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Categoria: Diversos
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 NENHUMA CORRENTE É MAIS FORTE QUE O SEU ELO MAIS FRACO

Por Osmar José de Barros Ribeiro

Hoje em dia, vivemos uma crise de valores a qual, sem medo de errar, pode ser exemplificada pela violência que, a partir dos grandes centros, espraia-se pelo País em ondas concêntricas. A sociedade como um todo preocupa-se com ela. Todos, independente da condição social, buscam explicações para suas causas e caminhos para reduzi-la. 

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A origem de tudo, salvo melhor juízo, está em que, envenenada por idéias de fundo ideológico, a coletividade nacional passou a aceitar a luta de classes como axioma e, em conseqüência, a sentir-se culpada pela pobreza, pelo desemprego, etc. Assim, quando em 2006 o PCC (Primeiro Comando da Capital) lançou em São Paulo uma onda de violência voltada contra policiais civis e militares, muitos “estudiosos” apressaram-se a declarar que a reação das autoridades fora um “atentado contra os direitos humanos”, ainda que entre boa parte da população o sentimento fosse outro.

A recente e selvagem morte de uma criança no Rio de Janeiro, arrastada pelas ruas da cidade por jovens bandidos sem qualquer sentimento de humanidade, entre eles um menor de idade, ressuscitou um castigo medieval reservado a criminosos empedernidos e, novamente, trouxe à tona a discussão quanto ao que fazer para deter a onda criminosa que se alastra pelo País.

Então, mais uma vez, a grande mídia deu guarida a declarações estapafúrdias de pessoas (inclusive de autoridades) que, certamente movidas pelo já citado ranço ideológico, insinuaram - quando não afirmaram textualmente – ser a violência fruto da “injustiça social”. A ser verdade tal absurdo, teríamos de concluir que todo pobre é um marginal em potencial e isto, sem dúvida, está longe, muito longe, de ser verdade. As causas são bem outras e tão diversas que um simples artigo não pode abrangê-las todas. Assim, ficaremos apenas em uma delas, talvez não a principal, mas, nem por isso, menos importante.

Se for fato que a maioria esmagadora dos transgressores dá seus primeiros passos na senda do crime quando jovens, não é menos certo que as soluções devem, em conseqüência, estar voltadas para a criança e para o adolescente, independente de suas origens sociais e situação financeira. Nesse sentido, pesquisas recentes e idôneas revelam existir entre eles baixos índices de solidariedade e de inserção social. Em outras palavras: seus projetos de vida não contemplam o ajudar o outro sem esperar nada em troca e, muito menos, a necessidade de interagir com outras pessoas além daquelas que já conhecem como, por exemplo, família e amigos.

A referida pesquisa mostrou que, entre os adolescentes pesquisados, existem fracos valores morais (numa clara demonstração de imaturidade egoísta) e o sonho de sucesso baseado, tão somente, na posse de bens materiais. Poucos demonstraram o desejo de contribuir para a construção de um mundo melhor.

Apenas como exemplo e sem a mínima intenção de sugerir a necessidade de “militarização” da sociedade, abalanço-me a afirmar que entre os marginais, sejam eles ricos ou pobres, é bem pequena a porcentagem daqueles que serviram às Forças Armadas nas quais, notadamente na tropa, busca-se desenvolver valores tais como disciplina consciente, respeito à Lei, obediência à autoridade e solidariedade. Neste último quesito, vale lembrar que o sucesso de uma missão, qualquer que seja ela, na paz ou na guerra, depende muito da forte união entre comandantes e subordinados e dos laços criados entre eles.

Assim, um Projeto que venha a ser desenvolvido entre os jovens buscando desenvolver neles, pelo exercício do exemplo, o altruísmo, a busca de objetivos superiores, a camaradagem desinteressada, etc., deverá basear-se na necessidade de incutir tais valores em seu espírito. Uma frase, uma simples frase, bem expressa a busca desse objetivo: “Nenhuma corrente é mais forte que o seu elo mais fraco”.

Às famílias e às pessoas preocupadas com o futuro da nossa Pátria, caberá o engajamento na transformação dos jovens em cidadãos úteis, conscientes dos seus deveres antes dos seus direitos. Como fazer? Interessando-os na busca de cultura, de trabalho voltado para o progresso pessoal e da coletividade. Há necessidade, inicialmente, de transformar o comportamento do indivíduo e, a partir dele, atingir seu grupo social.

Obviamente, não será uma tarefa fácil, muito pelo contrário. No entanto, se acreditarmos na importância da missão, na transcendência do objetivo colimado, cada um dará início ao trabalho dentro do seu lar e daí, ciente de que a mais longa das jornadas começa sempre com o primeiro passo, esforçar-se para transformar cada elo da corrente social brasileira em portador dos imperecíveis valores que dignificam e dão sentido à vida.



07/03/2007

Osmar José de Barros Ribeiro

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