O Estado de S. Paulo 
(...). Menos de duas semanas depois de ter anunciado os resultados do recadastramento, que implicavam a exclusão de quase 30% das famílias pesquisadas, a Secretaria Nacional de Renda de Cidadania (Senarc) do MDS baixou a instrução operacional com informações sobre procedimentos para atualização e revalidação cadastral das famílias inscritas no CadÚnico.
A instrução estabelece "novos conceitos" para a revisão cadastral. O mais interessante é o de "validade do benefício". Por meio de um complicado jogo de palavras, esse "conceito" estabelece que, por determinado período, as famílias inscritas no programa que não atualizaram o cadastro ou que passaram a ter renda familiar per capita superior ao teto de R$ 140 mensais "poderão continuar recebendo os benefícios financeiros do Bolsa-Família".
Resumidamente, durante a "validade do benefício", a regra de exclusão não vale para 1 milhão de famílias, formadas por um número ainda maior de eleitores que em outubro votarão para presidente, governador, senadores, deputado federal e deputado estadual.
Talvez seja mera coincidência, mas é sugestivo que a "validade do benefício" termina no dia 31 de outubro de 2010, quando, se houver necessidade, será realizado o segundo turno da eleição para presidente da República e para governador. Encerrado o prazo, "caso os cadastros ainda estejam nessas condições (desatualizados), caberá, respectivamente, bloqueio e cancelamento do benefício", diz a instrução do MDS.
O Bolsa-Família tem sido elogiado por seu impacto na redução da pobreza e por sua exigência de contrapartida das famílias beneficiadas, como a manutenção dos filhos na escola e o cumprimento de normas de saúde e higiene. Mas a falta de limites claros para o término do pagamento dos benefícios e seu caráter assistencialista o tornam vulnerável às críticas. Seu uso com aparente interesse eleitoral, como nesse caso, o enfraquece ainda mais.
Adicionar comentário

Código de segurança
Atualizar