo uns telefonemas para saber o que aconteceu - disse.
- A volta do Hamilton causou constrangimento nacional. O PT do ABC não calculou a repercussão do caso. Agora não aparece quem articulou essa volta - reclamou uma liderança petista ouvida pelo GLOBO.
Marinho não quis falar sobre o caso. Anteontem, afirmou:
- O PT está aberto para recepcionar homens e mulheres de bem que querem estar no partido e concordem com o estatuto. Hamilton Lacerda é uma das lideranças, até porque não responde a nenhum processo. Não tem por que estar fora do partido - disse Marinho.
O GLOBO procurou Lacerda, mas ele não foi encontrado. Mercadante, segundo assessores, passou o dia fazendo exames médicos.

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